Por: diario | 13/10/2018

A Polícia Civil investiga uma ocorrência de estupro coletivo contra uma criança de 12 anos. A vítima é um menino, morador de Santa Maria, no Distrito Federal. O ataque foi filmado, publicado em redes sociais e causou a indignação de moradores da capital na quarta-feira (10). Cinco pessoas são investigadas, mas apenas uma foi presa.

Os suspeitos são três adolescentes e dois adultos, de 18 e 21 anos. Uma mulher, a pessoa mais velha do grupo, foi presa em flagrante, na terça-feira (9), acusada de armazenar e compartilhar pornografia infantil. Ela também foi indiciada por estupro de vulnerável e ameaça, porque presenciou o momento do ataque. A jovem registrou tudo em vídeo.

O crime aconteceu há mais de uma semana, mas a Polícia Civil só tomou conhecimento da ocorrência após ser procurada pelo Conselho Tutelar da região administrativa e pelo tio da vítima. Nas imagens, os autores obrigam o garoto a vestir roupas femininas, a usar maquiagem e é coagido a dizer o que estupradores queriam ouvir na hora da agressão sexual. Em depoimento colhido pelos investigadores da 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria) na terça-feira (9), o menino narrou em detalhes o terror vivido.
Segundo o delegado-adjunto da unidade, Alberto Rodrigues, a vítima tinha amizade com o grupo. “As imagens demonstram ações grotescas e uma condição deplorável contra um adolescente em situação de vulnerabilidade social”, explicou Passos.

Todos os envolvidos foram identificados. Os adultos serão investigados pela 33ª DP. Os adolescentes, pela Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), que também terá acesso ao inquérito.

Ameaça

O investigador contou que os cinco envolvidos ameaçaram o garoto de morte. “Eles disseram que se a vítima comentasse o fato com alguém teria membros do corpo cortados, e seria torturada até a morte. O caso só chegou ao nosso conhecimento porque a jovem de 21 anos divulgou o vídeo nas redes sociais e a mídia repercutiu”, explicou o delegado.

Segundo Alberto, o adolescente seria usuário de drogas e também comercializaria entorpecentes na Rodoviária do Plano Piloto, sob comando do grupo. “A líder que dirigia o vídeo – ela comandava a forma com que as pessoas deveriam agir – fornecia a droga para a vítima vender. Ela também é adolescente. O menino ia até essas pessoas em busca de mais drogas”, informou.

A mulher responsável por divulgar as cenas do estupro coletivo foi presa e, se condenada, pode receber pena que varia de 1 a 6 anos de prisão, por armazenar e compartilhar o vídeo. A pena por estupro de vulnerável vai de 8 a 15 anos. A de ameaça, de 6 meses a dois anos de reclusão. Os outros quatro envolvidos não foram detidos.

Menino volta para casa da mãe

O menino de 12 anos, vítima de estupro coletivo em Santa Maria, no Distrito Federal, vai voltar para a casa da mãe, no Entorno do DF. A informação foi dada pelo Conselho Tutelar, que acompanha o caso.

A criança estava em um abrigo, em Brasília, desde a última terça-feira (9). De acordo com o conselheiro Hessley Santos, a mãe do menino mora em Santo Antônio do Descoberto (GO) e deve retomou a guarda do filho nesta quinta-feira (11).

A criança vivia com a avó, em Santa Maria, há cerca de 6 meses. Nesse período, ele teria se envolvido com um grupo de traficantes da região do Condomínio Porto Rico e seria obrigado a vender drogas na rodoviária do Plano Piloto. Segundo a polícia, o estupro coletivo ocorreu no fim de setembro.

Conforme o Conselho Tutelar de Santa Maria Sul, ele era punido sempre que o grupo não “ficava satisfeito” com o resultado do tráfico de drogas. O conselheiro Hessley Santos disse que a criança passou por espancamentos e chegou a ser afogada em um córrego próximo ao condomínio.

A avó contou ao conselheiro que, por causa das drogas, não conseguia mais controlar o neto. Na escola, professores já haviam chamado o Conselho Tutelar por conta da “indisciplina” do aluno.

Hessley explicou que vai levar o menino para um exame toxicológico e uma avaliação psicológica. Depois, o caso passa a ser acompanhado pelo Conselho Tutelar de Santo Antônio do Descoberto (GO), onde a criança vai morar com a mãe.

A criança passou por exames no Instituto Médico Legal (IML), mas o resultado é sigiloso. De acordo com a Polícia Civil, a ocorrência registrada na delegacia inclui pelo menos quatro crimes: injúria, ameaça, lesão corporal e estupro de vulnerável.

 

Via: OCP News