Por: diario | 17/02/2017

Mesmo que a região do Alto Vale não esteja dentro da área de risco de contaminação da febre amarela, a população que tiver interesse pode buscar a vacinação. Para as pessoas que pretendem viajar para as cidades com recomendação da vacina, é indispensável que se imunizem. Em Santa Catarina são mais de 160 cidades nessa situação.
O gerente de Saúde da Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Rio do Sul, Everson Pedroso, explica que todos os municípios da região contam com uma cota de vacinas. “O Estado passa para nós e a gente vai fazendo essa distribuição”, explica. Além disso, as cidades podem solicitar as doses conforme a demanda.
A vacinação para pessoas que irão para áreas de risco deve acontecer 10 dias antes da viagem e segundo Pedroso, além da proteção pessoal, é uma forma de resguardar toda a região da febre amarela. “Precaução sempre é bom, mas principalmente antes de viajar a pessoa não pode ir para essas cidades que estão em risco [sem imunização], porque daqui a pouco pode trazer o problema aqui para o Alto Vale”, frisa.
A transmissão da febre amarela pode ser feita de duas maneiras, como explica a bióloga da Gerência Regional de Saúde, Bianca Lindner. Na contaminação urbana é o mosquito Aedes aegypti o responsável pela propagação da doença – mesmo difusor da dengue, febre chikungunya, e zika vírus. Já na contaminação silvestre os insetos das espécies emagogos e sabethes realizam o contágio.
“A pessoa que vai fazer alguma atividade em área florestal ou silvestre e não está vacinada, pode contrair o vírus através da picada de um desses mosquitos e ela retornando para a área urbana, pode acabar fazendo um novo ciclo”, fala a bióloga. Ou seja, se um mosquito Aedes pica uma pessoa contaminada pela doença, ele passa a transmitir o vírus para a população da área urbana.
Bianca diz que por enquanto a região do Alto Vale não tem nenhuma cidade dentro da área de recomendação da vacina, porém para que a situação continue sob controle é preciso o apoio da comunidade. “A população precisa avisar a vigilância epidemiológica do município quando encontrar algum macaco morto ou doente, com algum comportamento não tão habitual, como lentidão”, ressalta a bióloga. Ela diz ainda que quando um primata for encontrado nessas condições, o ser humano e outros animais não devem ter nenhum tipo de contato direto.
Os casos de febre amarela são mais comuns no verão pela incidência de insetos. Neste ano em especial o número de pessoas infectadas aumentou significativamente. A bióloga diz que um dos motivos pode ser o avanço do desmatamento, mas não é possível indicar com precisão. “Não é um único motivo, é uma série de fatores”, comenta.
Em Santa Catarina, as regiões Oeste, Planalto Norte e Serra são consideradas áreas de risco e somam ao todo 162 municípios. Algumas dessas cidades fazem divisa com a região do Alto Vale, como Otacílio Costa, Ponte Alta, Ponte Alta do Norte, São Cristóvão do Sul, Santa Cecília, Monte Castelo e Papanduva.

Sindréia Nunes