Por: diario | 13/06/2018

Passava das 3h30 da madrugada quando tocou o telefone de Airton Spies, secretário de Estado da Agricultura. Após o susto inicial, Spies desperta de um sono leve e atende a chamada. Do outro lado da linha, o diretor de uma agroindústria do oeste catarinense relata, em tom de choque, que seis de seus caminhões haviam sido sequestrados e levados para um bloqueio de caminhoneiros na BR-282, na cidade de Pinhalzinho. Assim que desliga, o secretário aciona o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Araújo Gomes, que sequer havia dormido naquela noite. Em pouco tempo, uma unidade regional da PM se desloca até o bloqueio e consegue recuperar os veículos, que seriam utilizados para o transporte de suínos vivos.

Nesse momento, Santa Catarina e o Brasil já caminhavam para o nono dia de greve dos caminhoneiros. Ainda levaria mais três dias até que a situação fosse totalmente controlada, mas muito antes disso o governo de Santa Catarina já estava com todas as suas forças para monitorar o movimento e minimizar os impactos sobre a população.

Comitê de crise

Desde o primeiro dia, equipes de diversas secretarias foram mobilizadas para acompanhar os desdobramentos da greve no Centro Integrado de Gerenciamento de Risco e Desastres (Cigerd), na região continental de Florianópolis.

No segundo dia, ocorreu a primeira reunião do governador Eduardo Pinho Moreira com parte do secretariado. A partir daí, as ações foram diárias e incluíram muita negociação com os grevistas. Na avaliação de Moreira, a greve deixou marcas em Santa Catarina, mas estas foram minimizadas graças ao esforço de todas as pastas da administração estadual.

“Nós fomos tolerantes, estabelecemos um diálogo muito forte com os grevistas. Em todos os momentos nós ouvíamos o que eles queriam. Até quando as conquistas deles vieram. Eles tiveram a redução do valor do diesel, a não cobrança dos eixos levantados nos pedágios e a garantia do frete mínimo. Foram conquistas verdadeiras. A partir daí o movimento virou bagunça. Tomou contornos políticos, agressivos. Até quebraram caminhões, morreu um caminhoneiro no norte do país. Com isso, chegamos à conclusão de que aquilo precisava parar”, diz o governador.

No gabinete de crise montado no Cigerd, todo dia às 18h havia uma reunião organizada pelo secretário Rodrigo Moratelli e comandada pelo próprio governador. Com o passar dos dias, juntaram-se ao grupo também autoridades de órgãos federais, como o Exército, a Marinha, a Aeronáutica e a Polícia Rodoviária Federal. O objetivo era fornecer informações sempre atualizadas para a tomada de decisões.