Por: diario | 27/09/2019

Helena Marquardt

Uma segunda chance para viver. Esse é o sentimento da maioria das pessoas que receberam a doação de algum órgão e que estão vivas para contar como sua saúde e principalmente a sua visão de mundo se transformaram após o transplante. É exatamente o que relata o aposentado rio-sulense, Carlos Alberto Hoffmann, de 58 anos, que chegou a ouvir dos médicos o curto prazo de vida que teria, mas recebeu um transplante de fígado em junho de 2016 que lhe deu a possibilidade de um futuro que hoje ele aproveita da melhor forma. Mas nem todos que aguardam na fila tem a mesma sorte, por isso nesta sexta-feira (27) o Dia Nacional da Doação de Órgãos busca conscientizar a população sobre a importancia da doação.

Carlos conta que foi diagnosticadao em agosto de 2015 com cirrose hepática e daí em diante enfrentou inúmeros problemas de saúde e internações semanais, porque os órgãos começaram a falhar e a medida que eles perdiam a sua capacidade, diminuia também a esperança dele de encontrar um doador a tempo, o que felizmente acabou acontecendo e salvou sua vida. “ Para mim o transplante representou a vida. Eu estava em fase terminal e o médico me disse que eu iria viver no máximo 90 dias se não fizesse o transplante, mas uma família disse sim e fui contemplado. Recebi o fígado de um jovem de 27 anos que faleceu em Lages.”

A cirurgia correu bem e atualmente ele esbanja disposição. Prova disso é que resolveu até empreender e passou a preparar e vender doces com a ajuda da esposa para complentar a renda familiar. Ele afirma que até o seu problema de saúde, a família não discutia a doação de órgão, mas o tema ganhou um novo significado quando ele se viu na fila de espera. “ A gente escutava falar, mas não dava bola e hoje vejo como isso é fundamental, por isso tento incentivar e ajudar outras famílias a também tomarem essa decisão, afinal com a autorização da doação é possível salvar até 10 pessoas”, comenta.

Segundo dados da Associação Renal Vida, a situação delicada pela qual Carlos passou é a mesma que outros 598 catarinenses vivem atualmente. Esse é o número de pessoas que aguardam na fila por transplante de órgãos no estado. A grande maioria, 379 pessoas, espera por um rim.

O vereador de Rio do Oeste, Valírio Haverroth, de 53 anos, também já viveu esse drama e entende como poucos a importância da doação. Ele foi diagnosticado com insuficiência renal há 11 anos e por um longo tempo precisou fazer hemodiálise, mas num dado momento, o transplante era a única chance de vida e por sorte, a doação de alguém compatível chegou há pouco mais de um ano. “Para mim representou a vida porque fazia hemodiálise, mas mesmo assim tinha muitas restrições, não podia nem tomar água. Há um ano e seis meses recebi o transplante e hoje tenho uma vida nova, trabalho e faço tudo que fazia antes de adoecer sem estar ligado em uma máquina”, opina.

Ele também destaca a importância da doação. “Ninguém quer a morte de uma pesoa da família, mas quando não há mais o que ser feito, a doação pode salvar muitas vidas como salvou a minha. A doação dá uma outra oportunidade e sei bem disso porque não estaria mais aqui se não fosse isso”, completa.

Oito moradores do Alto Vale já foram beneficiados em 2019

Um levantamento da Renal Vida de Rio do Sul também apontou que a Associação já contabilizou 1610 transplantes e só nesse ano, oito pessoas do Alto Vale, assim como Carlos e Valírio, já receberam algum órgão. Para que os outros pacientes que aguardam na fila também tenham essa mesma chance, anualmente campanhas nacionais reforçam a importância da doação.

No Brasil, para se tornar um doador, o primeiro passo é comunicar a intenção à família, uma vez que a concessão de órgãos só é feita mediante autorização familiar. Os órgãos doados seguem para pacientes que necessitam de um transplante e estão aguardando em lista única, definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada estado e controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes.