Por: diario | 07/01/2017
A primeira coletiva de imprensa do novo prefeito de Rio do Sul, José Thomé foi organizada para esclarecer a descoberta de grampos telefônicos instalados clandestinamente na Policlínica de Referência Regional, onde também funciona a Secretaria de Saúde. Os equipamentos foram descobertos através de uma denúncia anônima.

Ao tomar conhecimento a Procuradoria Geral do Município acionou a Polícia Civil que foi acompanhada de uma equipe do Instituto Geral de Perícias (IGP) e de um técnico especialista em instalações de rede de telefonia e internet.

A polícia identificou a presença de dois grampos telefônicos que estavam ligados em oito ramais. Os aparelhos estavam em um hack servidor na sala de informática do prédio. As escutas ilegais eram gravadas em um gabinete instalado especificamente para armazenar os arquivos. O sistema permitia o acesso remoto das gravações.

A investigação aponta que os grampos foram instalados clandestinamente em agosto de 2015 e o autor seria um funcionário do governo anterior que era comissionado. A delegada responsável pela investigação, Elisabete da Cruz Pardo Figueiredo, que também participou da coletiva, explicou que até o momento três pessoas já foram identificadas.  “Nós já ouvimos um servidor da Secretaria [de Sáude] que por solicitação de uma chefia que seria essa pessoa comissionada, pediu a instalação. Esse servidor foi bem explicativo da forma como ocorreu. Já ouvimos o dono e o técnico da empresa que foi contratada para fazer esta instalação”, revelou.

Os equipamentos foram retirados e encaminhados para a perícia. Os ramais monitorados pelos grampos já foram identificados, mas não há como afirmar ainda quem eram os servidores que estavam sendo vigiados de forma ilegal, pela possibilidade de eventuais trocas de ramais durante o período. A delegada aguarda uma autorização judicial para poder acessar o conteúdo das gravações e ter a confirmação dos setores e pessoas que haviam sido grampeadas. A polícia não descarta que o caso possa ter ramificações caso as gravações levem a outras investigações de possíveis irregularidades dentro da Policlínica. “Se houver indícios de outros crimes, no momento em que se apura esses grampos irregulares, aí se toma outras providências”, afirmou Elisabete.

O procurador geral do Município, Luiz Felipe Rocha de Athayde, explica que a Constituição Federal prevê a inviolabilidade de conversas telefônicas e que o caso configura a quebra dessa premissa. Um problema que pode acarretar até mesmo processos por danos morais contra a própria Prefeitura. “É uma questão delicada que o Município pode estar sendo envolvido nestas ações como representante e como próprio empregador, o que a gente poderia estar realizando é incluir essas pessoas que foram citadas para estar respondendo pelos danos que estaria causando”, explicou.

O prefeito José Thomé confirmou que o governo irá solicitar a justiça uma análise em todas as linhas telefônicas e redes de internet da prefeitura. “Penso que todos os equipamentos necessitam dessa varredura e a gente vai estar buscando a forma legal de desenvolver e levantar essas informações. Isso gera um desconforto e com certeza nós estaremos fazendo isso pelo servidor, para que a gente possa dar tranquilidade”, declarou.

Albanir Júnior