Por: diario | 27/07/2018

O presidente Michel Temer afirmou nesta quinta (26) que pediu ao líder da China, Xi Jinping, que retire a sobretaxa sobre exportações brasileiras de carne de frango e açúcar no país. Temer também apelou ao chinês para que abra o mercado a produtos derivados de soja processados, como óleo e farelo. Segundo ele, houve receptividade à proposta.

“Voltamos a tratar do aumento da cota de açúcar e do frango. Pedimos a ele (Xi Jinping) que deixe um pouco de lado, digamos, a sobretaxa que houve em relação ao frango e ao açúcar, para que possamos aumentar nossas exportações”, disse Temer, após deixar a reunião bilateral com o líder chinês na África do Sul, pouco antes da abertura da 10ª Cúpula dos Brics.

“Exportamos muita soja para a China, mas soja em grão. O que nós queremos, e ressaltei isso ao presidente Xi Jinping, é mandar os elementos processados, ou seja, óleo de soja e farelo de soja, o que naturalmente permite a industrialização no nosso País. E ele recebeu muito bem essas ideias. Concordou e vai mandar os técnicos examinarem. Essa é uma questão técnica. Não senti resistência”, disse.

 

 

Temer destacou que a reunião bilateral desta quinta-feira foi o quinto encontro de negociação entre os líderes do Brasil e da China, no qual tratam principalmente das exportações de produtos agrícolas.

O presidente contou ter mencionado na reunião bilateral os programas de privatização e concessões públicas e pedido aumento de investimentos privados chineses, principalmente nos leilões previstos de distribuidoras de energia elétrica da Eletrobras.

“Mencionei também a questão das concessões e privatizações que estamos fazendo, os investimentos chineses já existentes e outros, que ele disse que vai colaborar muito para investir bastante lá (no Brasil). Ferrovias, portos, aeroportos, linhas de transmissão e agora distribuidoras de energia”, afirmou Temer.

Conforme o Itamaraty, no encontro também foi abordada a instalação do Escritório Regional das Américas do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics (NBD), cujo acordo será assinado ainda nesta quinta-feira na cúpula. A sede será em São Paulo e haverá um escritório de representação em Brasília.

10ª Cúpula dos Brics

Começou na quarta-feira (25), em Johannesburgo, na África do Sul, a cúpula do bloco de países emergentes Brics, formada pelo país, Brasil, Rússia, Índia e China. Está é a primeira reunião desde o início da guerra comercial entre os chineses e os Estados Unidos de Donald Trump. A expectativa é que os Brics manifestem seu apoio aos órgãos de arbitragem internacional, por vezes desrespeitados pelos americanos, em especial a Organização Mundial do Comércio (OMC), hoje dirigida por um brasileiro, Roberto Azevêdo.

“Há temas importantes que serão tratados na declaração pelos líderes. Eu destacaria a defesa do multilateralismo, em função do que ocorre hoje no mundo, tensão sobre as organizações multilaterais, em particular sobre a OMC”, disse o subsecretário-geral da Ásia e do Pacífico e responsável pelo Brics no Itamaraty, o embaixador Henrique Sardinha Pinto.

Segundo ele, é uma preocupação do Brasil e dos parceiros do grupo fazer uma manifestação “bastante firme e segura” em defesa dos princípios que norteiam o multilateralismo. Ele nega que esse seja um pedido da China para os demais, como havia dito, ainda no Brasil, o ministro Kenneth Félix da Nóbrega, diretor do Departamento de Mecanismos Inter-regionais do Itamaraty.

A crítica a medidas protecionistas, como as taxações mais altas de produtos importados adotadas por Trump, não é nova no Brics, mas essa será, no entanto, o primeiro comunicado conjunto após o início da guerra comercial que travam as duas maiores potências do planeta.