Por: diario | 19/04/2018

Na segunda-feira (16), o Sicoob Alto Vale promoveu uma palestra para os colaboradores e também direcionada aos acadêmicos de Administração, Ciências Contábeis e Economia sobre Educação Financeira. O palestrante Juliano Oliveira Fernandes, educador financeiro e Supervisor de Desenvolvimento de Produtos e Serviços da Sicoob Central, de Florianópolis, apresentou dados sobre o endividamento e a inadimplência no Estado e ressaltou que a saúde financeira está no planejamento e na reserva de dinheiro para imprevistos.

A apresentação faz parte de um ciclo de palestras promovidas pela instituição em diversas cidades, que iniciaram no fim de março e se estendem até maio. Elas aquecem as instituições para a semana de Estratégias Nacional de Educação Financeira (ENEF), promovida pelo Banco Central no mês que vem. A ENEF busca promover a educação financeira, aumentar a capacidade do cidadão para realizar escolhas conscientes e administrar os recursos, além de contribuir para a solidez dos mercados financeiros.

Juliano explicou que a Educação Financeira envolve planejamento, reserva e “sonhar grande”. “Na Educação financeira a gente sempre tem que pensar grande, pensar em não só em quitar dívidas, tem que pensar no seu sonho. Tem que pensar em aposentadoria, em liberdade e no sucesso financeiro”, diz. O educador comenta que para atingir o sucesso financeiro é preciso equilibrar as contas. “O degrau da dívida é apenas um degrau na busca para atingir seu sucesso financeiro. Que precisa principalmente ter o equilíbrio de viver o hoje, de curtir a vida hoje, mas também pensar no futuro, pensar na aposentadoria, porque ninguém irá pensar nisso por você”, conta.
Educação financeira é um tema pouco familiar, crescemos sem ter base e quando se chega na fase adulta e começa-se a trabalhar e a ter a relação com o dinheiro, não sabemos como administrar. Mas agora o Ministério da Educação pretentende trazer a matéria como parte das Estratégias Nacionais de Educação Financeira. “Hoje o Ministério da Educação colocou como obrigatório, que até 2020 todas as escolas devem ter a educação financeira também. Já é um avanço tremendo. Porque não é só pensar em como pode quitar as dívidas, ou como vou me livrar dela, mas também serve para que a gente comece a alcançar os nossos objetivos financeiros”, comenta Juliano.

A Fecomércio de Santa Catarina mostra que 57% da população está endividada, destes 19% estão inadimplentes, ou seja, não conseguem pagar a dívida que se propõem. O IBGE apresentou que dos 24 milhões de aposentados apenas 1% consegue se aposentar e ser independente, o restante precisa de uma renda extra. Para fugir desses índices Fernandes dá as dicas. “Quando a gente olha para o nosso orçamento doméstico, temos que fazer a nossa planilha de orçamento, seja por planilha de Excel, seja por aplicativo, o Siccob por exemplo tem um aplicativo específico para finanças, daí a pessoa consegue colocar as receitas, as despesas e começa a enxergar a própria realidade. Visualizando a realidade, ela começa a pensar no futuro e a desejar a realização dos seus sonhos”, explica.

Para começar uma reserva financeira as pessoas podem aplicar o seguinte cálculo: “A renda principal é para pagar o custo de vida atual e pensar na reserva financeira, a reserva de emergência. Essa reserva é pensando no futuro e pode ser de 10% a 30% da renda, todo o mês. Por exemplo, se hoje o custo de vida é de R$ 5 mil, a gente sugere guardar 10 vezes o custo de vida, então você tem que guardar R$50 mil para a reserva de emergência. O que é uma emergência, alguma manutenção do carro, algum imprevisto que acontece, alguma doença na família. Esses imprevistos são o que nos afetam no planejamento financeiro. Se eu não tenho essa reserva e acontecer algum imprevisto terei que recorrer a um crédito e se eu não tenho dinheiro para pagar o crédito eu começo a ficar inadimplente”, salienta.

Dica para sair do vermelho

“A dica é investir em formação, em cursos, livros e em você próprio”, diz Juliano, e completa: “curtir a vida hoje, viver o presente, fazer suas coisas, mas também pensar no futuro. A gente não vive só presente ou só o futuro. É preciso encontrar um ponto de equilíbrio e a educação financeira traz isso”.

Para quem está endividado e pretende recorrer ao crédito pessoal, a dica é buscar pelo menor juros e centralizar a dívida. “Se você estiver com outras dividas, ou com várias parcelas sem fazer o pagamento, procure o banco e veja a taxa de juros para fazer uma única dívida, mas essa taxa de juros tem que ser menor que a taxa das outras dividas que você está pagando”, alerta. Para finalizar Juliano comenta que uma renda extra pode auxiliar na realização dos sonhos para além do custo de vida cotidiano. “Se você está endividado hoje porque não busca uma renda extra? Alguma habilidade que você tenha para gerar essa renda. A nossa renda principal vai pagar os nossos custos de vida atual mais a nossa reserva financeira e a renda extra pode pagar nossos sonhos e nossos objetivos para o futuro”, finaliza.

Susana Lima

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