Por: diario | 04/07/2019

De acordo com um levantamento do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Rio do Sul e Região (Sititev), somente em 2019, já foram registradas pelo Sindicato 160 ações trabalhistas. Além disso, desde janeiro de 2018 até o momento, 12 empresas do ramo têxtil fecharam no Alto Vale.

No entanto, de acordo com a presidente do Sititev, Zeli da Silva, ainda não há sinais de crise no setor. “Até o momento o setor ainda não sentiu nenhuma crise, existem algumas empresas que fecharam, que o Sindicato entrou com várias ações coletivas, mas não quer dizer que há crise econômica no ramo”.

Zeli citou como exemplo, algumas empresas grandes que fecharam recentemente, mas que foram investir em outras cidades ou ramos, e que inclusive, pagaram todas as obrigações trabalhistas aos colaboradores. “A Rovitex de Agrolândia pagou todas as contas com os colaboradores. Nós entramos com um processo por ter demitido o pessoal sem aviso prévio, mas o Ministério Público não aceitou. Mas eles pagaram os direitos dos trabalhadores.

Dessas maiores que fecharam, a Rovitex passou a investir no ramo imobiliário e a Lunelli decidiu investir na região do Nordeste, então não dá de afirmar que houve crise no setor”.

Uma ex-funcionária da Rovitex, que não quis se identificar, disse que apesar de ter sido pega de surpresa com o fechamento no ano passado, todos os direitos foram pagos na data estipulada, e em menos de três meses, praticamente a maioria dos colaboradores já haviam conseguido empregos em outra malharias de Agrolândia.

Além das 160 ações trabalhistas em 2019, no total, foram 12 empresas que fecharam no Alto Vale, no período de janeiro de 2018 a junho de 2019, e algumas, foi por motivo de inadimplência. “Houve muitos problemas com inadimplência, empresas que não cumpriram a legislação e acabaram fechando porque a gente entrou com ações trabalhistas”, disse Zeli.

Dentre elas, uma empresa de Agrolândia teve que vender o patrimônio para pagar cerca de R$ 700 mil aos colaboradores e uma de Taió que possuía mais de 100 funcionários. “Dia 3 de agosto será finalizado o pagamento de uma empresa de Agrolândia, que vendemos o patrimônio para poder pagar os direitos dos trabalhadores e nós estamos aguardando uma decisão da justiça em relação aos pagamentos de uma ação coletiva de outra empresa de Taió, que também era grande e tinnha mais de 100 funcionários. O Ministério Público acabou contestando a venda desta de Taió e estamos aguardando agora que a justiça libere para fazer o pagamento dos colaboradores”, completou Zeli.

Além destas, há outras ações coletivas que estão sendo pagas também e de acordo com presidente, a maior reclamação dos empresários do setor, é a terceirização e a falta de qualificação de mão obra.

Elisiane Maciel