Por: diario | 15/02/2019

O volume de serviços prestados no Brasil caiu 0,1% em 2018 , informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (14). É o quarto ano seguido de retração, com perda de 11,1% no período. Apesar de ser o quarto resultado negativo seguido, foi o menos intenso que nos anos anteriores: -3,6% em 2015, -5% em 2016 e -2,8% em 2017.

O gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, destacou que desde novembro de 2016 o setor de serviços saiu de uma consistente trajetória de queda, mas manteve instabilidade.

“Ainda que, desde então, haja algum tipo de flutuação, mais para o campo negativo, o setor de serviços não consegue se recuperar. Tem comportamento errático e não consegue sair desse patamar tão distante do ponto mais alto”, enfatizou.

Destaques negativos

O segmento de serviços profissionais, administrativos e complementares recuou 1,9% e puxou a queda do índice no ano – foi a quarta taxa negativa seguida, porém, a menos intensa, já que 2017 registrou o pior resultado (-7,3%). As atividades que mais influenciaram a retração desse segmento são relacionadas a serviços de cobrança e informações cadastrais, soluções de pagamentos eletrônicos, engenharia e segurança privada.

Segundo Lobo, a principal dificuldade para recuperação do setor de serviços é relacionada aos serviços profissionais e administrativos. “Dos últimos 45 resultados do setor, 43 são negativos”, apontou.

A retração da economia tem relação direta com a estagnação dos serviços profissionais e administrativos. Segundo Lobo, este segmento pode ser dividido em dois, os serviços técnicos profissionais e os administrativos e complementares. O primeiro está 40,8% abaixo de seu ponto mais alto, alcançado em junho de 2013, enquanto o segundo está 13,7% distante do pico, registrado em janeiro de 2014.

“Os serviços técnicos profissionais pesam 25% deste segmento. Eles são mais qualificados, como os serviços de engenharia, que é justamente o ramo que impulsiona a perda significativa”, ressaltou Lobo, apontando para a crise no setor petroleiro e na construção civil.

Já os serviços administrativos e complementares, segundo Lobo, representam 75% dos serviços profissionais e administrativos.

“São serviços de empresas prestados para empresas, e ainda não há uma recuperação clara da economia para que eles voltem a crescer”.

O outro setor que recuou foi o de serviços de informação e comunicação, devido à menor receita recebida pelas empresas do ramo de telecomunicações, segundo o IBGE.

Os serviços de transportes e os de informação e comunicação são os que mais pesam no setor como um todo. Cada um deles representa aproximadamente 1/3 da receita do setor. Em seguida, o mais relevante é o de serviços profissionais administrativos e complementares, respondendo por cerca de 21% do setor. Serviços prestados às famílias respondem por aproximadamente 9%, enquanto os outros serviços, 6%.

De acordo com o IBGE, o recuo se deu em 58,4% dos 166 tipos de serviços investigados.

Destaques positivos

Os destaques positivos foram para outros serviços e para transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio – neste último caso, puxados pelo transporte terrestre, que fechou o ano acumulando alta de 2,1%, mesmo após intensa queda ocorrida em maio em função da greve dos caminhoneiros. Naquele mês, registrou queda de 15,3%.

O segmento de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio teve o segundo resultado anual positivo, porém, incapaz de recuperar a perda acumulada em 2015 e 2016. “Apesar da segunda taxa positiva, esse segmento reduziu o ritmo de crescimento. Em 2017 ele cresceu 2,3%, e agora 1,2%”, ponderou Lobo.

Segundo o gerente da pesquisa, o crescimento no ano da atividade foi impulsionado justamente pelo transporte rodoviário de carga, que no conjunto de serviços é o que tem maior peso. “Dentre os 166 serviços investigados, ele pesa em torno de 10%”, destacou.

Já o setor de serviços prestados às famílias interrompeu sequência de quatro taxas negativas seguidas, iniciada em 2014. Ainda assim, se encontra 12,4% abaixo do seu ponto mais alto, registrado em outubro de 2013.

“Muito desse desempenho está relacionado aos serviços de restaurante. Ainda não há uma recuperação clara da massa de rendimentos, que está muito distante de 2014, o que impede as pessoas de realizarem gastos considerados supérfluos. Possivelmente, as famílias estão priorizando a refeição em casa, a levar quentinha para o trabalho”, diz Lobo.

O segmento de outros serviços também interrompeu sequência de cinco quedas consecutivas iniciadas em 2013, acumulando perda de 24,7% no período. (Informações G1).