Por: diario | 28/06/2017

O segundo semestre do ano deve ser de desafios para a Administração Municipal em Pouso Redondo. De acordo com o prefeito Oscar Gutz, nos primeiros seis meses a economia foi a palavra de ordem da gestão. A intenção foi gerar caixa para trabalhar no decorrer do segundo semestre.

“Começo do mandato foi muito difícil, a gente tinha muito problema no Município, como temos hoje, meu secretário de Administração trabalhou muito em cima disso, reduzir folha [de pagamento], economizar, pra gerar um caixa e poder trabalhar bastante. Nosso município tem 1200 quilômetros de estrada de chão, então, tem todo o maquinário”, declarou Gutz.

Na entrevista, além de falar sobre a gestão de governo, o político deu sua opinião sobre um assunto do momento em Pouso Redondo. É o projeto das barragens no Alto Vale, que voltou a ser questionado desde a última enchente, no início do mês. De acordo com o que foi divulgado pela Secretaria de

Estado de Defesa Civil, a construção das barragens de Mirim Doce, Botuverá e Petrolândia devem começar no segundo semestre deste ano. Elas fazem parte do plano de Governo de Santa Catarina de erguer mais sete barragens em todo o estado. A intenção é diminuir os efeitos das cheias em diversas cidades, mas nem todos os catarinenses estão se posicionando em favor da ideia.

Em Pouso Redondo, os agricultores criaram até uma associação e estão mobilizando um abaixo-assinado, que teria em torno de seis mil assinaturas, contra o projeto. O prefeito da cidade afirmou que apoia os munícipes e é contra o projeto como gestor público e também como morador de Pouso Redondo. “Eu como gestor do Município vejo, e pessoalmente acho que esse projeto não é bom para a minha cidade. A cidade vizinha é afetada pelas águas, os municípios vizinhos, Rio do Oeste, Rio do Sul e nosso Rio das Pombas também, mas hoje a gente não concorda com as barragens porque temos uma preocupação com as nossa cidade”, disse o prefeito, comentando que caso a barragem vertesse, a região central da cidade seria toda inundada.

Em Pouso Redondo, as duas barragens seriam feitas no mesmo leito do rio, com cerca de 10 quilômetros um da outra, segundo informa a Defesa Civil. O gestor público ainda afirmou que espera que seja feito um estudo aprofundado sobre os efeitos das obras na cidade. De acordo com o departamento, as construções são baseadas no estudo feito pela Agência de Cooperação Internacional do Japão. A Defesa Civil ainda tem que realizar audiências públicas sobre a obra e já conta com a oposição da população de Pouso Redondo. Contudo, o gestor afirmou que a intenção não é “implicar” com o projeto, mas ele está pensando na infraestrutura da cidade, que geralmente não é prejudicada com as enchentes. “Se isso [a obra] vier a acontecer, se for necessário mesmo, não é nos que vamos impedir, mas vemos que vamos ter um prejuízo grande com a nossa cidade”, resumiu. Ele ainda ressaltou que entende a necessidade e não tira o “mérito dos outros municípios que são afetados por Pouso Redondo”, mas irá cobrar que o lado dos moradores seja levado em conta pela Defesa Civil.

Suellen Venturini