Por: diario | 03/05/2019

Na manhã desta sexta-feira (3), o secretário de Estado da Saúde, Helton de Souza Zeferino, cumpriu agenda no Alto Vale. Em entrevista ao Diário do Alto Vale, ele elencou algumas das prioridades e também desafios estando à frente da pasta.

O secretário disse que uma das maiores dificuldades é organizar todos os processos que envolvem a saúde no âmbito regional e estadual. “Realmente é um desafio estar à frente da pasta da Saúde, é uma complexidade de atividades muito grande. Podemos avaliar nesses primeiros meses que algumas metas foram alcançadas, outras ainda estão em andamento, mas eu digo que sem sombra de dúvidas, o grande mote da equipe hoje é tornar uma gestão mais transparente, mais próxima do cidadão, para que a gente possa rever alguns processos equivocados dentro da pasta”.

Questionado sobre a dívida do Estado junto ao Hospital Regional Alto Vale (HRAV), o secretário garantiu que uma das prioridades é oferecer aos credores um cronograma correto de pagamentos. “A gente tem aqui o Hospital Regional e ele tem uma contratualização com a Secretaria de Saúde do Estado, ou seja, ele tem uma produção que nos é apresentada e essa produção faz com que ele tenha um reembolso dentro de uma tabela chamada SUS [Sistema Único de Saúde]. Nós temos um incentivo de contratualização, e estamos trabalhando em uma matriz que designamos de técnica hospitalar catarinense, no sentido de conseguir entender a distribuição dos recursos dentro de toda a rede hospitalar. Temos alguns hospitais que recebem custeio de valores diferenciados e não conseguimos entender o porquê da diferença de valores, então falta essa definição dentro da pasta”.

Já em relação às consultas especializadas, Helton disse que os mutirões ajudam a diminuir as filas porém falta ainda trazer profissionais especialistas em cada função e ainda distribuir corretamente a especialidade que cada paciente necessita. “Nós estamos trabalhando com uma questão de procurar trazer para essas avaliações e agendamentos, profissionais que são especialistas de cada função. Nós temos muitos pacientes que estão em listas de consultas especializadas que não deveriam estar ali, isso ocupa espaço dentro da nossa capacidade de atendimento”, ressalta.

O secretário lembra ainda a necessidade das pessoas de comparecem nas consultas agendadas, já que um estudo feito pela Secretaria revela que 40% dos pacientes, marcam porém não comparecem no dia e horário agendado. “Há um alto índice de absentismo, ou seja nós agendamos a consulta, e o paciente em tese, deveria estar em determinado local para consulta e ele não aparece, então a fila acaba não progredindo e consequentemente o profissional acaba ficando ocioso. Precisamos rever esse processo no sentido de tornar mais claro, mais ágil, e precisamos da contribuição do município, da equipe da atenção primaria e também da ajuda da população”.

Questionado também sobre a situação que gerou polêmica na região, em relação à possibilidade de estar transferindo a Secretária Regional de Saúde de Rio do Sul para Blumenau o secretário explicou que “em termos de estrutura de Saúde do Estado nos tivemos um reajuste que passou por uma definição de estabelecimento das sedes das Macroregionais de Saúde, estabelecimento de algumas Regionais de Saúde, e estamos trabalhando agora com um novo nivelamento chamado de Agência de Saúde. Dentro da cidade de Rio do Sul nós temos uma Regional de Saúde que vai permanecer e o que nós temos sim é que ela tem um link com a Macroregional de Blumenau, lá nós temos uma estrutura mais robusta no sentido da central de regularização de leitos, a central de regulação de consultas especializadas, central de regulação de urgência e emergência, acaba ficando linkada naquela estrutura que é em Blumenau, mas toda a estrutura que temos de saúde dentro da Regional de Saúde de Rio do Sul, ela permanece e vai permanecer igual”, confirma.

Efetivamente ele elencou várias ações para melhorar a saúde no Alto Vale. “A nossa prioridade é entender os processos estabelecidos, no sentido de tornar as nossas aquisições mais baratas. Hoje temos processos confusos realizados em curto período de tempo e a gente precisa lançar mão de instrumento de compras que não são os mais adequados, pela questão da urgência, então uma cronologia das despesas e das compras. Temos como meta trabalhar em um projeto que já está caminhando, chamado de Acreditação da Atenção Primária, onde o Estado entra como participante fundamental no processo de desenvolvimento da atenção primária. Outro projeto que temos e entendemos que é muito importante, é o estabelecimento chamado de Sala de Situação de Saúde. Uma sala que vai ser a central de gerenciamento da saúde do estado, onde vamos conseguir ter acessos as informações de todos os municípios, os números de imunizações oferecidos aos pacientes, quais são os atendimentos hospitalares, quais são os locais das vistorias de Vigilância Sanitária, entre outros”, comenta.

Mais Médicos

De acordo com o secretário, o programa Mais Médicos vem sendo muito discutido e quem sofre com a falta de profissionais, consequentemente são os pacientes. “Ele parte do Governo Federal, onde o mote inicial era ter o incentivo para que os médicos pudessem se fixar nos municípios menores com menor capacidade de habitantes. Na plataforma do programa, grande maioria dos médicos vieram de Cuba, com a entrada do atual Governo sinalizando o rompimento desses convênio, houve uma chamada emergencial, aconteceu a chamada dos médicos brasileiros, o que não resolveu porque já havia falta de médicos em muitos município. Além disso quando um médico desiste da vaga é preciso abrir um novo processo seletivo. Então agora o que estamos fazendo é um processo de revisão do Mais Médicos”, finaliza.

Tatiana Hoeltgebaum