Por: diario | 17/11/2015

Natacha Santos

Com a ameaça de novos atentados contra a França e outros países europeus, o medo e a insegurança são as palavras que pairam na mente de quem está na capital francesa. O atentado terrorista, de autoria do grupo Estado Islâmico, deixou 129 mortos, mais de 350 feridos e uma onda de terror ao redor do mundo.

O rio-sulense Anderson Sieves mora na Irlanda, onde estuda inglês. Ele estava com as passagens compradas e chegou na madrugada de domingo em Paris. Ele relatou ao Jornal Diário do Alto Vale o que viu nas ruas da Cidade Luz. “O povo francês está bem triste, isso dá de ver”, constatou. Sieves conta que alguns pontos turísticos ainda permanecem fechados, já outros abriram normalmente, mas com muitos soldados do exército e da polícia fazendo a segurança. “O clima não parece estar normal. Tem muita polícia, sirenes e lugares cercados”.

Segundo informações da agência Reuters, o grupo divulgou um novo vídeo ontem, no qual diz que os países que participaram dos bombardeios aéreos na Síria terão o mesmo destino que a França. O grupo também ameaçou realizar um ataque em Washington, a capital dos Estados Unidos.

Já o governo francês classificou os atentados parisienses de ato de guerra e afirmou que não irá pôr fim aos ataques aéreos contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque. O Ministério da Defesa da França informou que 10 caças lançaram 20 bombas no domingo à noite na região norte da Síria, destruindo um posto de comando e um campo de treinamento do EI. O grupo terrorista, no entanto, disse que foram atingidos lugares vazios.

Ontem, em um discurso solene durante sessão conjunta do Parlamento no Palácio de Versalhes, que começou com as palavras “A França está em guerra”, o presidente da França, François Hollande anunciou um aumento no recrutamento da polícia, a suspensão de licenças no Exército e uma emenda constitucional para fortalecer a luta contra o terrorismo. Hollande ainda fez um apelo por uma coalizão única incluindo os Estados Unidos e a Rússia para erradicar os militantes do Estado Islâmico da Síria. Ele afirmou que vai se encontrar com o presidente dos EUA, Barack Obama, em Washington, e o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou, nos próximos dias, “para que possamos unir nossas forças para alcançar um resultado que tem levado muito tempo”.

Mais cedo nesta segunda, o primeiro-ministro francês Manuel Valls afirmou que novos atentados são planejados contra a França e outros países europeus. “Sabemos que existem operações que estavam sendo preparadas e estão sendo preparadas contra a França e outros países europeus”, disse o primeiro-ministro em entrevista à rádio “RTL”. A França pode ser atacada novamente “nos próximos dias, nas próximas semanas”, completou Valls.

“Eu não digo isso para fazer medo, mas para que cada um esteja consciente. Os franceses retomam o trabalho após esses dias terríveis, as crianças voltam para a escola. A vida deve ser retomada evidentemente, mas nós vivemos e nós vamos viver muito tempo com esta ameaça terrorista. E, sem dúvida, é preciso se preparar para as réplicas [dos ataques]”, declarou Valls.