Por: diario | 08/06/2013

Sem a credibilidade dos gestores, aliada a péssima campanha, o Atlético fechou as portas em maio de 2003 

A data de 28 de maio marcou o fim do futebol profissional de Rio do Sul. Exatamente há 10 anos o Clube Atlético Alto Vale fechou as suas portas, depois de uma malograda parceria com um empresário de São Paulo. Nem o ex-jogador Serginho Chulapa, com passagens pelo Santos, São Paulo e Seleção Brasileira e também de Juari, que defendeu a Portuguesa de Desportos, Santos e foi campeão da Eurocopa pelo Nápoli e o Porto, conseguiram salvar o rubro-negro riossulense, como técnico. A campanha foi tão desastrosa que em 20 partidas pelo Campeonato Catarinense e seletiva para a Série C, o Atlético não conseguiu vencer nenhuma. Empatou seis e perdeu 14. Isso afastou definitivamente o torcedor, que neste momento já havia optado por outra atividade de lazer aos finais de semana.

Mas nem por isso o sonho de voltar a ter time profissional morreu. Pessoas que sempre tiveram ligação com a história do Juventus, Rio do Sul e Atlético deram depoimento ao Diário do Alto Vale. É o caso de Raul Ferrari, o Tucano, que nos últimos anos sempre esteve envolvidos nos cargos da diretoria. Também o ex-zagueiro Valdir, o repórter da Rádio Mirador, Rogério Fernandes que durante antes acompanhou o clube e o funcionário público Ciro Salla, que tem um blog, admitem que é praticamente impossível se tornar realidade. Todos concordam que o problema principal é o financeiro. Depois convencer o torcedor à voltar ao estádio. Com futebol às quartas, sábados e domingos pela televisão hoje o público prefere ficar em casa no conforto, beber a sua cervejinha (proibida nos estádios) e ainda por cima escolher o jogo.

Desde o final dos anos 70, o então Juventus já vivia de “migalhas”, diante da falta de interesse do empresariado em patrocinar o clube. Antes eram os abnegados dirigentes, que se reuniam semanalmente na casa do ex-deputado Nelson Morro para avaliar o desempenho do time e se houvesse necessidade faziam um “papagaio bancário” para contratar reforços. Depois virou Rio do Sul Esporte Clube, novamente em 1985 Juventus, como estratégia para atrair sócios da região. Apesar do time forte, acabou sendo rebaixado em 1986. A situação na segundona chegou a tal ponto que os jogadores fizeram greve e não viajaram para jogar em Tangará, por falta de pagamento dos salários. Como não conseguiu retornar à elite, fechou as portas. Retornou em 1995 como Atlético Alto Vale, com “promessa de ser uma filial” do Atlético Paranaense, razão da denominação e das cores do uniforme.

O repórter Rogério Fernandes acompanhou o time riossulense durante boa parte da sua trajetória pela Rádio Mirador. Ele não acredita na volta ao futebol profissional de Santa Catarina, até mesmo porque teria que disputar as divisões de Acesso e a Especial, que correspondem respectivamente a terceira e segunda. “Quem vai deixar de assistir confortavelmente Santos e Flamengo, para ver um Canoinhas ou Porto da vida”, questionou. Outro fator citado por Fernandes é que na época do Juventus era mais fácil fazer futebol. “Os dirigentes se reuniam, levantavam dinheiro e comprovam o jogador para a determinada posição”. Em sua opinião isso não ocorreria hoje porque o empresariado literalmente não se interessa.