Por: diario | 25/09/2018

Rio do Sul é uma das cidades mais afetadas por enchentes em Santa Catarina e já somou prejuízos milionários nos últimos anos, no entanto, a maioria das obras de recuperação de tudo que foi danificado com as cheias do ano passado ainda não saíram do papel por falta de recursos. Dos mais de R$ 9.409.697,02 solicitados pelo município ao Ministério da Integração Nacional apenas 13,32% foram liberados até o momento, o que representa R$ 1.253.287,51.

O levantamento foi elaborado pela Defesa Civil municipal e apontou ainda que em Rio do Sul outros R$ 1.341.298,70 foram solicitados para ações de resposta imediata, mas apesar da urgência só R$ 708.026,70 já foram repassados, o que representa 52,78% do total.

O diretor da Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil de Rio do Sul, Moacir Cordeiro, explica que as ações de resposta contemplam despesas com limpeza da lama nas ruas, reabilitação da malha viária urbana e rural, coleta e destinação correta do lixo proveniente do desastre, desobstrução de drenagem pluvial e pequenos reparos em obras de infraestrutura que não foram totalmente danificadas.

“O município não tem condições de arcar com esses mais de R$ 8 milhões que faltaram. Claro que algumas dessas obras poderiam ser postergadas, mas outras não, porque são fundamentais para garantir o acesso e principalmente mobilidade, seriam obras prioritárias que não podem esperar” comentou Moacir.

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Entre as obras prioritárias ele citou a contenção da estrada São José, no bairro Santana, rua Maiate, no bairro Pamplona, e a construção de uma galeria pluvial próximo ao elevado José Thomé no Centro.

Recurso para prejuízos causados por tempestade

Já a tempestade que atingiu Rio do Sul em fevereiro deste ano também deixou prejuízos aos cofres públicos e por isso a cidade solicitou ajuda do Ministério da Integração Nacional, e apesar da resposta da União ter sido mais positiva do que em relação à enchente, mais uma vez o município não foi atendido com todas as demandas. A cidade solicitou R$ 1.205.513,17 para reconstrução e recebeu R$ 860.430,77, o que representa 71,37%. Já para ações de resposta foram pedidos R$ 81.818,50 e recebidos R$ 78.833,02 que representa 96, 35%.

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Enquanto os recursos para todas as obras necessárias não chegam, moradores aguardam a reconstrução passando por dificuldades. É o caso do aposentado, Ivo Nunes Ferreira, que vive na Estrada São José, no bairro Santana.

“Essa estrada estava ali a vida inteira e agora está assim, inclusive a minha casa está rachando, os móveis estão apodrecendo porque corre água lá de cima do morro, estragou tudo. Falaram que iam arrumar, mas até hoje não tem nada de concreto. Não queremos falar mal de ninguém mas gostaríamos que arrumasse porque mais de 200 pessoas passam por esta estrada, inclusive deficientes que as vezes precisam de Samu e médico, que acabam não vindo para não passar aqui”.

O vigilante aposentado, José Luiz Navarro Lins, mora em outra rua que teve deslizamentos após a enchente e diz que o muro de contenção seria essencial para evitar novos deslizamentos.

“Precisamos desse muro urgente, porque que se cair tudo será pior para todo mundo. Cada vez que chove cai mais ainda”.

Confira as principais solicitações de recursos

No dia 08 de agosto de 2017, foram solicitados R$9.409.697,02 para reconstrução de infraestrutura destruída, compreendendo nove metas. Desse recurso somente R$1.253.287,51, equivalente a 13,32%, e referente a três pedidos que foram atendidos, sendo um na Estrada da Madeira, um na rua Maiate e outro na Rua Daniel Andretta, todos para construção de muros de gabião para e estabilização de encostas. Nesses casos, o recurso já foi empenhado, mas ainda não liberado em razão da Legislação Eleitoral. Essas obras já estão licitadas, aguardando somente a assinatura da ordem de serviço que deverá ocorrer assim que a verba for repassada para a Prefeitura. Das metas que não foram aprovadas pelo Governo Federal, algumas estão inclusas num Plano de Trabalho de Prevenção que está em Brasília sob análise técnica.

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No dia 30 de junho de 2017, a Prefeitura pleiteou ajuda financeira no valor de R$1.341.298,70 para ações de resposta a desastre para danos em 19 ruas, que precisariam de desobstrução de rede de drenagem pluvial, limpeza urbana, abertura emergencial de via (transenchente), e pequenos reparos para estabilização de encostas. Desse montante R$708.026,70 foi aprovado, o restante acabou saindo dos cofres da prefeitura através da Taxa de Proteção aos Desastres e outros recursos correntes.

No dia 11 de Abril de 2018, a Administração solicitou R$1.723.156,86 para reconstrução de infraestrutura destruída, compreendendo quatro metas. Desse total foram aprovados R$860.430,77, equivalente a 49,93%, e referente a três metas, sendo um muro em gabião assentado em concreto na Estrada São José, uma na Rua Roussenq Filho (próximo cabeceira elevado José Thomé) para contenção em gabiões e caixa para erosão fluvial; e, outra na Rua Dos Vereadores para estabilização de margem fluvial em muro de gabiões. Essas obras estão com os recursos empenhados, na fase de licitação, e as ordens de serviço serão assinadas após os trâmites burocráticos.

No dia 13 de Abril de 2018, após uma tempestade acompanhada de chuva Intensa, granizo e vendaval, a Prefeitura solicitou recursos para reabilitação de áreas afetadas, na ordem de R$81.818,50 dos quais foram aprovados apenas R$78.833,02 para limpeza de drenagem pluvial, recuperação de vias públicas, coleta e destinação do lixo proveniente do desastre.

Helena Marquardt

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