Por: diario | 02/10/2018

Outubro começou e com ele a atenção à prevenção do câncer de mama ganha destaque. De acordo com os dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a partir de 2018, estima-se que cerca de 59.700 novos casos da doença sejam diagnosticados no Brasil por ano. O número indica que a cada 100 mil mulheres, cerca de 56 terão que lutar contra a doença. Diante da realidade, a melhor medida continua sendo a prevenção. É isso que impulsiona o Outubro Rosa, movimento que nasceu na década de 90 e que é dedicado à disseminação de informações sobre os direitos e a importância de olhar com atenção para a saúde da mulher.

Em Rio do Sul, o trabalho da Rede Feminina de Combate ao Câncer (RFCC) é feito com esse objetivo: informar e dar assistência às pessoas que enfrentam a luta contra o câncer. São 43 voluntárias que se revezam no atendimento de cerca de 40 pacientes de toda a região. Entre os serviços oferecidos estão a coleta de preventivo, o Papanicolau, de terça à sexta-feira e o exame de toque de mama, gratuito para todas as interessadas. Há também o serviço de drenagem manual e via equipamento, massagens e reiki, para as pacientes que forem encaminhadas pelos médicos para o tratamento. A Rede Feminina também está presente em Ibirama e Presidente Getúlio e em breve em Pouso Redondo e Taió, porém, somente a unidade de Rio do Sul já conseguiu adquirir os equipamentos.

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A Rede Feminina de Rio do Sul conta ainda com um brechó, que mantém os principais custos da entidade. Paralelo ao apoio de diversas entidades locais e da prefeitura municipal de Rio do Sul.

“Nesse ano, depois de três anos, conseguimos uma participação com a prefeitura municipal de R$2.800 por um ano, na ajuda de custo da nossa enfermeira. Mas esse valor não cobre ainda todas as horas que ela passa aqui”, conta Marilu Altiva Mattos Murara, presidente da RFCC. A Rede Feminina, graças a arrecadações, também realiza a doação de sutiãs com prótese para as pacientes operadas, assim como o empréstimo de perucas para quem está em quimioterapia.

Neste ano, a Rede também aderiu a campanha nacional “Preciso viver”. O lema diz: “Algumas vidas pedem pressa. Quem tem câncer não pode esperar’’, que se refere as ações realizadas pelo Sistema Único de Saúde no tratamentos dos pacientes de câncer. A campanha pede que as ações do Sistema Único de Saúde (SUS) devem ganhar celeridade.

Segundo a Lei nº 12.732, de 2012, o paciente tem prazo de 60 dias para fins do primeiro tratamento cirúrgico, quimioterápico ou radioterápico, pelo SUS, contados a partir do diagnóstico dado ao paciente, porém a realidade enfrentada hoje não é essa. Os pacientes aguardam até um ano para o início do tratamento.

“Lançaram essa campanha para todas as redes do Brasil, para que todos pressionem os governantes, os políticos, para que essa Lei seja cumprida. Em nenhum lugar acontece isso, nem aqui. A consulta você consegue, mas até fazer os exames e a operação vai até um ano. Nesse meio tempo ou você faz alguma coisa ou você morre. Quem tem dinheiro consegue fazer particular, quem não tem espera”, conta Marilu.

Amor pela Vida

Marilu conta que o amor próprio precisa passar por cima dos medos e preconceitos. “A gente pega casos de pessoas que estão nitidamente com problema e que mesmo assim tem vergonha de ir no médico, ou tem maridos que só deixam ir em médica mulher, ou não faz mamografia porque dói. Tem gente que diz que vai deixando e quando vê já está anos sem realizar o exame preventivo”, conta.

A mamografia é grátis, pelo SUS, a partir dos 50 anos. Mas mesmo realizando exames periódicos o câncer pode aparecer, como foi o caso da Devanir Nasatto Kaestner, mesmo sendo voluntária na Rede Feminina e realizando exames periodicamente, ela foi surpreendida com a notícia de um câncer de mama, cinco meses após realizar a mamografia.

“Eu sempre fiz os exames e cuidei muito bem da minha saúde. Há dois anos atrás, em março, fui no médico, fiz exame e não deu nada. E em agosto, porque havia ganhado um exame de mamografia, fiz de novo e acusou o câncer. Menos de seis meses depois de ter feito a mamografia, meu mundo caiu”, relata Devanir.

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Ela tem plano de saúde e fez todo o procedimento de maneira particular, sua cirurgia não foi tão invasiva por conta do diagnóstico precoce. Mas terá que continuar tomando medicações por cerca de cinco anos. “Eu não precisei tirar toda a mama, porque foi bem no início. Eu fui salva pela prevenção”, diz Devanir. O recado dela para as mulheres é que vivam o presente e cuidem da própria saúde. “A mulher tem que conhecer seu corpo, fazer o autoexame, se cuidar. Você vê o mundo de outra forma quando passa por isso e aprende sobre o respeito e superação”, finaliza.

Atualmente, são 40 pacientes atendidos pelo Centro Oncológico do Hospital Regional do Alto Vale. São 30 pessoas que estão em acompanhamento da doença, mas que ainda não realizam a quimioterapia. Neste ano apenas uma cirurgia de mama foi realizada. O que mostra o reflexo da falta de estrutura do SUS em atender essa demanda.

Para a presidente da Rede Feminina, Marilu, a prevenção e informação são as armas que hoje temos contra essa doença. “Prevenindo se tem uma chance enorme de cura. Queremos com a campanha, que a mulher se coloque em primeiro lugar e não coloque a casa, o marido, o filho, o trabalho. Quem se cuida, se ama. Se você quer ter uma vida boa, uma vida saudável, você tem que se cuidar. Fazendo o auto exame, o preventivo, a mamografia, olhando para ti, pensando primeiro em você. Porque você estando bem, consegue atender os outros”, Marilu.

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O câncer de mama

Mais do que levantar dados, a campanha visa garantir às mulheres atendimento, assistência médica e suporte emocional, garantindo prevenção, diagnóstico e tratamento de qualidade. Durante o mês de outubro, diversas instituições, tanto públicas quanto privadas, realizam campanhas de conscientização e disponibilizam exames gratuitos, a fim de encorajar as mulheres.

O câncer de mama é o segundo tipo mais comum entre as mulheres do mundo inteiro, perdendo apenas para o câncer de pele. O diagnóstico e o tratamento precoce podem garantir o sucesso na luta contra a doença. Exames como a mamografia, que deve ser feita frequentemente a partir dos 50 anos, são imprescindíveis para a descoberta de um câncer que pode ser tratado rapidamente.

Na maioria das vezes, o câncer pode ser detectado nas fases iniciais, antes mesmo de apresentar qualquer sintoma. A mamografia utiliza a radiação para conseguir criar imagens de dentro da mama, podendo revelar a presença de tumor. Mas a maior parte das mulheres acabam descobrindo o câncer sozinhas, através do autoexame, que consiste em apalpar as mamas e as regiões próximas à procura de algum caroço.

No entanto, ele só serve quando o câncer já está mais avançado, enquanto a mamografia consegue detectar tumores menores em estágio inicial. Por isso, o autoexame não dispensa a mamografia. O exame realizado como método preventivo deve ser feito periodicamente entre as mulheres de 50 e 69 anos de idade.

Equipamentos de drenagem adquiridos com contribuição no pedágio da rede. Foto: Susana Lima/DAV

Programação do Outubro Rosa

A primeira ação da campanha Outubro Rosa feita pela Rede Feminina foi a colocação de um banner na praça central de Rio do Sul. No próximo sábado (6), as voluntárias também farão uma panfletam na cidade. E outras atividades ainda irão acontecer ao longo do mês. Como um culto na Igreja Evangélica Luterana, no domingo (7), panfletagem durante a Feira do Livro entre os dias 9 e 11, e no dia 21 uma pedalada, caminhada e piquenique no Parque Harry Hobus, com diversos serviços sendo oferecidos no dia. a programação segue com missa na Catedral São João Batista no dia 27 e também um pedágio. O grupo ainda fará palestras em escolas e entidades e tem à disposição itens personalizados da campanha a venda.

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O Hospital Regional do Alto Vale (HRAV) também promove atividades para o Outubro Rosa. O primeiro evento será realizado na quinta-feira (4), com duas palestras gratuitas e aberta ao público no auditório, a partir das 13h30. Na primeira, o médico Ricardo Muller vai abordar o tema “Câncer de Mama – todos os aspectos da doença”, e para concluir a série, Roselaine Jurk Waldrich vai falar sobre “Depoimentos – antes e depois do câncer”.

Durante os três dias, (8, 9 e 11), também vão ocorrer “Oficinas de Beleza” para os pacientes do setor Oncológico do Hospital Regional. As ações serão desenvolvidas graças aos apoios do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e da Design Curso Profissionalizante.

Susana Lima