Por: diario | 16/03/2019

Desde o começo dessa semana, radares de fiscalização de velocidade ao longo da BR-470 começaram a ser retirados. Aqui no Alto Vale, a remoção dos equipamentos iniciou nesta sexta-feira (15) e segue pelos próximos dias. O motivo, é o vencimento do contrato com a empresa que fornecia os aparelhos e não foi renovado.

De acordo com o chefe de serviço do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) de Rio do Sul, Cristhiano Zulianello, todos os radares da BR-470 que estão no Alto Vale serão retirados. “Os radares já começaram a ser retiradas na região no dia de ontem (15). Durante a manhã eles estavam retirando a do acesso de Lontras e estavam subindo para retirar as outras, mas não tem como prever quanto tempo vai levar para retirar todas, já que o processo não é tão rápido”.

A remoção, no entanto divide opiniões. O morador de Rio do Sul, Fabio Alexandre Petermann, que trabalha em uma empresa próxima à rodovia, acredita que os radares ajudam a reduzir acidentes, mas afirma que mudanças na velocidade iriam melhorar o fluxo. “Eu acredito que teria que deixar os radares, mas talvez aumentar a velocidade em alguns pontos, por exemplo de 50km/h para 60 km/h, porque mesmo quando é de 50 km/h tem pessoas que passam muito abaixo da velocidade e isso causa uma lentidão no trânsito. Mas acredito que deve permanecer, porque o pessoal mesmo assim não respeita, se tirar vão extrapolar na velocidade.”

O motorista de carreta Eduardo Marquardt, que trafega pela BR-470 diariamente,também é contra a retirada dos equipamentos. “Em vários lugares as lombadas são necessárias para inibir a velocidade principalmente em pontos que cortam os municípios”, afirmou.

O professor, Eduardo Brandl, que mora em Trombudo Central mas que utiliza a rodovia praticamente todos os dias para ir até Ibirama, disse que está bastante preocupado com a decisão. “Quem mora próximo à rodovia ou quem transita na BR, sabe que elas foram instaladas em sua maioria em pontos estratégicos. Em Trombudo Central, por exemplo, ali no trevo, é um local onde nós tínhamos sempre acidentes com muita gravidade, casos de óbito e depois da instalação das lombadas eletrônicas, até aconteceram outros acidentes, mas com menos gravidade. Eu sou contra a retirada das lombadas, pois eu entendo que infelizmente, o cidadão é muito ignorante e as pessoas são muito mal educadas no trânsito e se não tiver uma forma de coibir isso como no caso das lombadas, para doer um pouco no bolso, as pessoas não aprendem. Algumas pessoas afirmam serem a favor da retirada das lombadas, porque é uma maneira de o Governo arrecadar mais dinheiro com multas, mas eu discordo porque a lombada é fixa, diferente de um radar móvel, então se você passa todos os dias naquele trecho você já sabe que terá a fiscalização”.

Ele finaliza dizendo que teme que a partir de agora, o número de acidentes graves volte a aumentar. “Temo que a gente comece a ter infelizmente, algumas estatísticas revelando que o número dos acidentes aumente, ou pior, que a gravidade deles seja maior do que atualmente”.

O agente penitenciário, Jaison Caetano, disse que em alguns pontos a retirada deveria ser revista. “Havia excesso de radares, agora há excesso de velocidade. Acredito que em alguns pontos tem que ser revisto imediatamente, principalmente próximo aos colégios onde deveriam permanecer os radares”.

Já para Ário Junior Richter, que mora em Taió, mas faz trabalhos no Litoral, a retirada das lombadas vai trazer benefícios no fluxo do trânsito e também na redução de colisões. “Com a retirada das lombadas, terá um escoamento maior no trânsito, porque os radares travavam demais. Eu acredito que as lombadas eletrônicas não ajudam na redução de acidentes, mas sim eu já sei de um número maior de acidentes que acontece com a lombada. Se você pega um fluxo muito grande por exemplo em Blumenau, se a lombada for a 50km/h você pega o primeiro carro vai passar a 45 km/h, o outro 43km/h, e assim por diante, e lá pelo décimo carro vai parar a BR, e o carro que estiver vindo mais rápido vai colidir atrás do último”.

Sobre o vencimento do contrato

Os equipamentos estão sendo removidos por período indeterminado, pois o contrato com a empresa que fornecia os aparelhos venceu em janeiro deste ano. O Ministério da Infraestrutura afirmou que os radares devem passar por uma modernização e redistribuição, tendo em vista os locais onde acontecem acidentes com maior frequência devido à imprudência dos condutores ou por problemas estruturais na via.

Em nota no mês de fevereiro, o DNIT de Brasília divulgou que os contratos foram encerrados em janeiro e muitas empresas não desligaram os radares porque ainda tinham uma expectativa de conseguir um contato emergencial e se manterem fornecendo serviços, como vinha acontecendo anteriormente, porém a nova gestão optou por não fazer os contratos emergenciais e deu segmento à licitação.

Elisiane Maciel