Por: diario | 02/08/2016

Helena Marquardt

Mesmo sem previsão de receber melhorias ou novos investimentos o Aeroporto Helmuth Baumgarten, em Lontras, continua sendo fundamental para salvar vidas já que é através dele que muitos órgãos que são captados ou enviados para o Alto Vale chegam ou saen da região. Prova disso foi que na sexta-feira um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) vindo do Rio de Janeiro pousou no local para recolher os órgãos de um menino de 12 anos que faleceu no Hospital Regional de Rio do Sul após uma queda de um cavalo.

Ele teve o coração, fígado, rins e córneas doados para pelo menos quatro pessoas. O coração, por exemplo, foi enviado para São Paulo. Esta é a primeira vez que um jato da FAB pousa em Lontras para realizar um serviço como esse desde de o decreto do presidente interino Michel Temer, em junho, que determinou o uso de aviões da Aeronáutica para atuar no transporte de órgãos e tecidos para transplantes.

Segundo o empresário Germano Emílio Purnhagen, que é presidente do Aeroclube de Planadores de Rio do Sul, responsável pela manutenção do aeroporto, caso não houvesse um local apropriado para o pouso os órgãos teriam que ser captados com um helicóptero o que traria custos muitos maiores.

Na opinião dele, só o auxílio médico para o qual o aeroporto tem sido fundamental já seria motivo suficiente para sua manutenção e até ampliação da estrutura. “Hoje só para termos uma ideia, Blumenau gasta mais de R$ 75 mil por mês para fazer a manutenção de seu aeroporto e nós aqui gastamos R$ 23 mil em média. É uma questão de sobrevivência das pessoas”, comentou.

Ele conta que em relação a infraestrutura para receber mais voos seria necessária uma ampliação da pista e instalação de iluminação, mas que não há nenhuma previsão para que esses dois projetos saiam do papel. “Temos uma pista de 1.100 metros e o ideal seria 1.600 metros. Para isso teríamos que desapropriar dois terrenos na parte de baixo, o lado Leste. Também precisaríamos alargar de 32 para 42 metros e isso tudo é um grande investimento. Como está o país e os Estado não tem muito o que conversar ou esperar”.

Germano ressalta que a questão territorial, já que o aeroporto fica em Lontras, mas pertence a Rio do Sul, tem causado alguns transtornos. Ele conta que recentemente o aeroporto, do qual ele cuida desde 1978, ficou fechado após uma denúncia anônima a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). “Porque levamos um tempo para conseguir cortar alguns eucaliptos, discutindo até no juizado de pequenas causas”, revelou.

O coordenador da Comissão de Transplantes do Hospital Regional, o médico Marcelo Gambetta, também confirma que toda forma de transporte rápida é fundamental para os transplantes. “É uma questão de tempo. Quando é dentro de Santa Catarina os serviços de helicóptero dão a cobertura em tempo ideal, mas quando falamos em distâncias maiores como Porto Alegre, Curitiba ou São Paulo muitas vezes o helicóptero não consegue fazer no tempo necessário para o transplante com segurança”, falou.

Ele ressalta que o fígado e o coração precisam ser retirados do doador e transplantados em outra pessoa em no máximo seis horas. “Então quanto mais rápido for o transporte melhor o resultado. No caso terrestre, a limitação de distância é muito grande. Para as doações feitas aqui normalmente vão para o Hospital Santa Isabel, em Blumenau. Se pensarmos em mandar para um local mais longe fazer de forma terrestre já fica inviável. Muitas vezes o avião é única alternativa para que se consiga consolidar o processo de doação e ter uma pista próxima é muito interessante. A maioria das doações ficam internamente em Santa Catarina, mas não há dúvida que esses uso de aeronaves é importante”.

Questões econômicas

O empresário comentou ainda que o aeroporto de Lontras é um dos mais bem cuidados do estado e influencia até mesmo na economia da região, citando que quando a Pamplona Alimentos fechou contrato com os japoneses para exportação de carne suína, um dos pré-requisitos é de que a cidade contasse com aeroporto próximo. “Eles falaram que se não tivesse aeroporto nem iriam começar as negociações”, comentou.