Por: diario | 15/01/2019

Os presidentes de PT, PSB e PSOL se reuniram na manhã desta segunda-feira (14), para discutir a criação de um bloco de oposição à movimentação do atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de tentar a reeleição. Até o momento, 12 partidos já declararam apoio à candidatura do deputado fluminense na eleição que definirá, em 1º de fevereiro, o presidente da Câmara pelos próximos dois anos.

Ao final do encontro das três legendas na manhã desta segunda, a presidente do PT, deputada eleita Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que não houve nenhuma decisão concreta, mas ficou acertado que os partidos manterão contato ao longo das próximas semanas.

O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, explicou que a alternativa em estudo é de as siglas de oposição se unirem ao bloco articulado por PP e MDB com outros partidos do chamado “Centrão”.

Inicialmente, integrantes da oposição sinalizaram que iriam embarcar na candidatura de Rodrigo Maia, que tenta conquistar o terceiro mandato para o comando da casa legislativa.

No entanto, as negociações entre os partidos de esquerda e Maia azedaram depois que o presidente da Câmara costurou um acordo com o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro. O PSL é dono da segunda maior bancada da futura legislatura, com 52 deputados, atrás apenas do PT, que terá 56 deputados a partir de fevereiro.

Em troca do apoio do partido de Bolsonaro, Maia prometeu ao PSL, caso ele consiga se reeleger, cargos na Mesa Diretora e no comando de comissões. Além da presidência da Câmara, estão em disputa duas vice-presidências e quatro secretarias. “Existe essa articulação para o ‘blocão’ de oposição a Maia, em que PT e PSOL também estarão, provavelmente. Conversamos um pouco sobre isso. E eu acho que o caminho é esse: haver um bloco de oposição.

Tem o bloco do governo, liderado pelo Maia, e nós termos o nosso bloco de oposição”, declarou o presidente do PSB.
O presidente do PSOL, Juliano Medeiros, disse que, embora seja favorável à formação de um bloco de oposição a Maia, a legenda não tem condições de apoiar nenhum dos candidatos que tentam se viabilizar dentro do “blocão”, como os deputados Fábio Ramalho (MDB-MG) e Arthur Lira (PP-AL).

Medeiros defendeu que a esquerda tenha um candidato próprio e sugeriu o nome do deputado eleito Marcelo Freixo (PSOL-RJ). “Apresentamos a proposta de unidade de todos os partidos de oposição a Maia, que virou candidato do Bolsonaro. A ideia foi vista com simpatia por PT e PSB, mas eles estão debatendo ainda o tema”, ressaltou Medeiros.

Bloco sem o PT

O avanço da articulação contra Maia dependerá do rumo das negociações entre PSB, PDT e PCdoB para construir um bloco de oposição que deixe o PT de fora. Desde o fim do ano passado, os três partidos costuravam um bloco oposicionista na Câmara sem a participação de petistas.

No entanto, PDT e PSB, após reunirem suas bancadas nos últimos dias, chegaram a indicativos opostos. Os pedetistas estão dispostos a apoiar Maia, enquanto integrantes da cúpula do PSB vêem essa alternativa como inviável em razão do apoio do PSL ao atual presidente da Câmara.

Já o PCdoB irá se reunir hoje (15) para definir sua posição, informou o líder comunista na Câmara, deputado Orlando Silva (SP). Somente depois deste encontro é que os líderes da sigla vão decidir com quais aliados irão seguir em 2019.

“Somos três [partidos]. Se tiver dois de um lado, qualquer que seja, fica majoritário. Mas temos que encontrar uma maneira de não nos dividirmos neste processo”, ponderou o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi.

Segundo ele, a bancada do PDT na Câmara avalia que, embora Maia tenha o PSL entre seus aliados, conseguirá manter independência em relação ao governo.

“É amplamente majoritário [na bancada] de que ele [Maia] tem condições de ser um presidente independente do governo, mesmo tendo apoio do PSL, porque já demonstrou na prática essa independência”, opinou Lupi. (G1)