Por: diario | 14/09/2018

O título da matéria resume a mensagem que o governador Eduardo Pinho Moreira transmitiu ontem a dirigentes e jornalistas de veículos da Associação de Diários do Interior (ADI-SC), da Associação de Jornais do Interior (Adjori-SC) e da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão (Acaert).

Por solicitação das entidades, ele apresentou dados sobre a situação financeira do Estado, deixando claro que se não houve uma reação da economia para um crescimento de pelo menos dois dígitos, o déficit, que conseguiu reduzir de R$ 2 bilhões para R$ 1,1 bilhão em 2018, voltará a crescer, sem muitas chances de reversão.

A receita arrecada entre março e agosto de 2017 foi de R$ 11,6 bilhões e de igual período de R$ 12,3 bilhões, portanto 5,88% de variação positiva. No entanto, muito aquém do necessário. Só a paralisação dos transportadores de cargas gerou perdas de receita da ordem de R$ 347 milhões entre os meses de maio e julho. E os reflexos ainda estão acontecendo.

O cálculo da Secretaria da Fazenda é que se a greve não tivesse ocorrido, o aumento poderia ter sido de pelo menos 9%. Além da queda da receita, preocupam também o déficit da previdência – Santa Catarina é o quarto com a pior relação de inativos sobre ativos – e o alto comprometimento da receita com os duodécimos repassados aos outros poderes. Hoje, a Udesc, o Ministério Público, a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Contas e o Tribunal de Justiça consomem quase 22% de tudo o que o Estado arrecada.

Isso coloca Santa Catarina como o estado do país que mais repassa valores aos outros poderes e, mesmo que haja sobra, o recurso não volta para o Executivo dar nova destinação, como Saúde, Educação, Segurança ou Infraestrutura.

O fato é que o Tesouro catarinense não tem recursos para investimentos e está pressionado por contas a pagar e por recursos carimbados na receita.

Arte: Divulgação/Governo do Estado

Voz Única, compromisso de todos

O presidente da Federação das Associações Empresariais (Facisc), Jonny Zulauf, fez ontem as duas primeiras apresentações regionais da Cartilha Voz Única, que reúne 702 demandas de empresários ligados às 146 Associações Empresariais do estado. O lançamento ocorreu ontem pela manhã na Grande Florianópolis e,à tarde, em Criciúma.

O roteiro de apresentações vai até o dia 27. Os candidatos estão sendo convidados a participar dos atos de lançamento e recebem um exemplar da cartilha. Entre as demandas, somados os índices de todas as regiões, Infraestrutura aparece em primeiro lugar (47,15%), seguida de Política e Gestão Pública (13,53%) e Tributária (9,99%).

A iniciativa tem o apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SC), da Associação Catarinense de Supermercados (Acats) e do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SC), cujo presidente, desembargador Ricardo Roesler, participou do encontro de Florianópolis. Para ele, trata-se de uma ação cívica, por ser um programa que visa beneficiar não só os empresários, mas toda a sociedade catarinense.

Apesar do tom grave que manteve durante quase toda a explanação que fez sobre as finanças do Estado, o governador Eduardo Moreira comemorou alguns resultados e seus reflexos. Disse que o maior controle dos benefícios fiscais – vários que venceram em maio, junho e julho não foram renovados – criou condições para, por exemplo, pagar mais 25% de adiantamento da gratificação natalina, o tão esperado 13º salário. E garantiu que vai entregar o Executivo estadual com as contas e os salários absolutamente em dia.

Mais investimentos

De acordo com o relatório apresentado pelo governador, no comparativo com janeiro a agosto de 2017, o Estado está investindo 15% a mais em Saúde, 6,23% a mais em Educação e 3,07% a mais em segurança.

Pego de surpresa

O secretário de Estado da Fazenda, Paulo Eli, que acompanhou o encontro juntamente com a diretora do Tesouro Estadual, Michele Patrícia Roncalio, ficou sabendo ali, na frente dos jornalistas, que será o responsável pela transição de governo.

“No dia 29 de outubro, definido quem será o próximo governador, já estaremos com as contas abertas para apresentar”, disse Moreira.

Por Andréa Leonora 
Coluna Pelo Estado