Por: diario | 23/05/2018

Caminhoneiros de Santa Catarina chegaram ao segundo dia de mobilização nesta terça-feira (22) contra o aumento no valor do diesel. Eles passaram a madrugada em pelo menos 17 pontos de rodovias federais e até a tarde, outros oito pontos também foram ocupados.

A categoria quer a redução do valor do óleo diesel, que tem tido altas consecutivas nas refinarias. Nesta terça, o preço sobe 0,97% nas refinarias. Mas a Petrobras já anunciou que reduzirá os preços da gasolina em 2,08% e os do diesel em 1,54% nas refinarias a partir desta quarta-feira (23), em meio a discussões dentro do governo sobre a alta dos preços dos combustíveis e protestos de caminhoneiros.

Somente em maio, já foram anunciadas 10 altas e cinco quedas no preço do litro do diesel. No caso da gasolina, foram 12 altas, duas quedas e uma estabilidade. Os reajustes ocorrem em meio à disparada no preço do petróleo no mercado internacional e na cotação do dólar em relação ao real.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis (ANP), o preço médio do diesel nas bombas já acumula alta de 8% no ano. O valor está acima da inflação acumulada no ano, de 0,92%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou nesta terça-feira (22), após reunião em Brasília com os ministros da Fazenda, Eduardo Guardia, e de Minas e Energia, Moreira Franco, que a política de reajustes dos preços de combustíveis da empresa não será alterada.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), não são registrados bloqueios totais no trânsito. Os atos ocorrem na Serra Catarinense, Oeste, Litoral, Vale de Itajaí, Grande Florianópolis, Norte e Sul. Os grupos estão concentrados em pátios dos postos de combustíveis e nos acostamentos das rodovias. Os veículos de transporte de cargas estão sendo parados pelos participantes.

No Alto Vale, agricultores de Petrolândia se uniram desde a segunda-feira (21), fazendo parte da mobilização à favor dos caminhoneiros e contra a alta diária no valor dos combustíveis. A ideia é permanecer no local enquanto durar a greve nacional. Carros pequenos e caminhões não têm acesso ao município, apenas carros de saúde e ônibus. O mesmo aconteceu nas cidades de Otacílio Costa e Lages, que são próximas à região.

Além de Santa Catarina, foram registrados atos em pelo menos 20 estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo, Sergipe, e Tocantins.

Há bloqueios totais e parciais. Em alguns pontos, os caminhoneiros estão parados nos acostamentos. Em outros, eles queimam pneus para evitar a passagem de veículos por um período e, depois, a via é liberada.

O que diz a ABCAM

A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM) protocolou na última segunda-feira (14), ofício para cobrar medidas do governo Federal em função do aumento das refinarias e dos impostos que recaem sobre o óleo diesel.

“As recentes paralisações feitas em diversas rodovias do país refletem o desespero e a insatisfação da categoria, que não têm seus pleitos ouvidos pela Governo. Além da correção quase que diária dos preços dos combustíveis realizado pela Petrobrás, que dificulta a previsão dos custos por parte do transportador, os tributos PIS e Cofins, majorados em meados de 2017 com o argumento de serem necessários para compensar as dificuldades fiscais do Governo, são o grande empecilho para manter o valor do frete em níveis satisfatórios”, divulgou a ABCAM.

A Associação defende ainda que a redução dos tributos poderia impactar em queda nos custos da produção agropecuária, no preço do frete dos alimentos e nas tarifas do transporte em geral, o que beneficiaria a população.

No documento protocolado na Presidência da República e na Casa Civil, a ABCAM sugeriu a “criação de um Fundo de Amparo ao Transportador Autônomo, destinado ao custeio de um programa para aquisição de óleo diesel, ou um sistema de subsidio para aquisição de óleo diesel por parte dos transportadores autônomos”.

Protesto surte efeito no país

Três voos que vinham para o Aeroporto de Brasília na tarde desta terça-feira (22) foram cancelados devido aos protestos dos caminhoneiros – segundo a Inframerica, administradora do espaço, o combustível está contingenciado por causa dos protestos. Até as 15h30, as aeronaves afetadas viriam para Brasília dos aeroportos de Confins (Belo Horizonte), Congonhas (São Paulo) e Santos Dumont (Rio de Janeiro). Elas ficaram nas cidades de origem devido à incerteza de abastecimento na capital, o que impediria a volta da tripulação.

Elisiane Maciel

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