Por: diario | 25/08/2015

Helena Marquardt

Conhecida como a Terra do Queijo, a cidade de Laurentino poderá deixar de ostentar esse título em um futuro próximo. É que um estudo realizado pela Secretaria de Agricultura apontou que a produção de queijo caiu aproximadamente 50% nos últimos 10 anos. O alto custo do leite e a baixa lucratividade estão entre os motivos que atraíram investimentos para outros setores e fizeram com que o produto perdesse destaque.

Em outros tempos a produção de queijo na cidade representava cerca de 40% do movimento econômico do município, mas hoje o setor representa apenas 20% e perdeu espaço principalmente para os setores de horti-fruti com 30% e venda de plantas ornamentais, também com 30%.

De acordo com o secretário de Agricultura, Vilson Tambosi, hoje há na cidade quatro laticínios que produzem diversos tipos de queijos e a produção de todos soma aproximadamente 100 toneladas por mês, mas esse número é considerado baixo se comparado com anos anteriores. Ele acredita que o alto custo para a produção do leite e até a falta de incentivo do Governo Federal fizeram com que muitas pessoas acabassem migrando para outras áreas. “Hoje essa produção é vendida basicamente em Santa Catarina, Paraná e São Paulo”, disse.
Apesar da baixa na produção o secretário acredita que o queijo ainda é uma boa alternativa de renda. “Porque aqui no município temos muitos produtores de leite. Ainda é um setor atraente só que permaneceram as fábricas mais estruturadas”, disse.

Tambosi diz que a saída para que a produção volte a crescer é incentivo aos produtores de leite. “Precisaria haver mais incentivos ao agricultor como financiamento com juros mais baratos para a compra de gado de leite. Hoje também os padrões são bem mais rígidos. Não é qualquer lugar que pode fazer e por isso a gente não tem mais pequenos produtores. A própria vigilância sanitária fiscaliza bastante com mais rigor”,completou.

Empresário explica motivos

O empresário Claudio Oliveira, proprietário de um laticínio diz que na empresa, que vai completar 50 anos, o queijo começou a ser fabricado como alternativa de evitar o desperdício. Ele lembra que o foco da produção sempre foi o doce de leite, mas como a produção de leite variava de um dia para o outro e geralmente sobravam alguns litros o queijo começou a ser produzido em 1998.

“Nunca fomos fortes em queijo porque não era esse o nosso intuito. Só que para fazer o doce de leite a gente comprava uma certa quantidade de leite, e acabava sobrando um pouco todos os dias, e começamos a fazer queijo que para nós é um regulador. A gente produz de 10 a 12 toneladas de doce de leite por dia, que representa 30% do nosso faturamento. Já o queijo representa 5%. Não houve evolução, porque o mercado do queijo não é tão bom quanto o de doce de leite”, explica.

Festa terá foco regional

Realizada geralmente a cada dois anos, a Festa do Queijo, que não aconteceu nos últimos anos deve passar por uma reformulação e ganhar um foco regional ao invés de estadual, mas ainda não tem data para voltar a acontecer. O prefeito conta que depois da enchente de 2011, o Parque do Queijo, local onde o evento era realizado foi afetado e a comemoração que surgiu em 1991 teve que ser adiada.

“O parque ficou numa situação precária e tivemos que demolir. Agora fizemos lá uma quadra coberta que vai servir também para a festa e nosso maior problema por enquanto é a construção de uma cozinha para poder fazer toda essa parte de alimentação. A intenção é voltar, mas com um foco mais regional. Por enquanto estamos fazendo a Festa do Agricultor e Motorista quase nos mesmos moldes que a Festa Estadual do Queijo, que tem um custo muito alto”, contou.