Por: diario | 2 meses atrás

Na manhã de ontem, a Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal, realizou as Operações Oceano Branco e Contentor, com o objetivo de investigar grupos criminosos voltados ao tráfico internacional de cocaína por portos marítimos catarinenses.

Cerca de 450 policiais federais e 25 servidores da Receita cumpriram, simultaneamente, 104 mandados de busca e apreensão, 45 mandados de prisão preventiva, 15 de prisão temporária, 12 conduções coercitivas e diversos sequestros de bens móveis e imóveis, além do bloqueio de contas bancárias, nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Pernambuco, Paraíba e Rio de Janeiro.

As investigações demonstraram que as quadrilhas atuavam de forma similar, inserindo clandestinamente cargas de entorpecente em contêineres com mercadorias lícitas a serem exportadas, via de regra, para países europeus. Nas duas operações houve apreensões de droga no país e no exterior, em procedimentos de cooperação policial internacional.

Início das operações

A Operação Contentor, iniciada no final de 2016 na Delegacia de Polícia Federal em Joinville (SC), levou a cinco grandes apreensões de drogas, inclusive no exterior (Bélgica), totalizando cerca de 2 toneladas de cocaína. No curso da investigação, apurou-se que o entorpecente era adquirido em região de fronteira, notadamente com a Bolívia, e entrava no Brasil em pequenos aviões que pousavam no aeroclube de São Francisco do Sul (SC). De lá, era levado para chácaras onde era acondicionado em grandes bolsas para posterior inserção em contêineres que sairiam pelo Porto de Itapoá.

As ordens judiciais da Operação Contentor foram cumpridas nos municípios de Joinville (SC), São Francisco do Sul (SC), Itapoá (SC), Garuva (SC), Santos (SP), São Paulo (SP), Recife (PE), João Pessoa (PB) e Rio de Janeiro (RJ).

Já a Operação Oceano Branco, iniciada em março de 2016 na Delegacia de Polícia Federal em Itajaí (SC), apreendeu 6 toneladas de cocaína em 12 diferentes ações, 6 no Brasil e 6 no exterior (Bélgica, França e Espanha). A investigação apurou que três grupos criminosos vinham embarcando volumosas quantidades da droga através de contêineres que partiam do Complexo Portuário Itajaí-Navegantes, escondida em cargas de mercadorias como bobinas de aço, abacaxi em latas e blocos de granito.

Além das apreensões referidas, foi possível vincular a atuação dos investigados a outros carregamentos interceptados por autoridades policiais na Itália, Dinamarca, Espanha, Arábia Saudita e Turquia, totalizando outras 2,5 toneladas da droga. As ordens judiciais da Operação Oceano Branco foram cumpridas nos municípios de Itajaí (SC), Balneário Camboriú (SC), Navegantes (SC), Itapema (SC), Penha (SC), Tijucas (SC), Florianópolis (SC), São Francisco do Sul (SC), Joinville (SC) e Imbé (RS).

Nos inquéritos policiais instaurados, os investigados poderão ser indiciados pelos crimes de tráfico e associação ao tráfico internacional de entorpecentes, bem como falsificação de documentos e uso de documentos falsos. As penas para cada evento de tráfico internacional podem chegar a 25 anos de prisão, além de 10 anos de reclusão por associação.