Por: diario | 28/07/2016

Sindréia Nunes

Cuidados com a beleza sempre estiveram na lista de prioridades da maioria das mulheres. Se cuidar para sentir-se bem ou agradar outra pessoa faz parte da rotina do universo feminino e está cada vez mais presente no dia a dia. Uma pesquisa recente revelou que as mulheres gastam em média 54% do salário com o visual e os motivos para esse investimento são variados.

A pesquisa foi realizada pelo site de relacionamento Meu Patrocínio e aplicada a 2.591 pessoas inscritas na página. O estudo revelou que as mulheres gastam em média 54% do salário em cuidados com a beleza que variam desde a compra de roupas a gastos com estética corporal e facial. Já entre os homens pesquisados o valor investido não chega a somar 1% do pagamento mensal. Porém, aqui no Alto Vale, o quadro se mostrou um pouco diferente do que o apresentado na pesquisa, revelando que o público masculino também tem aumentado a preocupação com a aparência.

A advogada Morgana Bertoldi diz que seus investimentos mensais com a beleza não chega ao índice de 54% do salário, como aponta a pesquisa. Ela conta que gasta em média 20% da sua renda por mês com gastos de salão de beleza a compra de roupas. Para Morgana o valor destinado não é somente uma questão de vaidade, mas também uma forma de ganhar credibilidade no meio profissional.

O principal item em que Morgana investe é na parte de vestuário, ela revela que compra roupas praticamente todos os meses. “Outra coisa que eu faço geralmente a cada dois meses é o cabelo, cortar ou manutenção de pintura. No verão eu chego a cortar todo mês”.

Para o inverno ela diz que comprou um pacote de massagens. Além disso, procura fazer a unha e sobrancelha semanalmente. “A minha mãe é manicure, então nisso eu não tenho gastos. Mas se fosse um serviço que eu tivesse que pagar provavelmente eu teria um gasto porque realmente eu faço a unha toda semana”, explica Morgana.

Como advogada, ela afirma que na área do Direito a aparência é um quesito bastante observado. Principalmente para as mulheres jovens que entram no ramo e que precisam deixar o ar jovial de lado para conseguir transmitir seriedade e competência. “Se a pessoa vai consultar um homem em 90% dos casos ele vai se deparar com ele de terno e gravata. Já nós, mulheres, não temos essa praticidade, mas nós temos que estar vestidas de uma forma mais social porque transmite uma confiança maior para o cliente”, finaliza.

Já a secretária Jéssica Saraiva dos Santos, afirma gasta mais de 75% do pagamento em investimentos com a estética, desde roupas a cremes para o cabelo. Jéssica lembra que se cuidar é algo que vai além da aparência física.

“Eu tenho para mim que a gente trabalha e ao mesmo tempo a gente tem que andar bem, com a autoestima em alta e acho que é um dinheiro bem investido. Não tem que ser um absurdo, mas acho que temos que fazer isso por nós mesmas”, frisa Jéssica.

A secretária diz que mesmo que passe do índice de gastos apontado na pesquisa, procura buscar opções de roupas baratas por acreditar que estar bem vestida não significa ter que usar uma peça de marca. “Acho que temos que procurar o mais barato”, comenta.

Jéssica se considera uma mulher gordinha e percebe que o mercado hoje está investindo também na moda Plus Size. Ela inclusive é modelo de uma loja que investe em roupas de tamanhos maiores. “Eu sou a modelo da loja pelo fato de eu mostrar para as pessoas que o mesmo estilo de roupa que tem para magros tem para as mulheres cheinhas também. O essencial de tudo, ainda mais para as mulheres gordinhas, é se cuidar. O grande erro da sociedade é ter esse grau de beleza que tem que ser o tamanho 38 e não tem que ser o tamanho 38, tem que ser o tamanho que você está se sentindo bem”, ressalta a secretária.

A diretora de um centro de estética de Rio do Sul, Marcia Barbosa Fronza, afirma que entre os tratamentos de beleza mais procurados em sua clínica estão redução de medidas, tratamentos faciais e rejuvenescimento. “Em primeiro lugar é o rejuvenescimento, segundo iluminação de manchas e terceiro o tratamento de acnes”, elenca.
A autoestima está diretamente ligada com a aparência física principalmente para as mulheres e o desenvolvimento de novas tecnologias permite que a população tenha mais tempo para cuidados com a beleza. “Antes as pessoas se esgotavam, elas tinham um trabalho exaustivo. Hoje a tecnologia nos ajuda, então existe mais tem tempo para se cuidar”, fala a diretora.

Marcia explica que o aumento da expectativa de vida do brasileiro é um dos fatores que contribui para a grande procura das mulheres por tratamentos estéticos. “Em função dessa longevidade, como as pessoas estão vivendo mais, elas vão ficar mais tempo velhas, então existe essa nova necessidade da pessoa se cuidar por mais tempo”.
De acordo com a diretora, nos últimos cinco anos o mercado da estética cresceu 567% no Brasil e movimenta R$ 38 bilhões anualmente. Ela destaca que o principal fator para a alta é o aumento da expectativa de vida do brasileiro que em 2014 chegou a 75,2 anos. Santa Cataina apresenta o maior número de longevidade que alcança 78,4 anos de acordo com dados do IBGE.

A proprietária de um salão de beleza, Caroline de Oliveira Brot, diz que os serviços mais procurados em seu estabelecimento são micropigmentação e design de sobrancelha, coloração de cabelos e consultorias de visagismo. “Quando a pessoa se vê e se sente bem, que ela está gostando do cabelo, do rosto, da maquiagem, do que está usando, da roupa que está vestindo, tudo fica muito mais fácil de enfrentar. O trabalho, dificuldades, família, tudo fica mais leve porque ela está se sentindo bem”, comenta ela destacando como a aparência física influencia no emocional das pessoas.

Caroline diz que principalmente o visagismo tem tido um grande aumento na procura. A técnica consiste num trabalho de harmonização dos traços do rosto, corte de cabelo e maquiagem de forma que a personalidade da pessoa fique evidenciada.

O humor também é diretamente influenciado pela aparência. Caroline relata que é evidente a mudança no astral de suas clientes quando chegam e saem do salão de beleza. “A pessoa chega assim mais para baixo, sem saber muito o que quer, mas quando sai é impressionante como a postura muda, o sorriso, é uma outra forma de ela se colocar”, ressalta.

O cabelereiro, Amarildo Cenzi, afirma ainda que as pessoas estão cada vez mais buscando melhorar a aparência. “No mundo de hoje você vende a sua imagem. A primeira impressão é a que fica então as pessoas estão muito antenadas nisso e querem investir”.

Homens

Amarildo diz que, diferente dos índices apontados na pesquisa que releva que os homens gastam em média somente 1% do salário com investimentos na aparência, aqui na região o público masculino tem procurado cada vez mais cuidados com a beleza. “É um investimento pessoal também para homens. Hoje você começa a vender a sua presença e nisso o homem está muito atento”, afirma lembrando que a preocupação também se estende à saúde do corpo.

A diretora do centro de estética lembra também que atualmente gestores de empresas, por exemplo, precisam além de saber administrar estar com uma aparência condizendo com o contexto. “Hoje nós temos uma busca do público masculino em função dessa vaidade, estética, autoestima e a cobrança das pessoas estarem bem e com uma boa aparência”.

Caroline também concorda que a procura por cuidados com a beleza partindo dos homens tem aumentado. “Eu vejo que o homem tem tido uma preocupação estética muito maior para se tornar competitivo no mercado, porque as mulheres investem muito e também tem cobrado isso do homem, que esteja alinhado com o que ela está oferecendo”, conclui.

“A apresentação da pessoa, além do sorriso, a beleza da pessoa é o cartão de visita. Ela não precisa ser bonita, mas tem que demostrar que está bem cuidada”, afirma o jovem Guilherme Bittencourt de 23 anos, que diferente dos homens que participaram da pesquisa, gasta cerca de 40% dos rendimentos mensais em cuidados com a aparência.

Ele diz que toma alguns cuidados com o corpo e rosto, mas não enxerga isso de forma exagerada. Guilherme conta que geralmente diz que estão presentes em seu dia a dia precauções com cabelo, barba e pele. “A sobrancelha também faço discretamente. Faço a barba a cada 15 dias junto com o cabelo. Já fiz as mãos também, então são cuidados que eu considero básicos”.

O preconceito de que cuidar da aparência é coisa de mulher ainda existe, porém Guilherme acredita que o quadro vem mudando com o passar dos anos. “A gente vê hoje, por exemplo, barbearias que não cortam cabelo apenas, fazem a barba, então isso é um tipo de cuidado que antes os homens não tinham. Acho que com o passar do tempo esse tabu vai se quebrando e vai se tornar algo normal”, comenta. Ele conta que nunca sofreu algum tipo de constrangimento, apenas brincadeiras vindas de amigos, mas que considera normal.

Controle financeiro

O economista Marcos Cardoso, afirma que é importante que as pessoas tenham um controle sobre todos os gastos mensais que possuem e ter como meta financeira gastar menos do que ganham. “No caso da mulher especificamente ela sofre pressão na questão da estética que a obriga a estar sempre bonita e muitas vezes ela acaba se excedendo nos gastos. Não necessariamente ela precisa comprometer a estrutura financeira para seguir um padrão de beleza”.

Ele afirma que hoje 60 milhões de brasileiros estão inadimplentes por não terem um controle sobre os gastos. Para que isso não aconteça o economista ressalta que é importante fazer uma relação de todas as receitas e despesas mensais.

Para se organizar a dica é dividir as despesas entre priorizar gastos necessários como alimentação e transporte. “Pelo menos 10% do que se ganha deve ser guardado para alguma contingência imprevista. Outros 10% deve ser poupado para uma previdência no futuro, para ter um dinheirinho a mais no final da vida. E outros 10% é para lazer. Separados esses três e os gastos que não tem como fugir, o que sobrar é aquilo que realmente ela pode gastar com essas questões de beleza”, orienta Cardoso.