Por: diario | 13/02/2018

O andamento da construção do Projeto Padaria Escola está a todo vapor no Centro de Atendimento Socioeducativo Provisório (Casep), de Rio do Sul. Depois de um ano de luta para conseguir desburocratizar o sistema, as obras tiveram início no dia 2 de janeiro de 2018.

“A gente está com o pessoal da empreiteira trabalhando e estamos acompanhando a obra de perto para ver a qualidade do serviço. Os adolescentes sempre que possível estão ajudando nos trabalhos também”, disse o Coordenador Geral do Casep, Patrick Münzfeld.

De acordo com ele, a previsão para que fique pronto é a partir do dia 15 de março, “a gente acredita que já vai estar pronto. Então é um projeto bem bacana, bem legal e está dando tudo certo”, disse.

A obra está sendo construída através de uma parceria com o Poder Judiciário de Rio do Sul, que repassou à instituição quase R$ 43 mil para a construção. O valor total da obra será de aproximadamente R$ 63 mil. A estrutura terá 50 m². “Cabe ressaltar que o principal órgão que financiou esse projeto, foi o Poder Judiciário aqui da nossa cidade, pela a Vara Cível Criminal, através do Juiz Dr. Geomir Roland Paul, que é o juiz que nos concedeu o valor pra essa construção”, explicou.

Os adolescentes terão curso na área de doces, pães, pizzaria e massas. A instrutora será uma colaboradora da Instituição, que foi instruída e capacitada com cursos profissionalizantes em Nutrição. “Vamos fazer esse curso ali dentro da própria unidade, em parceria com as instituições do município, por causa da certificação e vai ser ministrado por uma funcionária do nosso Centro”, relatou.

O principal objetivo é ajudar na profissionalização dos adolescentes internados e contribuir com a ressocialização e oportunidade de inclusão no mercado de trabalho. “Hoje vemos a necessidade de profissionalizar esses adolescentes que podem ficar até três anos aqui, a nossa intenção é que quando saiam, tenham uma oportunidade de ser inseridos no mercado de trabalho”, comentou.

De acordo com ele, antes havia dificuldade para transportar os internos para fazerem cursos fora da unidade, por falta de vaga, de viaturas ou falta de acesso às escolas. Então foi articulada essa maneira de criar mais oportunidades. “Vai ser de grande benefício para os adolescentes essa profissionalização, visto que hoje é distante o nosso Casep do Centro, para os alunos fazerem os cursos. Criamos a Padaria Escola justamente para dar essa oportunidade de ressocialização profissional desse adolescente”, explanou.

Inicialmente a matéria prima utilizada na padaria será comprada, depois a intenção é conseguir doações junto à comunidade. Os pães serão utilizados no consumo da instituição e também comercializados com uma margem de lucro mínima, para continuar investindo no projeto.

“Isso vai ser muito bom para nós. Vai trazer pra gente um diploma de curso, e lá fora isso vai fazer a diferença para fazermos coisa melhor”, relata o jovem interno J.A.C.

Outros projetos

Patrick conta que quando o jovem chega à unidade, ele tem todo o atendimento social, psicológico e pedagógico. “O fazemos cumprir o direito dele que é estudar, a gente acredita na ressocialização através da educação. A grande maioria cresceu em famílias desestruturadas, por isso precisamos trabalhar com eles para que saiam daqui melhores”.

Existem ainda além do Padaria na Escola, outros projetos, como Anjos da Leitura, Mini Fazenda, Oficina de Desenho, Oficinas de Cartas, Poesia e Artesanato, Educação Física, Projeto Intersetorial, Projeto Literatura e Projeto ambiental. “Já temos outros projetos também pra fazer a seguir, porque a nossa intenção é fazer a ressocialização através da educação e nunca deixar tempo ocioso pros adolescentes dentro do próprio Casep”, contou Patrick.

Segundo ele, toda parte de higienização dentro da unidade e serviços gerais são feitos pelo adolescente. “Isso ajuda a ter disciplina e regras. Ele precisa aprender a respeitar estas regras aqui para quando deixar a unidade, entender como funcionam as regras lá fora. Mas precisamos que se sintam acolhidos e o resultado é que já estamos há cinco anos sem fugas, sem rebelião e sem mortes”, conclui.

Elisiane Maciel