Por: diario | 03/08/2016

Clovis Eduardo Cuco

Arthur Hoffmann

Nas disputas dos Jogos Olímpicos do Brasil há praticamente uma certeza: a equipe de vôlei feminino irá conquistar mais uma medalha. Ainda não se sabe em qual lugar do pódio as brasileiras estarão no dia 20 de agosto, quando ocorrem as finais da competição, o que se sabe apenas é que as comandadas do técnico José Roberto Guimarães são amplas favoritas para vencerem as disputas. Vários aspectos compravam isso, como o domínio brasileiro nas duas últimas olimpíadas em Pequim (2008) e Londres (2012) onde o Brasil ficou com o ouro. Recentemente, em julho, em preparação para os Jogos, o Brasil comprovou seu favoritismo ao vencer pela 11ª vez o Grand Prix sobre os Estados Unidos, outra seleção favorita nas disputas. Outro fator é o elenco brasileiro, que alia experiência, técnica e versatilidade ao técnico José Roberto Guimarães.

O clima da competição e os poucos dias que antecedem o início das disputas tem deixado ansiosas também as atletas que, mesmo de fora dos jogos, tem grande interesse pessoal e profissional pela competição. Atletas como as jogadoras do time de vôlei de Rio do Sul conhecem muito bem as habilidades das atuais defensoras da Seleção Brasileira de vôlei de quadra. E a expectativa do terceiro ouro consecutivo é enorme.

A levantadora Carol, recém-chegada ao time de Rio do Sul, valoriza o posto de favorita. Ela acredita que jogar em casa é um ponto a favor da seleção e ter o apoio da torcida vai ser essencial para impulsionar as meninas. “Um dos pontos fortes dessa Seleção é o entrosamento e o tempo que elas jogam juntas. A maioria já vai para sua segunda ou até terceira olimpíada, o técnico José Roberto Guimarães, tem a confiança delas, elas já se conhecem muito bem dentro e fora de quadra, o que pode fazer a diferença nos momentos decisivos”.

Ex-jogadora do Sesi (SP), Carol vê na central Fabiana, sua amiga e atual capitã da Seleção, uma questão fundamental na presença da ex-colega de time. “Ela é fundamental para nossa seleção, tanto na parte técnica quanto na liderança do grupo. Uma das mais experientes, ela é a líder do grupo e tem a confiança de todas ali dentro. Estarei torcendo pela nossa seleção e acredito que vamos chegar a mais um ouro olímpico”.

Já a central Dani Suco, experiente central que defenderá Rio do Sul pela primeira vez, acredita que a Seleção chega muito preparada, entrosada e motivada por conta do recente título do Grand Prix. “Elas ganharam ritmo de jogo, e preparação. São as grandes favoritas, mas outras equipes também estão na briga pelo ouro, como Estados Unidos e Rússia”. Dani vê o sistema defensivo como o ponto mais forte no momento, a relação de bloqueio e defesa. Mas ela admite que uma dificuldade que a Seleção possa ter é a pressão psicológica de jogar a Olimpíada no Brasil. E por isso, a concentração terá que ser ainda maior.

Fabíola volta aos jogos

Com os cortes de Roberta, Tandara e Camila Brait, o técnico brasileiro fechou o grupo para as Olímpiadas e confirmou a experiente levantadora Fabíola no grupo brasileiro. A permanência da jogadora na equipe era uma incógnita já que a jogadora estava grávida. A levantadora teve a primeira oportunidade de jogar uma partida com a seleção feminina de vôlei depois do nascimento de Annah Vitória, sua segunda filha, na última semana, no último teste da equipe feminina em jogo disputado contra a Sérvia, em Saquarema.

Fabiola esteve em quadra como titular nos dois últimos sets. No quarto, a Sérvia venceu por 26-24 e no quinto, o Brasil ganhou por 15-13. Como a partida não era oficial, o jogo teve cinco sets mesmo sem o tie-break. O Brasil venceu o duelo por 4 a 1. De acordo com as estatísticas da Sérvia, a ponteira Fernanda Garay foi a maior pontuadora da partida com 22 pontos. As 12 atletas que foram convocadas para os Jogos Olímpicos estiveram em quadra durante a vitória.

“É impossível vencer”

Ninguém duvida que a Seleção Brasileira vencerá Camarões na estreia na Olimpíada, neste sábado (6), às 15h, no Maracanãzinho. Nem mesmo o treinador adversário. Ciente das limitações de sua equipe, o técnico Jean-René Akono fala abertamente que será derrotado pelo Brasil. “É impossível vencer. Nosso objetivo é jogar bem” disse Akono, de 48 anos, após o treino desta terça, na Universidade da Força Aérea Brasileira.

Apesar da expectativa negativa, Camarões investiu na preparação para a Olimpíada. A equipe feminina de vôlei chegou ao Brasil em maio para treinar e tentar dar um salto de qualidade. Há duas semanas, as camaronesas perderam por 3 sets a 0 para a equipe Sub-23 do Brasil, em Jaguariúna, local em que o grupo ficou concentrado. “Foi um período bom. Nós tentamos subir passo a passo dentro do projeto que temos com a federação. Queremos estar melhores ano a ano”, acrescentou.

No Mundial de 2014, Camarões também levou 3 a 0 do Brasil na primeira fase e venceu apenas um set em todo o torneio, terminando em 18º lugar entre 21 participantes. A equipe, porém, conquistou o pré-olímpico africano ao bater o Egito na decisão e ficou com a vaga na Olimpíada.

Programação de jogos

Após enfrentar a Seleção Africana na estreia, as brasileiras voltam a entrar em quadra na próxima segunda-feira (8), às 22h35 para enfrentar a Argentina. Na quarta-feira (10), as brasileiras enfrentam a Seleção do Japão no mesmo horário. Na sexta-feira, também às 22h35 as bicampeãs olímpicas enfrentam a Coreia do Sul e no encerramento da fase classificatória no domingo (14) o duelo é diante da Rússia. Se garantir a vaga para a fase eliminatória, as brasileiras jogam pelas quartas de final das disputas no dia 16.