Por: diario | 30/11/2017

“Hoje todos os partidos estão com dificuldade, partido nenhum pode se exibir. Todos os partidos estão na vala comum, envolvidos em corrupção e mal feitos, então eu não tenho preferência por ninguém”. Essa é a opinião do deputado federal Jorginho Mello (PR), em entrevista concedida ao jornal Diário do Alto Vale na noite de segunda-feira (27), em Rio do Sul, um dia antes do presidente nacional da sigla, Antônio Carlos Rodrigues, se entregar à Polícia Federal.

Rodrigues estava foragido desde o último dia 24 de novembro, quando teve a prisão decretada pela Justiça de Campos dos Goytacases (RJ), após se tornar suspeito de cometer crimes de corrupção, extorsão, participação em organização criminosa e falsidade ideológica, na mesma investigação que levou à prisão os ex-governadores do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho, ambos do PR.

Recentemente o PR catarinense lançou o nome de Jorginho Mello como pré-candidato ao governo de Santa Catarina. Porém, ele reconhece que nenhum partido vence eleição sozinho e que está aberto a conversas com qualquer sigla. “Estamos visitando as regiões de Santa Catarina, filiando novas lideranças e fortalecendo o partido para as eleições do ano que vem. Quero deixar claro que não temos restrição a nenhum partido, desde que possamos construir um bom projeto para Santa Catarina”, revela.

Ataque velado a Merísio

Jorginho Mello não poupou ataques à manutenção das Agências de Desenvolvimento Regional (ADR) e afirmou que são cabides de emprego para alocar políticos derrotados em eleições. Além disso, criticou o governo Raimundo Colombo em áreas importantes como saúde e educação. “O governo deve mais de R$ 700 milhões aos hospitais e cerca de R$ 10 milhões ao Cepon. Além disso, é preciso investir em educação e valorizar os professores”, disparou.

Mesmo com as críticas às ADRs, que são oriundas das Secretarias de Desenvolvimento Regional implantadas pelo governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), não descarta a aproximação com os peemedebistas e nem com a sigla de Raimundo Colombo. “Eu não coloco defeito em ninguém. Quem coloca defeito em outros partidos pode morder a língua lá na frente. Tem pré-candidato do próprio PSD que diz que não apoia o PMDB de jeito nenhum, mas não sei se vai conseguir ser candidato quem está falando isso”, dispara veladamente contra o pré-candidato pessedista, Gelson Merisio.

Também lembrou a posição contrária de Raimundo Colombo antes de sua primeira eleição a governador às Secretarias de Desenvolvimento Regional. “Antes Colombo dizia que era cabide de emprego, para ser candidato a governador mudou de conversa e passou a dizer que as secretarias eram importantes. Elas já tiveram um papel relevante, hoje não se justifica a existência dessas estruturas”, conta.

O extremismo na presidência da República

O deputado federal foi questionado sobre a tendência do PR na eleição para presidente da República. “Vai sair um candidato de centro que vencerá as eleições. Povo brasileiro não gosta de nenhum tipo de radicalismo. Não é o momento de um extremista de direita ou de esquerda no governo”, comentou.

Além disso, Mello afirmou que as críticas não eram direcionadas contra Lula e nem contra Bolsonaro. “Primeiro turno será um festival de candidaturas, no segundo turno o rio volta para o leito, então saberemos o que fazer. O povo brasileiro é sábio e saberá votar com muita responsabilidade”, finalizou.

Rafael Beling