Por: diario | 12/04/2018

Dos campinhos de Vidal Ramos para os grandes campos de futebol do Campeonato Brasileiro, agora a atleta do Fundação Municipal de Desportos de Rio do Sul, Renata May defende a camisa do Grêmio de Porto Alegre. A atleta de 24 anos revelada pela FMD carrega no sangue a vontade de segurar a bola, a mãe dela já foi goleira também, jogando no time da comunidade de Vidal.

“Comei em Vidal jogando na minha comunidade, depois jogando com o BTT os campeonatos de futsal, depois conheci a Luana e vim participar do projeto com ela em Rio do Sul, foi quando descobrimos que a minha modalidade era para o campo”, relata Renata.

Renata começou a jogar bola cedo, aos 8 anos de idade, e teve sempre o apoio da família, depois de muito trabalho e foco conseguiu conquistar a vaga em um grande clube brasileiro. A treinadora dela em Rio do Sul e quem acabou tirando ela das quadras e a apresentando ao campo, Luana Lima comenta que o trabalho vai muito além do preparo físico.

“A gente preparou bastante a Renata, não só treinamento dentro de campo, mas também o psicológico, ela sabe que é um clube grande, que tem muita pressão. Nos primeiros dias ela me dizia “acho que não vou aguentar” – mas eu falei é teu sonho – e digo também a Renata vai ficar um ano no Grêmio e logo vai ser chamada para a seleção. Ela não vai ficar lá muito tempo não, porque pela estatura dela é difícil encontrar outra goleira com essa altura. As portas estão abertas para ela e desejamos toda sorte do mundo” comenta convicta a técnica Luana.

Com 1m87cm a atleta se destacou entre as mais de 140 meninas que participarão da seleção do Grêmio. Mais três atletas de Rio do Sul participaram da seleção, mas somente Renata conquistou a vaga, antes disso ela já havia tentado uma vaga para o Internacional, sem sucesso. Agora como convocada do Grêmio, participara de jogos no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Espírito Santos. A goleira comentou que o nervosismo era grande, mas que foi uma experiência muito positiva “tri legal”. Este ano ainda ela irá defender a FMD Rio Do Sul no Jasc 2018.

A atleta já está uma semana treinando com as novas companheiras de equipe, com uma rotina puxada e diária de exercícios, a folga por enquanto é só na quinta-feira. Aos domingo ainda encara os amistosos. Ela ainda não sabe se será titular, mas mostra determinação e quer trabalhar para assumir o posto dentro da equipe.

“A gente tem que agradecer muito a equipe do BTT de Vidal Ramos que iniciou a caminhada dela, ela veio para Rio do Sul, a Fundação de Esportes abriu as portas para ela e para várias meninas do Alto Vale. Também agradecer aos apoiadores e patrocinadores que ajudaram muito, junto com o apoio da família”, finaliza a técnica Luana.

Novo endereço

O novo endereço de Renata agora é em Gravataí – RS, onde o clube dispõe de uma nova estrutura. O time feminino de futebol passou a contar oficialmente com um espaço exclusivo, o anúncio foi feito pelo próprio clube em seu site. Agora o time realizará seus trabalhos no estádio Antônio Vieira Ramos. O local pertence ao Cerâmica Atlético Clube e foi alugado pela diretoria gremista para a disputa da Série A-2 do Campeonato Brasileiro feminino.

O Grêmio estreia na Série A-2 do Brasileiro feminino no dia 25 de abril, em jogo pelo grupo 14 contra o Vila Nova – ES. A partida acontece no estádio Kleber Andrade, em Cariacica – ES, a partir das 20h. Já a primeira partida gremista em casa acontece em 2 de maio, pela segunda rodada da chave. Na ocasião, a equipe recebe o Duque de Caxias a partir das 15h.

Times Femininos

A partir de 2019, os clubes de futebol do Brasil que não tiverem um time feminino disputando competições nacionais estarão proibidos de disputar a Copa Libertadores. Esta é uma das principais exigências do regulamento de licenciamento de clubes da CBF. A regra foi colocada pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) em 2017, agora os times do brasileiro se adequam a medida.

“Com isso o futebol feminino está ganhando muito incentivo, vários clubes que não tinham time feminino estão interessados em montar. Isso ajudou também as pequenas cidades e as meninas que treinam por aqui. Eu acho que o Alto Vale é pequeno para o sonho delas, até a gente conseguir ter uma estrutura melhor para ter elas aqui, elas tem que ir pra frente”, comentou Luana Lima, técnica dos times de base da FMD de Rio do Sul.

Susana Lima

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