Por: diario | 14/01/2020

 

Jorge Matias

 

Após a decisão judicial que prorrogou o afastamento de Osni Francisco de Fragas, o Lorinho (PSDB), por mais seis meses do Executivo de Ituporanga, o atual prefeito, Gervásio Maciel (PP), segue no cargo e já faz planos para o município. A prorrogação do afastamento, que encerraria no dia 15 de janeiro, foi requerida pela Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, que atua por delegação da Procuradoria-Geral de Justiça em casos de crime envolvendo agentes com foro por prerrogativa de função, e deferida pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).

 

Conforme Maciel, ele se preparou para administrar a prefeitura durante os seis meses, que foi o prazo inicial dado pela Justiça, entretanto o projeto de administração terá continuidade até julho.

“Organizamos a prefeitura e colocamos a casa em dia. Foram muitas dificuldades financeiras, porém terminamos o ano com um superávit orçamentário de mais de R$ 1,5 milhão”, declarou.

 

Maciel ainda comenta que não ficou surpreso com a medida.

“Não estou surpreso com a decisão devido a gravidade das acusações e processos contra a administração de Lorinho. Agora temos o privilégio de governar Ituporanga por mais seis meses. Já estamos trabalhando no projeto da 26ª Expofeira Nacional da Cebola, que inicia em abril”, completou.

 

 

Prorrogação do afastamento

 

O pedido da prorrogação do afastamento do prefeito Osni Fransisco de Fragas, o Lorinho, foi feito pelo subprocurador-Geral Fábio de Souza Trajano e pelo promotor de Justiça Maurício de Oliveira Medina em função do descumprimento de determinações judiciais anteriores, como comunicar-se com testemunhas e servidores públicos, no intuito de “continuar privilegiando um determinado grupo de pessoas e empresas, em detrimento da coletividade, perseverando, assim em atender os fins do grupo criminosos existente no seio da municipalidade”, conforme demonstrou a continuidade das investigações.

 

O Ministério Público apontou, em ação por crimes de responsabilidade, a ocorrência fraudes, procedimentos licitatórios, dispensas indevidas de licitação, atos de corrupção ativa e passiva e peculato. Tais ilicitudes não estavam restritas às relações mantidas com os gestores da empresa responsável pela coleta de resíduos de Ituporanga, mas envolviam diversos outros contratos mantidos pelo município.

 

A prorrogação do afastamento do cargo público foi deferida por decisão monocrática do desembargador Carlos Alberto Civinski, que também atendeu ao pedido do MPSC para o levantamento do sigilo da ação criminal contra o prefeito.
A segunda fase da Operação Reciclagem II foi deflagrada no dia 15 de julho de 2019 pela Procuradoria-Geral de Justiça, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e, além do prefeito, afastou do cargo o secretário da Fazenda e prendeu preventivamente dois empresários.

 

A reportagem do DAV procurou a defesa de Lorinho que não quis se pronunciar sobre o assunto.