Por: diario | 13/10/2013

e em prol da qualidade de vida é a proposta da Rede Feminina de Combate ao Câncer 

Aline Kummrow

Carinho, ombro amigo, uma boa conversa, calor humano… É isso que a Rede Feminina de Combate ao Câncer oferece as mulheres de Rio do Sul e região. Fundado em 1977 pelo Clube Soroptimistas Internacional de Rio do Sul, a Rede já perdeu a conta de quantas mulheres ajudou ao longo dos 36 anos de atividades, mas apenas de exames preventivos são cerca de dois mil por ano. Em outubro, mês escolhido para intensificar as ações sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama, os atendimentos triplicam.

Além de exames preventivos do cólo do útero e o toque das mamas, a Rede Feminina de Combate ao Câncer é uma família. Atende 60 mulheres e um homem que já passaram por cirurgia após serem diagnosticados com câncer, principalmente de mama. “As pessoas que são submetidas à cirurgia de retirada de nódulos ou da mama completa sentem desconforto nos braços, inchaços e dor. Por isso, como forma de melhorar a qualidade de vida dessas mulheres, e também desse homem que veio até nós, oferecemos luvas linfáticas e massagens”, explicou a presidente da Rede, Doralice Hoppe Meyer, que há dez anos trabalha como voluntária.

Além das mulheres que fazem parte do Clube Soroptimista, mantenedor da Rede Feminina de Combate ao Câncer, são mais de 30 voluntárias que atuam diariamente no atendimento das pacientes que procuram a Rede. Atendentes, fisioterapeutas, massagistas, pessoas com boa vontade e com disposição para ajudar e ser ajudada. “As mulheres chegam aqui tristes e saem daqui felizes, o ambiente de trabalho é muito bom, essas mulheres são incríveis e muitas vezes são elas que nos ajudam”, revelou Doralice. Quem tiver interesse de colaborar nessa causa pode procurar a entidade, que está situada na Avenida Oscar Barcelos, na antiga estação ferroviária. A Rede possui ainda um bazar que vende roupas novas e usadas por um preço diferenciado.

História de vida e superação 

Ontem foi dia de sessão de luva linfática e massagem para muitas mulheres na Rede Feminina de Combate ao Câncer. Entre elas estava a professora Maria Schell que teve câncer de mama há 18 anos. “Fiz a minha cirurgia em 1995, retirei toda a mama e por isso há três anos frequento a Rede para fazer essas sessões. Antes eu fazia em casa, com uma máquina mais simples, quando soube que aqui eles tinham máquinas mais modernas eu vim pra cá e isso ajuda muito”, explicou Maria. A luva linfática auxilia no trabalho que os gânglios retirados das mamas não podem mais fazer. “Quando eu fiz a cirurgia o método utilizado foi o de esvaziamento axilar, onde todos os gânglios são tirados, o que prejudica o funcionamento, principalmente dos braços”, acrescentou. Maria fez reconstrução da mama afetada pelo câncer e hoje frequenta a Rede em média três vezes por semana.

Assim como Maria, Luiza Tambosi, de 66 anos, também aguardava o momento da sessão de luva linfática e massagem. A aposentada que hoje se dedica aos netos, não tem as duas mamas. A esquerda foi retirada em 1984 quando descobriu o primeiro nódulo, e a mama direita passou por cirurgia em 2004, quando brincando com a neta percebeu uma dor diferente. “O momento mais difícil foi quando eu percebi que ia perder o meu cabelo. Hoje vejo que é besteira, que ele cresce, mas na época quando fiz a quimioterapia e passava a mão e via que ia cair tudo foi um susto. Mas usei peruca e logo ele cresceu novamente”, contou Luiza que hoje tem um cabelo lindo e frequenta a Rede há mais de 10 anos. A aposentada, assim como muitas mulheres aderiu a prótese de silicone.

São muitas as histórias das mulheres da Rede Feminina de Combate ao Câncer, e elas se lembram de todas, inclusive das pacientes que já não estão mais entre elas. Todo o serviço prestado pela entidade é gratuito, inclusive a doação de sutiãs e próteses para as pacientes. “Fizemos tudo pensando na melhor qualidade de vida das nossas mulheres”, finalizou a presidente da Rede, Doralice Hoppe Meyer.