Por: diario | 28/07/2016

Helena Marquardt

O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) proibiu a realização no estado do plebiscito informal que iria acontecer no mesmo dia das eleições municipais para que a população opinasse se é a favor ou contra a separação do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul do restante do país.

A decisão foi dada pelo presidente do TRE, o desembargador Cesar Augusto Mimoso Ruiz Abreu, e acolhida por unanimidade por outros sete juízes. Ele também pediu que a Polícia Federal investigue o caso, porque, tentar desmembrar parte do território nacional para constituir um país independente seria uma prática considerada crime com pena de prisão, que varia de quatro a 12 anos.

Questionado sobre os rumos do movimento após a decisão, da qual ainda cabe recurso, um dos fundadores do O Sul é Meu País, Celso Deucher, esclareceu que o órgão não suspendeu a votação, apenas sugeriu algumas mudanças. “Eles não gostaram da data em que iriámos fazer o plebiscito e pediram que mudássemos. A gente não pode mais fazer ele no dia 2 junto com as eleições porque acharam que a gente iria atrapalhar, mas não houve nenhuma proibição”, disse.

Outro pedido do TRE é de que os organizadores não utilizassem a palavra plebiscito para divulgação, já que ele não era oficial, e sim pesquisa. “Queremos respeitar as leis vigentes e atender os principais requisitos que o TRE pediu para nós, mudando a data do evento e tirando a palavra plebiscito e utilizando talvez consulta popular, pesquisa de opinião, mas vamos manter porque qualquer cidadão pode fazer essa pesquisa. O órgão não tem competência jurídica para tratar desse assunto, de pesquisas que não dizem respeito ao setor eleitoral”, completou.

A intenção dos organizadores do plebiscito era espalhar quatro mil urnas em todos os 1.191 municípios dos três estados durante as eleições municipais, só em Santa Catarina são mais de 920, no entanto, a votação não aconteceria nos mesmos locais onde ficam as urnas eletrônicas da Justiça Eleitoral, mas sim a pelo menos 100 metros desses espaços. Os votos seriam registrados através de cédulas de papel e depois contabilizados manualmente. O objetivo era alcançar 5% dos votos do Sul, o que significa cerca de um milhão de eleitores.

Deucher declarou ainda que o movimento está mantido e uma nova data deve ser agendada. “Não vamos deixar de fazer nem que seja abaixo de arma. A decisão é de que vamos acatar aquilo que o TRE nos pediu e vamos fazer de maneira diferente. Talvez um dia antes ou uma semana depois. Ainda vamos pensar nisso e domingo teremos reunião da nossas Comissão Central Organizadora do plebiscito e ai vamos decidir”, completou.

Movimento na região

Mesmo sem uma nova data agendada, a coordenadora do plebiscito em Santa Catarina, Sandra Parma afirma que o grupo vai continuar trabalhando na divulgação porque a consulta será realizada e vai apenas mudar de data. “Ontem fiz uma palestra em Rio do Sul, hoje farei em Laurentino e amanhã vou fazer uma em Apiúna. As ações continuam normalmente porque temos certeza que vai acontecer”, acrescentou.

Ela afirmou também que a expectativa para a votação é positiva já que o movimento ganhou integrantes em 80% do estado. A aceitação é total. Muito difícil a gente fazer uma palestra e encontrar alguém que é contra. Algumas pessoas chegam com dúvidas, mas depois que apresentamos as propostas elas ficam favoráveis porque veem que realmente temos números que comprovam o que a gente fala. Não queremos preconceito, violência. Trabalhamos de forma pacífica.”.