Por: diario | 11/10/2017

Dois projetos de moda inclusiva elaborados por alunas de Rio do Sul disputarão o Prêmio Brasil Sul de Moda Inclusiva, que será realizado no dia 24 de novembro, em Florianópolis. Além do município do Alto Vale, trabalhos de Blumenau, Brusque e Florianópolis também foram selecionados. A premiação tem como objetivo reconhecer os melhores projetos de moda para pessoas com deficiência e está em sua quinta edição.

As alunas do Senai Alto Vale Sarah Seemann, Bruna Cardoso, Bruna Montagna e Rafaela Tambosi, do curso Confeccionador de Moldes e Roupas, e a estudante do curso Técnico em Modelagem do Vestuário, Suiane Luz Gonçalves, são as responsáveis pelos projetos finalistas. A equipe de Sarah desenvolveu três looks, com o tema “Formas Geométricas”. Um deles é um vestido infantil para cadeirante, e possui abertura nas laterais para facilitar na hora de vestir e recorte nas costas para a transpiração. O outro look é uma saia desenhada para deficientes auditivos, com bolsos que servem para guardar plaquinhas indicativas. Já o último modelo criado é uma calça masculina com abertura na frente para simplificar a troca. A peça também tem bolsos nas pernas e a possibilidade de soltar o tecido a partir do joelho, transformando a peça em uma bermuda.

De acordo com Sarah, a equipe se inspirou em pessoas com deficiências físicas para criar peças práticas e bonitas. “Foi muito legal desenvolver as roupas pensando no bem-estar deles. As roupas convencionais apertam, incomodam e são difíceis para trocar. Estamos ansiosas e com expectativa a mil para a final”, declara a aluna.

A estudante Suiane Luz Gonçalves, do curso Técnico em Modelagem do Vestuário, criou suas roupas inclusivas seguindo o tema “Espelhos do Mar”. A aluna desenvolveu um vestido para deficientes auditivos, com a saia assimétrica e uma abertura lateral. Além disso, dentro da peça existem estampas que indicam o que a pessoa precisa, assim como números de telefone e endereço. Um bolero com a frase em Libras “Paz Iemanjá” completa o visual. O look também acompanha uma vestimenta para cão-guia, com identificação da função do animal e a lei que permite a sua circulação em qualquer ambiente.

A outra peça elaborada por Suiane é um vestido para deficientes visuais. A roupa possui sensores de aproximação – desenvolvidos pelo professor do curso de Eletroeletrônica, Rafael Girardi –, embutidos nas mangas. Além disso, as mangas também têm bolsos internos com identificação em Braille para guardar dinheiro. “Foi interessante envolver outra área do conhecimento para fazer moda. Os obstáculos não percebidos com a bengala serão detectados pelos sensores, que irão vibrar avisando a pessoa. Esta é a segunda vez que participo do prêmio. No desfile do ano passado vi diferentes tipos de deficiências físicas e isso me incentivou a pesquisar bastante e buscar mais funcionalidades para as roupas”, explicou a estudante.
Suiane ainda desenvolveu uma terceira peça. Trata-se de um vestido para deficientes visuais, que possui um bolso na saia para colocar a bengala, colete com bolsos embutidos para guardar colírio ou outros objetos e sensores de aproximação nas mangas.

O prêmio

O Prêmio Brasil Sul de Moda Inclusiva foi criado pelo Instituto Social Nação Brasil. O objetivo é promover debates sobre moda diferenciada e incentivar a criação de soluções em vestuário para quem possui deficiências. Nesta edição, são nove finalistas catarinenses e outros 11 projetos do Paraná e Rio Grande do Sul.

Carolina Ignaczuk