Por: diario | 11/01/2019

O mercado financeiro, especialmente a bolsa de valores, sinaliza com bastante antecedência os efeitos econômicos de determinadas decisões ou reformas favoráveis ou não ao mundo dos negócios. Se o governo de Jair Bolsonaro tinha alguma dúvida, o recorde de 93.626 pontos do Ibovespa desta semana deixou isso claro.

O índice da B3 fechou com alta de 1,72% a 93.613 pontos. Se o governo e o Congresso Nacional aprovarem uma reforma previdenciária que vai colocar as contas públicas num patamar de equilíbrio, o país poderá entrar num ciclo de crescimento mais longo, de até 10 anos.

Se a reforma não sair ou for insignificante para o ajuste do déficit público, a crise deverá voltar e o novo governo terá um cenário muito duro pela frente, administrando falta de dinheiro e outras crises. Se quarta e terça-feira os sinais foram bons, na primeira semana de governo a confusão de informações desanimou investidores.

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A notícia de um modelo com capitalização, divulgada terça-feira, agradou o mercado. Mas quarta-feira foi dito que essa alternativa será somente para salários maiores. De qualquer forma, é uma solução que sinaliza uma reforma mais profunda, com chances de alinhar contas públicas. E essa capitalização gera poupança que pode fortalecer a economia também se for aplicada em investimentos.

A reforma previdenciária nacional é aguardada com apreensão pelos governos estaduais e municipais, que deverão adotar as mesmas regras, colocando em sintonia os prazos de aposentadoria e outros detalhes. No caso dos governos de Santa Catarina e de outros Estados que já fizeram reforma da Previdência do setor público, elevando alíquotas dos trabalhadores de 11% para 14%, o impacto da reforma nacional será nos novos prazos de idade mínima para aposentadoria.

O mesmo vale para as prefeituras. Isto porque hoje, muitos profissionais podem se aposentar a partir dos 45 anos ou 50 anos, o que é muito cedo e aprofunda o rombo do setor público. (Estela Benetti)