Por: diario | 13/08/2018

O primeiro debate entre os candidatos a presidente da República nas eleições 2018, promovido pela Band, reuniu oito presidenciàveis: Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriotas), Ciro Gomes (PDT), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Marina Silva (Rede).

A Justiça não autorizou a presença no debate de Luiz Inácio Lula da Silva, oficializado candidato a presidente pelo PT mesmo condenado e preso pela Lava Jato.

O tucano Alckmin, dono da maior coligação na corrida ao Planalto, foi quem mais sofreu ataques.

O deputado Jair Bolsonaro, preferiu evitar um confronto contra Guilherme Boulos no início do debate. Classificado como racista, machista e homofóbico pelo candidato do PSOL, que ainda o acusou de manter uma funcionária fantasma no gabinete no Congresso, o capitão reformado do Exército abriu mão do tempo na tréplica e não prolongou a discussão. “Não vim aqui para bater boca com cidadão desqualificado”, disse Bolsonaro.

 

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Cabo Daciolo

O deputado federal Cabo Daciolo foi um dos principais destaques no primeiro debate presidencial. Logo na primeira fala, o parlamentar disparou contra os demais participantes que eles representavam a “velha política”.

Com um discurso eloquente, que misturou uma narrativa nacionalista, religiosa e de denúncias contra supostas conspirações comunistas, o candidato defendeu a auditoria da dívida pública, a redução dos impostos, a greve dos caminhoneiros, os militares e o combate à corrupção “pela honra e glória do senhor Jesus”.

“E [quero] dizer ao meu companheiro Bolsonaro: você não é o único não, irmão. Eu estou aqui”, disse o candidato no terceiro bloco.

Eleito deputado pelo PSOL, Daciolo foi expulso do partido em 2015 depois de propôr projetos com viés religioso. O parlamentar ficou conhecido em 2011, quando participou da greve dos bombeiros do Rio de Janeiro e chegou a ser preso por conta da mobilização. A candidatura à Presidência pelo Patriota foi oficializada na pequena cidade de Barrinha (SP), localizada na região metropolitana de Ribeirão Preto.

Ao final do debate, de acordo com números do Google Trends, Daciolo foi o segundo candidato que mais gerou interesse de busca dos internautas entre todos os participantes do debate, atrás apenas de Jair Bolsonaro.

Centrão e Alckmin

A coligação que garantiu o maior tempo de TV durante o horário eleitoral para Geraldo Alckmin, foi o ponto mais explorado pelos adversários durante o debate.

As críticas partiram principalmente de Marina Silva. Em um diálogo sobre educação, a candidata da Rede afirmou que é preciso tomar cuidado quando o “condomínio já está cheio de lobo mau querendo comer o dinheiro da vovózinha”. Em outra oportunidade, ela afirmou que “quando se ganha [a eleição] com quem não tem compromisso com a ética, isso contamina o Governo e todas as promessas caem no vazio”.

Via de regra, Alckmin justificou a importância da coligação pela garantia de governabilidade em caso de vitória nas urnas. Em uma das provocações de Marina, o ex-governador lembrou que a candidata já foi do PV, criou a Rede e, atualmente, promoveu uma coligação entre o novo e o velho partido para disputar as eleições 2018. Em outro momento, Alckmin subiu o tom contra Marina e recordou do passado da ex-senadora no PT. “Quero lembrar que eu nunca fui do PT e nem ministro do PT. Deixar bem claro que somos de uma outra linhagem”, disparou o tucano.

50 tons de Temer

Guilherme Boulos provocou risos de praticamente toda a plateia que acompanhava pessoalmente o debate presidencial, quando, ao formular uma pergunta para o candidato Henrique Meirelles, afirmou que o debate tinha “50 tons de Temer”.

“Você não é apenas o candidato do Temer. Aqui nesse debate tem 50 tons de Temer. Aliás, quem diz que quer coisa nova, tem que pensar no que fez no verão passado”, disse Boulos. A frase provocou sorrisos inclusive de Meirelles.