Por: diario | 15/03/2016

Helena Marquardt

Assim como em muitas regiões do país, no Alto Vale o domingo também foi marcado por manifestações. Em Rio do Sul centenas de pessoas se reuniram à tarde no Parque Harry Hobus vestindo roupas com as cores da bandeira do Brasil e carregando faixas e cartazes para pedir o fim da corrupção. Depois os manifestantes seguiram até a praça Ermembergo Pellizzetti.

Segundo um dos organizadores, o advogado Fernando Claudino D’Ávila, o manifesto foi organizado a partir do movimento nacional Vem pra rua e foi trazido para Rio do Sul através de diversas entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entre outras. “Não é novidade para ninguém que está todo mundo descontente com a situação do país então a aceitação foi unânime”, declarou.

Ele diz no entanto, que ao contrário de outros locais, aqui na região os manifestantes não pediam o impeachment e a saída do PT do governo. “Aqui focamos mais na corrupção de uma maneira geral. Quem participou viu que não teve nenhuma palavra de conotação contra o Governo Federal diretamente, ou contra a presidente Dilma ou o PT. A ideia era reunir o maior número de pessoas possíveis independentemente de partido”, completou.
Ao fazer uma avaliação do manifesto, Fernando garante que valeu a pena. “Foi o melhor possível e aquilo que nós esperávamos. Nós da organização, analisando as imagens de drone, acreditamos que superou quatro mil pessoas”, disse.

Para garantir a ordem durante a manifestação, a Polícia Militar acompanhou os protestos, inclusive com policiais à paisana e segundo o comandante do 13º Batalhão, tenente coronel Dionísio Tonet, tudo transcorreu de maneira bastante tranquila, sem nenhuma ocorrência atendida.

O empresário Ricieri Ramlov, conta que essa foi a primeira vez que ele participou de um manifesto desse tipo, justamente por acreditar que agora eles podem trazer alguma esperança à população. “Vi que realmente a coisa pode evoluir. Um pingo de esperança a gente pode ter e é necessário que tenhamos. Nesse momento achei que fosse importante participar e acredito que independente da atual presidente ser destituída ou não, vai trazer resultados. É impossível ficarem indiferentes ao número representativo de pessoas que foram as ruas então quem está fazendo algo errado deve ter um pouco mais de receio”, comentou.

Estudantes também participaram

Muitos estudantes também participaram da manifestação para ajudar a construir um país melhor. Entre eles estava Jordi Custodio, de 22 anos de Rio do Sul, que disse que decidiu ir às ruas como forma de protestar contra o sistema corrupto que tem influenciado até mesmo no desempenho da economia. “Se nós não registrarmos nossa indignação a gente não tem como ser ouvido, só quando o povo todo se junta. Acredito que precisa haver uma mudança, começando a tirar o PT e, posteriormente, o sistema que governa o país. Após isso a pessoa que entrar lá vai estar ciente de que se não trabalhar em prol das pessoas e não acabar com o retrocesso ele vai sair também, então o motivo maior mesmo é a mudança. Precisamos de uma reforma política”, declarou.
Na visão do jovem, a população votou errado na última eleição em 2014. “É só olhar nas pesquisas, os índices de insatisfação. E também como existe uma divisão, o pessoal do Sul votou contra Dilma, então tivemos uma batalha entre Norte e Sul”, analisou.

Manifesto começa a movimentar o governo

E os manifestos em todo o país começam a trazer consequências políticas, inclusive em Santa Catarina onde o PMDB anunciou que deixaria oficialmente o Governo Federal após as manifestações no estado. A sigla, que já havia manifestado o apoio ao afastamento durante a convenção nacional, realizada no sábado (12), em Brasília, entregou os cargos federais que ocupava na Eletrosul e na Embratur.

A decisão foi tomada em reunião no Diretório Estadual, no final da tarde de ontem com a presença do deputado Mauro Mariani, do vice-governador Eduardo Pinho Moreira, do senador Dário Berger, do presidente da Eletrosul, Djalma Berger, do diretor administrativo da estatal, Paulo Afonso Evangelista Vieira, do ex-senador Casildo Maldaner, e do presidente da Embratur, Vinicius Lummertz.