Por: diario | 16/10/2016

Julieti P. Largura

Dois anos após a unidade da Sulfabril ser leiloada em Rio do Sul e pouco mais de um ano dos bens da empresa serem vendidos em Blumenau, ex-funcionários da região ainda aguardam pagamento de dívidas trabalhistas que ficaram uma década e meia após a Sulfabril decretar falência. Parte do pagamento já foi feito no ano passado, e neste mês uma nova parcela deve ser depositada aos credores.

Quem está na constante busca de informações e soluções aos afetados pela falência da empresa, anunciada em 1999, é o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Rio do Sul e Região (Sititev). Segundo a presidente  do sindicato, Zeli da Silva, são cerca de 280 ex-funcionários em Rio do Sul e quase três mil se somados aos de Blumenau.

Segundo o Sititev, na quinta-feira (13) a presidente entrou em contato com a juíza que cuida do processo, Quitéria Tamanini Vieira Peres, que informou que o pagamento de mais uma parcela das dívidas deve ser feito ainda em outubro, sem data definida. A parcela já era esperada para setembro. “A Sulfabril em Blumenau foi parcelada em 72 vezes, e todo mês de setembro a juíza deve fazer um repasse, mas não tem uma data determinada para isso”, disse a presidente.

O novo rateio entre os credores trabalhistas da Sulfabril deve ser um percentual de 20% com relação a dívida total, sendo que 50% já foram pagos no ano passado. Como explica Zeli, o leilão em Blumenau foi parcelado em 72 vezes, mas a juíza havia determinado que o pagamento fosse feito em etapas, para que os ex-funcionários não precisassem esperar todo esse tempo para começar a receber.

Conforme afirmou o Sindicato, de acordo com a determinação da juíza, se não houver contestação em relação aos cálculos realizados pela contadoria, os valores devem ser transferidos para as instituições bancárias e assim poderão ser feito os depósitos diretamente na conta dos ex-trabalhadores. A presidente agora pede cautela aos afetados e diz que logo deve ser anunciado o início dos pagamentos.

Trabalhadores passaram por dificuldades

Maria Cristina foi uma das 280 pessoas que ganhou a conta na época em que a Sulfabril de Rio do Sul fechou e não recebeu os valores referente à rescisão. Ela trabalha hoje como pilotista, produzindo peças em jeans que servirão como modelos para o trabalho nas fábricas e conta que foi preciso superar, mas que na época foi um choque. “Quando aconteceu a gente tinha muito medo do desemprego, na época eu lembro que foi um grande desespero, a gente pensava e agora, o que a gente vai fazer? Foi terrível, mas aos poucos as coisas foram se encaixando”, contou.

Ela ficou desempregada apenas o tempo do seguro e logo aprendeu um novo jeito de costurar e fazer seu próprio dinheiro, acreditando sempre que uma hora viria aquilo que lhe era de direito. O valor que Maria teria para receber, na época, era em torno de R$ 5 mil. “Na época tinha saído o loteamento Continental e um terreno ali custava em torno de R$ 5.500,00, dava para ter comprado um terreno”, disse a costureira.

No ano passado a ex-funcionária já recebeu um valor com correção em torno de 50% daquilo que tem direito, e conta que esse dinheiro servirá para a realização de um grande sonho. “Eu estou juntando, tenho casa própria, mas minha casa é de madeira, meu sonho hoje é fazer ela de material, então o que eu já recebi está guardado e o que eu vou receber vou guardar também”, disse.

Ela diz que mesmo que tenha demorado, o importante é que veio, já que durante um tempo chegou-se a perder as esperanças de que isso pudesse acontecer. “Eu sempre dizia que o dia que eu recebesse, se eu não tivesse esse sonho maior para realizar, eu ia comprar nem que fosse uma geladeira para eu olhar para o dinheiro ali, todos os dias”, comentou Maria, rindo de uma história ruim que está perto de acabar.