Por: diario | 1 mês atrás

Helena Marquartd

Em Vitor Meireles, a língua Xokleng deverá ser matéria obrigatória na grade curricular do Ensino Fundamental e da Educação Infantil, na Escola Municipal Rio Denecke em 2020. A proposta que ainda está sendo discutida tem como objetivo garantir a preservação da identidade dos povos indígenas que vivem na região.
De acordo com a secretária municipal de Educação, Alini Neili Mazote, hoje a escola atende 47 estudantes e a grande maioria são indígenas, por isso a proposta foi levantada e a intenção é de que seja colocada em prática já no ano que vem. “É uma escola do interior e 90% dos alunos são indígenas, por isso discutimos um currículo diferenciado, por ter essa demanda”, lembra.

 

Ela explica que eles levaram a proposta para o Conselho Municipal de Educação em uma reunião realizada neste mês e onde foi decidido pela implantação da língua Xokleng, que é a língua dos indígenas da Aldeia Coqueiro e Figueira, localizadas em Vitor Meireles. “Queremos fazer essa adequação de currículo para proporcionar a esses indígenas e as comunidades a permanência da cultura local, respeitando essa diversidade que existe lá. A própria legislação nacional da educação escolar indígena prevê a garantia desse direito de uma educação específica, diferenciada e intercultural”, lembra.

 

O professor Abraão Patte, de José Boiteux, que é da etnia Xokleng, diz que os povos indígenas estão otimistas com a iniciativa e explica que os próprios pais dos estudantes se preocuparam e sabem a importância do estudo da língua materna. “É importante ter alguém que trabalha a língua materna e a cultura que a gente tem também nas escolas municipais. Nas estaduais isso já acontece, até mesmo o artesanato Xokleng é trabalhado.”

 

Ele diz que leciona há mais de 20 anos e acredita que a iniciativa seria benéfica tanto para os estudantes indígenas, que poderiam preservar seus costumes, quanto para os demais que passariam a conhecer e entender melhor a história Xokleng. “A gente fica muito feliz com essa ideia que está em pauta em Vitor Meireles”, disse.
A mudança foi apresentada à Promotoria de Justiça, mas deve ser aprovada e passar a valer a partir de 2020. “É quase certo que vai acontecer, só precisamos definir a forma”, finaliza a secretária de Educação, Alini Neili Mazote.