Por: diario | 18/03/2016

Helena Marquardt

O primeiro diagnóstico do Programa de Desenvolvimento Econômico Local (DEL), desenvolvido pela Facisc através da Associação Empresarial de Taió mostrou dados animadores sobre o município como o potencial para a indústria, o agronegócio e o turismo e revelou deficiência em algumas áreas que precisam ser solucionadas para que o crescimento da cidade seja impulsionado.

A secretária executiva da Aciat, Cíntia Stringari explica que para o estudo foram entrevistadas 76 pessoas, sendo 33 empresários e empreendedores locais e 43 cidadãos envolvidos com a economia local. Após analisadas as entrevistas, foram elencados os pontos positivos e negativos do município em comparação a números reais do crescimento local. “Foi uma semana toda de pesquisas e essa é a etapa mais concreta que tivemos através do DEL até o momento, porque ela oferece uma percepção de alguns setores e aponta pontos fracos e fortes”, falou.

Em relação ao número de empresas por atividade econômica o levantamento mostrou que a maioria, cerca de 2.700 tem sua atividade com foco no agronegócio, 593 na prestação de serviço, 396 no comércio e 207 na indústria. Já o PIB do município vem crescendo ao longo dos anos, mas ainda assim se desenvolveu menos do que a média geral constatada na região do Vale do Itajaí.

Através do programa DEL também foram avaliados a qualidade dos serviços oferecidos pela administração pública e a maioria dos entrevistados não responderam positivamente. Apenas 30% acreditam que eles sejam bons, enquanto que 27% acredita que deixam a desejar, 23% consideram mais ou menos e 20% acham que eles são ruins.

Entre os destaques negativos nessa área estão a morosidade do setor de Obras, a falta de estrutura para o turismo e o abandono da área rural, além da falta de um programa para o desenvolvimento. Já no setor da saúde as avaliações foram bastante diversificas. O destaque positivo foi a EducaçãA maioria dos entrevistados também não está contente com o diálogo entre a comunidade e o poder público, com 40% das pessoas acreditando que ele é ruim, 26% deixa a desejar, 21% mais ou menos e apenas 12% avaliam como bom. A opção de excelente ficou com apenas 1%.

Emprego não é problema

Ao responder um questionário sobre o emprego, 43% dos entrevistados acreditam que o índice de desemprego ainda pode ser considerado bom, 42% mais ou menos e 8% consideraram excelente. Mesmo assim o número de pedidos de auxílio desemprego aumentou de 2014 para 2015. Os dados apontaram ainda que a medida de pedidos de benefício passou de 100 a 120 para 150 a170, o que representa um aumento de 20%.
Entre as constatações da Aciat estão a de que desemprego ainda não é um problema no município, que a maioria das pessoas que procuram acabam encontrando trabalho e que a busca só é mais difícil para quem não tem qualificação.

“A pesquisa foi uma das primeiras fases e agora a gente constituiu o Conselho de Desenvolvimento, que é formado por entidades do município. Teve a primeira reunião no dia 29 e no dia 4 de abril teremos o planejamento. Depois disso formamos as Câmaras Técnicas que serão formadas com base nos resultados. São grupos de trabalho que vão discutir esses apontamentos e buscar soluções”, revelou

Prefeito comenta

Segundo o prefeito de Taió Hugo Lembeck, ele teve acesso apenas a parte dos dados, mas acredita que a insatisfação da população com os serviços públicos, por exemplo, está muito vinculada com o tempo, quantidade de chuvas e outros fatores.

Ao falar sobre a demora no setor de Obras apontada pelos entrevistados ele disse que em sua gestão pavimentou 26 ruas e construiu dois postos de saúde além de reformar ou ampliar outros quatro. “Na nossa casa as vezes também demora e no setor público é ainda mais complicado. Depende muito da liberação do recurso, de convênio. É o caso da praça, a primeira parcela veio e fizemos tudo que podíamos, agora tem que esperar vir a segunda para continuar. Tudo é burocrático e moroso. Eu também gostaria que fosse mais rápido, mas não é”, comentou.

Ele explicou ainda que os dados levantados através do programa são importantes para apontar prioridades. “A gente vai estar discutindo com a sociedade de eles ajudarem na responsabilidade. Tem gente que acha que a prefeitura tem dinheiro pra tudo e não faz porque não quer, mas existe um orçamento. E o DEL vai aproximar a comunidade da administração pública. Ele também vai nos ajudar a definir as prioridades. Vai ajudar a orientar e encaminhar as decisões para errarmos menos”, conclui.