Por: diario | 02/12/2016

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) demonstraram que apesar da crise e do aumento do desemprego no país, o Alto Vale se manteve com mais admissões do que demissões, o saldo de janeiro a outubro foi 679, conforme a reportagem publicou na edição de ontem (1º). Alguns municípios ficaram na contramão desse crescimento ou na manutenção dos postos de trabalho.

A situação de Imbuia chamou a atenção pelo déficit no período, 97 desligamentos a mais do que contratações. O Jornal Diário do Alto Vale ouviu o prefeito Antônio Oscar Laurindo, que comentou que esse cenário é sazonal, um efeito das vagas temporárias de trabalho, oferecidas pelo setor agrícola. “Nós temos muitos depósitos compradores de cebola no nosso município, e eles geralmente fazem as contratações dos empregados no mês de dezembro, e a demissão deles, porque são contratos temporários, ocorre entre maio e junho”, justificou.

A colheita de outras culturas também interferiu segundo o prefeito, como é o caso do fumo. “Também é relevante para a economia do município, no ano passado o fumo também ficou prejudicado, esse ano a safra promete ser melhor”, afirmou.

Os dados levantados pela reportagem levaram em consideração os 10 primeiros meses de 2016, que são os disponíveis para a consulta no site do Caged. A reportagem fez uma nova pesquisa no sistema, só no mês de dezembro o ano passado Imbuia teve saldo positivo de 71 empregos, e em janeiro deste ano foram 29 contratações a mais. Entre os meses de abril e junho deste ano, que coincide com o fim da safra, o saldo foi mesmo negativo, o número de demissões superior, 105 a mais. “No ano passado, não foi um ano muito bom, em relação a produção, a qualidade do produto, então isso reflete também”, explicou.

Os problemas na produtividade da safra passada podem ter contribuído na antecipação das demissões, segundo o prefeito, os desligamentos ocorrem geralmente entre maio e junho, nos dados do Caged verificados pela reportagem mês a mês, é possível notar que dos 105 postos de emprego fechados no fim da produção agrícola, 70 deles ocorreram em abril, 17 em maio e 18 em junho.
Em outros setores da economia, Laurindo observa que a variação é bem menor. “Nos empregos fixos não existe essa oscilação, pode as vezes dar uma diminuição, mas seriam números pequenos, não seriam tão altos”, declarou.

Com o início da colheita de uma nova safra, principalmente das culturas de cebola e fumo, o prefeito acredita que o déficit gerado volte a normalizar as contratações, ainda que sejam temporárias e durem em média seis meses. “Agora em dezembro com certeza esse índice [de desemprego] cairá bastante porque os depósitos de cebola, todos vão contratar e a safra com uma perspectiva boa, as contratações deverão ser ainda maiores”, concluiu.

Albanir Júnior