Por: diario | 1 mês atrás

 

Helena Marquardt

 

Reconhecido por seu trabalho no atendimento as crianças em situação de vulnerabilidade social, o Lar da Menina em Rio do Sul, que é mantido com valores repassados pelo Poder Público e doações da própria comunidade, pode ter sido alvo de um desvio de mais de R$ 170 mil. O possível crime, que teria sido praticado na gestão passada e agora está sendo investigado pela Justiça, foi denunciado pela atual presidente já em agosto do ano passado, mas o inquérito Civil foi concluído há pouco mais de um mês e aguarda o parecer do Ministério Público.

 

O processo tramita em segredo de justiça, mas de acordo com o delegado responsável pelo inquérito policial, Bruno Augusto Reis, com a ajuda de outras cinco pessoas, que seriam funcionários de confiança da ex-presidente, Emília Marcelino Zancanaro, ela teria desviado pelo menos R$ 170 mil dos cofres da associação que administra o Lar da Menina. O dinheiro seria referente a convênios e doações.

 

Reis explica que como os outros investigados exerciam função que pode ser equiparadas a de servidor público, a investigação apontou indícios de crimes relacionados ao próprio funcionalismo público como associação criminosa, falsificação de documentos públicos e particulares, peculato, extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento e também o crime de coação, que teria sido praticado durante a própria investigação.

 

A investigação foi baseada na análise de diversos documentos apresentados pela assessoria jurídica e pela contabilidade do Lar, baseados em depoimentos de pessoas que tinham conhecimento do ocorrido.

 

A ex-presidente renunciou ao cargo no final do ano passado e o delegado completou dizendo que todos os investigados foram afastados dos cargos antes mesmo do início da investigação. Ele diz ainda que alguns teriam recebido parte do valor desviado enquanto outros não ficaram com qualquer quantia.

 

O caso foi encaminhado para o Ministério Público de Santa Catarina e agora o processo tramita na 5ª Promotoria de Justiça que vai avaliar a documentação e decidir se opta ou não por oferecer a denúncia.

 

Em nota, os cinco advogados que representam o Clube de Mães Lar da Menina, afirmaram que atual presidente identificou diversas irregularidades na instituição já em agosto de 2019 e procurou o escritório para tomar as medidas jurídicas necessárias. Após o levantamento das irregularidades, elas foram encaminhadas para a Delegacia de Rio do Sul através de uma Notícia Crime que deu origem ao inquérito policial.

 

No documento o escritório alega ainda que para a responsabilização cível dos envolvidos, ajuizou uma ação indenizatória que tramita na 1ª Vara Cível da comarca visando a reparação financeira integral dos prejuízos causados a instituição e que para preservar a imagem das crianças e adolescentes não pode dar mais esclarecimento sobre os fatos.

 

O que diz a defesa da ex-presidente

 

O advogado Fernando Rodrigo Mroskowski, que é responsável pela defesa da ex-presidente alega que até o momento não existe nenhuma Ação Penal em andamento e que por isso não vai se pronunciar por enquanto.

“O Inquérito Policial está aguardando parecer do Ministério Público e como até o momento não houve o oferecimento de denúncia crime por parte da Promotoria de Justiça, a indiciada informa que apresentará sua versão dos fatos somente caso o Ministério Público conclua pelo oferecimento de acusação formal”, pronunciou por nota.