Por: diario | 01/08/2018

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os resultados preliminares do Censo Agro 2017.

Até agora a pesquisa identificou, 5.072.152 estabelecimentos agropecuários no Brasil, em uma área total de 350.253.329 hectares, ou seja, um crescimento de 5% em relação ao que apontou o Censo Agro 2006. Apesar do aumento de território, o número de estabelecimentos teve redução de 2% .

A respeito da ocupação nos estabelecimentos agropecuários, em 2017, havia pouco mais de 15 mil pessoas ocupadas, com uma média de três pessoas por estabelecimento. Na comparação com o Censo Agropecuário de 2006, houve redução de 1.530.566 pessoas no total de ocupados. A média de ocupados por estabelecimento também caiu, de 3,2 pessoas, em 2006, para 3, em 2017, assim como o percentual e o total de produtores e trabalhadores, que passou de 77% para 73%.

“O Censo saiu e houve uma redução no número de propriedades rurais no Estado, e a gente tinha uma previsão que acontecesse isso, só não esperávamos que fosse tanto”, disse o engenheiro agrônomo Dirceu Leite.

De acordo com ele, hoje o agricultor passa por diversas dificuldades, o que facilita o êxodo rural. “O agricultor depende muito do mercado externo, então quando vai plantar, cultivar, ou criar ele vai na agropecuária e paga o preço que está lá. Mas quando ele vai vender, ele tem que aceitar o preço que o mercado está pagando. E muitas vezes o preço é injusto”.

Além disso, Dirceu citou outro fator que está contribuindo muito para a redução da população rural é a satisfação pessoal e a qualidade de vida. “O agricultor passa a trabalhar o ano todo sem direito a feriados ou férias, e isso inibe muitas vezes, o jovem agricultor de ficar no campo. Porque aquele que trabalha no comércio, na indústria, tem benefícios de trabalho”.

Um exemplo do êxodo de jovens para a cidade, é Márcia Varela, que reside em Pouso Redondo e deixou a agricultura para conseguir melhores condições de vida trabalhando no comércio. “Trabalhávamos o dobro que eu trabalho na cidade e nossa remunaração era bem menor. E por algumas vezes tivemos que descartar os produtos por não ter comprador. Agora sei que todo mês posso contar com meu salário”.

Em contraponto com a queda de pessoal ocupado, o número de tratores aumentou 49,7%. Já o número de estabelecimentos que utilizavam este tipo de veículo aumentou em mais de 200 mil, alcançando um total de 733.997 produtores em 2017.

Em relação ao uso da terra nos estabelecimentos agropecuários, houve uma redução de 31,7% na área utilizada para lavouras permanentes e de 13,2% na área destinada a lavouras temporárias. Além disso, houve redução de 18,7% nas áreas de pastagem natural e crescimento de 9,1% nas áreas destinadas a pastagens plantadas. Em relação a matas naturais houve elevação de 11,4% de hectares e de 79,2% de hectares plantadas. Quanto ao uso de agrotóxicos, os dados mostram que houve um crescimento de 20,4% neste período.

Sobre terras arrendadas, a proporção passou de 4,5% para 8,6% da área total. Em relação à condição legal das terras, a proporção de estabelecimentos que declararam terras próprias aumentou quase 10%. Mas em contraponto, a participação da área de terras próprias diminuiu de 90,5% para 85,4%.

A área irrigada cresceu 52% e a mesma porcentagem se deu no aumento de estabelecimentos com irrigação. Somente em 2017, 502.425 propriedades agropecuárias disseram usar algum método de irrigação, enquanto o total da área irrigada no país foi de 6.903.048 hectares.

Mas, nem sempre a irrigação resolve os problemas que o clima causa. Outro ponto que o Agrônomo cita que propicia a diminuição do homem no campo, é a insegurança da safra. “Uma vez que a safra é plantada, cultivada, feita aplicação de defensivo, preparo do solo, onde o agricultor faz todo o serviço base, mas depende do clima, que às vezes não é favorável. Isso tem frustrado muito”.

Acesso à internet

Em 2017, 1.425.323 produtores declararam ter acesso à internet, sendo que destes 46,2% através de banda larga, e 63,77% via internet móvel, o que representa um aumento de quase 1.800% nesses 11 anos.

O acesso a telefonia também cresceu significativamente. A quantidade de aparelhos nas residências, passaram de 1,2 milhão para 3,1 milhões, uma evolução de 158%.

Educação

Em 2017, 79,1% tinham instrução até o Ensino Fundamental. Do total de produtores, 15,5% declararam que nunca frequentaram escola, 29,7% não passaram do nível de alfabetização, e 79,1% não foram além do nível fundamental.

Além disso, 23,05% declararam não saber ler e escrever. Por outro lado, apenas 0,29% dos produtores fizeram mestrado ou doutorado, enquanto outros 5,58% cursaram Ensino Superior

Idade, gênero, raça e cor

O número de produtoras elevou-se de 12,7% para 18,6% entre 2006 e 2017, enquanto os homens passaram de 87,3% para 81,4% do total.

Este Censo foi o primeiro a pesquisar cor ou raça dos agricultores e apontou que a população branca é a maior entre os produtores, com 45%, seguida pela parda, com 44% e preta com 8% da população. Os indígenas somam 1% e os de cor amarela 0,6%.

Quanto à idade, houve redução de 1% na participação dos grupos de menores de 25 anos, já o de 25 a 35 reduziu quase 5% e o de 35 a 45 anos diminuiu cerca de 4%. Já as pessoas com mais idade representaram crescimento sendo que de 45 a 55 anos tiveram um aumento de 23,34% para 24,77%, de 55 a 65 de 20,35% para 24,01% e de 65 anos ou mais, de17,52% para 21,41%. O maior efetivo se concentra no grupamento de 45 a 55 anos, que conta com 1.221.953 produtores, enquanto o maior crescimento ocorreu na classe de 55 anos até 65, que ganhou 131.005 integrantes.

“Hoje vemos que a idade média do nosso agricultor é bastante avançada. A renovação tem sido pouca e isso é um agravante a longo prazo”, disse Dirceu. Mas, ainda de acordo com ele, é preciso investir nos novos agricultores e incentivá-los a permanecerem na agricultura. “Temos acompanhado algumas palestras e podemos dizer que o novo agricultor é o agricultor do futuro. Aquele jovem que permanecer no campo estará ali por opção. Porque ele vai ter Ensino Médio, vai ter faculdade, técnico, podendo até trabalhar no meio urbano, mas vai optar pela propriedade rural. Então a nossa agricultura familiar também está se transformando. E esse é o futuro, onde os novos agricultores seguirão na área por dedicação, por escolha, com uma visão mais empreendedora da propriedade, com novos mercados e cadeias produtivas e esse é o agricultor que nós temos que pensar para o futuro de Santa Catarina”, concluiu Dirceu Leite.

Elisiane Maciel