Por: diario | 11/10/2018

Os hospitais filantrópicos respondem por cerca de 70% dos atendimentos em toda Santa Catarina, porém ainda enfrentam muitas dificuldades. Com a tabela defasada de pagamentos do Sistema Único de Saúde (SUS), dívidas acumuladas de encargos sociais de vários anos e falta de investimento em novos serviços e tecnologias, as entidades enfrentam a falta de recurso com redução de custo e busca de convênios e doações.

Em Rio do Campo, as dívidas por encargos chegam a mais de R$1 milhão, em Rio do Sul, a Fundação de Saúde do Alto Vale do Itajaí (Fusavi) calcula quase R$5 milhões em dívidas e, em Salete a defasagem de recurso chega a R$25 mil por mês.

O Diretor do Hospital Nossa Senhora Aparecida, de Rio do Campo, Roberto Pires de Souza, diz que desde que assumiu a gestão, em fevereiro, está trabalhando na redução de custos. As medidas e busca de doações já reduziu a dívida em cerca de R$100 mil, mas mesmo assim é preciso R$80 mil em caixa para se negociar o acumulado de mais de R$1 milhão.

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“Era de R$ 1 milhão e 300 mil, e com as medidas que estamos tomando conseguimos pagar R$120 mil, e hoje temos R$1 milhão 180 mil, com o recurso que entra mantemos a casa e vamos acertando parte da dívida. O grande problema é conseguir esses R$80 mil para parcelar com o INSS”, conta Roberto.

Segundo o diretor, o acumulado é de mais de 10 anos, o que dificulta o pagamento, pois o recurso que entra hoje no hospital é destinado quase que totalmente à manutenção, sobrando muito pouco no fim do mês. “Essa dívida já se acumula há 10 anos, não é recente. Hoje o que entra no hospital cobre a nossa saída mensal.

Seriamos autossuficientes se não fosse essa dívida do passado. O déficit principal é referente ao INSS cerca de R$753 mil e R$102 mil referente ao FGTS”, explica o diretor.

Com a conquista da filantropia, o Hospital Nossa Senhora Aparecida, economiza cerca de R$10 mil mensais, valor que seria suficiente para pagar o parcelamento da dívida, se a administração conseguir negociá-la.

“Com esse valor a menos que vem da filantropia, a gente conseguiria pagar o parcelamento da dívida. Precisamos urgentemente desses R$ 80 mil para fazer o parcelamento junto à Receita Federal e esse recurso o hospital não tem. Corremos um sério risco de repente até fechar as portas devido a não conseguir juntar esse valor para fazer o parcelamento”, conta Roberto.

Já o Hospital Regional Alto Vale (HRAV), em Rio do Sul, aguarda o pagamento da dívida com o Governo de Santa Catarina, que chega a quase R$ 5 milhões.

“São cirurgias, atendimentos, exames e que por se tratar de extrateto o Estado acaba não remunerando. Desse valor, se recebido, teremos que descontar os honorários médicos, pelos quais os profissionais já trabalharam e não receberam, e o restante do dinheiro entra como verba de custeio e servirá para manutenção e aquisição de novos equipamentos”, conta o diretor da Fusavi, mantenedora do hospital, Giovane Nascimento.

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Em Salete, o Hospital Santa Terezinha enfrenta duas situações. A primeira é a dívida sobre encargos sociais de vários anos e assim como acontece em Rio do Campo, o valor chega a quase R$250 mil, que está parcelado e sendo pago. Outra situação é a defasagem no recurso vindo do SUS, que não cobre todo o atendimento oferecido.

“Nossa maior demanda é no pronto atendimento. Temos uma média de mil atendimentos por mês e praticamente é 100% do SUS, pela filantropia deveria ser 60%, mas na realidade é bem mais. O problema dos hospitais filantrópicos é que o SUS paga muito pouco. Recebemos em torno de R$ 18 a R$ 20 mil, mas o custo é bem maior. O valor é defasado, deveríamos receber pelo menos 20% a mais”, conta o tesoureiro da fundação, Militino Eising. Segundo ele, o déficit mensal chega a R$ 25 mil por mês, o que preocupa a Administração para o próximo ano.

Em Pouso Redondo, no Hospital Comunitário Annegret Neitzke, o diretor Carlos Zanella conta que assumiu a gestão com cerca de R$ 217 mil em dívidas, mas que conseguiu equilibrar o caixa com medidas de redução de custos, busca por mais recursos e a contribuição das pessoas na conta de luz. E que o grande problema por lá é a falta de investimento.

“Fomos acertando de um lado e de outro, melhoramos o convênio da prefeitura, passamos a prestar mais serviços, buscamos mais contribuições na conta de luz, saímos de R$ 2 mil para R$ 9 mil. Agregando valores demos uma desafogada no caixa do hospital e fizemos o pagamento de quase a totalidade dessas dívidas. Hoje não temos contas a pagar. Recebemos do convênio R$180 mil, mas o custo do hospital é de cerca de R$220 mil, as outras receitas são oriundas de outros convênios e procedimentos particulares. Atendemos na faixa de dois mil pacientes por mês e muitos acidentes da BR 470, mas não conseguimos receita para investimentos”, finaliza Carlos.

Susana Lima

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