Por: diario | 12/09/2018

O movimento LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros e Intersexuais), apesar de estar ganhando mais visibilidade socialmente e, a cada dia, envolver mais pessoas na identificação de gêneros, ainda enfrenta dificuldades para ganhar espaços públicos e implantar políticas públicas. Amilton Padilha, ativista rio-sulense e membro do Conselho de Direitos Humanos Liberdade e Vidas, de Blumenau, trabalha há 10 anos na causa e com os próprios recursos, investe para desconstruir o preconceito e levar mais informação à jovens e familiares sobre a aceitação de identidade de gênero.

“Ao longo de 10 anos estamos fazendo essa iniciativa em toda a região, com palestras, incentivos, conversas na busca de levar informação e mais saber para todos. Tem casos que as pessoas não sabem lidar e chamam a gente para esclarecer”, conta.

Padilha relata também, que trabalha com a assessoria de um psicólogo e um advogado, que já tentou montar uma sala de atendimento em Rio do Sul, mas não deu certo, por falta de incentivos. Ele afirma que uma questão prioritária no trabalho desenvolvido, é trabalhar a aceitação familiar.

“Tem muitos pais que ainda não entendem o porquê de os filhos serem assim. Nas famílias estão cada vez mais aparecendo gêneros e é a genética, não se pega, não se passa. É isso que a gente tenta passar para o pai, para a mãe, hoje se tem mais espaço para falar dessas questões”, diz.

Quer receber as notícias no Whatsapp? Clique aqui

A motivação do ativista é reflexo da sua própria história. Ele mesmo enfrentou uma grande luta consigo mesmo na aceitação da opção sexual e o objetivo é não deixar que mais pessoas criem buracos na própria vida, por medo da sociedade.

“Como causou na minha há vinte e poucos anos. Eu acabei me casando com uma mulher, tive filho, por medo e preconceito e também a sociedade naquela época que era bem pior”.

Luta contra preconceito e realidade na região

O número de violência contra travestis e homossexuais é crescente e noticiado quase que diariamente nos meios de comunicação. Na região do Alto Vale não é diferente. Além da intolerância contra as pessoas que optam por uma identidade de gênero diferente, há ainda falta de preparo dos órgãos públicos e de segurança para lidar com a questão.

“Tenho amigos que foram assassinados. Mortos por sua opção sexual. Esses dias aqui na cidade também uma pessoa foi agredida por ser uma travesti, levou 18 facadas e o crime não foi tratado como homofobia, foi apenas tratado como latrocínio”, conta Padilha.

No campo político, ele diz que o problema é o mesmo. Partidos políticos e políticas públicas avançam pouco na causa.

“Quando é para falar que apoia a causa todos são sorrisos, mas na hora de propor na raiz, de ter um representante dentro do partido que represente a bandeira, eles fogem. Se você quiser ir por conta, você vai, se depender de apoio, é difícil. E eu sofri na pele isso. Estava em um partido, fui para outro para eu poder ser candidato e aí me levaram no banho-maria e, por fim, eu acabei ficando de fora”, relata Amilton. Ele conta que a vontade era ser candidato a deputado estadual neste ano. “O Alto Vale precisava ter um candidato LGBTI, que andasse com a bandeira na mão, correndo pelos municípios dizendo que a gente precisava ter uma cadeira na Assembleia Legislativa para ter uma representação mais ativa”.

Quer receber as notícias no Whatsapp? Clique aqui

Na região, somente no ano passado, foram 16 crimes registrados contra esse público, e nesse ano já são cinco. Uma pesquisa organizada pelo Centro de Direitos Humanos Liberdades e Vidas, mostra que a população LGBTI tem um número expressivo no Alto Vale.

“Temos de 37% a 42% da população de Rio do Sul. A presença do público gay na região, é bem elevada em Rio do Sul, porque é uma cidade maior, muitos saem da cidade pequena, do interior e vem construir sua vida aqui para não gerar desconforto para a família na sua cidade”, explica o ativista.

Para ele, é preciso ter mais iniciativa do Poder Público em relação a essa situação. Amilton conta que em Blumenau por exemplo, um leque dentro de um programa governamental dá visibilidade ao público, virou lei, onde a cada 100 imóveis do Minha Casa Minha Vida, um é destinado a um casal gay. “Eles têm medo de dar vez, voto e visibilidade, porque tem muito hétero que não vai conseguir os votos dos gays”.

Susana Lima