Por: diario | 19/09/2018

O preço da gasolina voltou a subir e já compromete mais de 8% da renda dos brasileiros. Na última semana a Agência Nacional do Petróleo, informou um aumento de 2,28% no preço do combustível no país. O valor médio nos postos subiu em 25 estados e no Distrito Federal. A partir de junho deste ano uma nova política de preços foi adotada, permitindo reajustes para que o preço da gasolina esteja alinhado com o que se pratica no mercado internacional.

Os principais fatores que formam o preço internacional é o valor do dólar, que teve um salto, enquanto o real se desvalorizou, encarecendo em reais o preço do combustível. Vale lembrar ainda que o Brasil importa combustíveis. O nosso parque de refino de petróleo não tem capacidade para atender a demanda pelos derivados e quase 66% do nosso óleo é considerado médio e pesado, o que dificulta e encarece ainda mais o refino. Desta forma, o país é obrigado a importar combustíveis de outros países.

No Brasil, onde o salário médio é de R$ 2.205, cada abastecimento de um automóvel consome 8,1% da renda mensal do trabalhador, segundo o relatório elaborado pela consultoria Global Petrol Prices. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos gastos dos grupos familiares no país, mostram que o número é 2,2% a mais do que os brasileiros gastam com a saúde, cerca de 5,9%.

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Para o economista Luiz Alberto Neves, o impacto para o cidadão poderia ser amenizado pelo transporte público, se este fosse de boa qualidade.

“Faltam investimentos nessa área. O aumento dos combustíveis vão se refletir, tanto na produção de bens quanto nos serviços, já que os fretes também serão reajustados. As causa dos reajuste são as mais diversas, desde a quase falência da Petrobras causada pelo conluio de políticos, governo e empresários corruptos que levaram o país ao caos que estamos vivendo. As sucessivas elevações do dólar em relação ao Real também contribuem para o aumento dos combustíveis, assim como cartéis dos postos de combustíveis também agravam os problemas”, conta.

Para o gerente de um posto de combustíveis de Rio do Sul, Luis Henrique Bonatto, o aumento na última semana já traz reflexo no movimento do dia a dia do posto.

“Sentimos o reflexo no movimento, os horários de pico, ao meio dia e às 18h, já é menor. Tínhamos um fluxo de quase mil carros por dia, acredito que com o aumento tenha havido uma redução de pelo menos 20% do volume diário de veículos. O faturamento do mês também terá reflexo”, conta.

Além disso o gerente comenta que com o continuo aumento do valor dos combustíveis os consumidores acabam deixando de investir em outros serviços.

“Quando o preço está elevado, tem a oferta mas não tem a procura, com o alto preço o pessoal corre. Evitam de sair, de passear, colocam menos gasolina, numa menor frequência, mudam os hábitos. Para nós também é ruim, o aumento é só um repasse, o funcionário não recebe a mais, nem o patrão. A pessoa vem abastece mas já não consome na loja, ou deixa de trocar o óleo, ou um pneu, alguma coisa assim, deixa de fazer um serviço agregado porque o combustível está mais caro”, comenta Luis.

Para o economista Luiz Alberto Neves, necessitamos de investimento em novos meios de transporte e infraestrutura, por parte do Estado, o que até agora não tem acontecido.

“Não há como fugir do impactos dos sucessivos reajuste dos combustíveis, infelizmente. Esses reajuste impactam toda cadeia produtiva, principalmente considerando que quase tudo que é produzido no Brasil é transportado através do modal rodoviário. Carecemos de outras alternativas como ferrovias, hidrovias e aerovias. Os investimentos em infraestrutura praticamente pararam principalmente pela baixa capacidade de investimento do Estado e dificuldades para atrair investimentos privados, considerando a instabilidade política e econômica do Brasil” comenta.

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Sobe mais nas refinarias do que para o consumidor

O preço da gasolina nas refinarias brasileiras atingiu novo pico no dia 13 deste mês, quando a Petrobras reajustou novamente o combustível para R$ 2,23 por litro. Em um ano, o combustível acumula alta de 46% nas refinarias. Entretanto, para o consumidor o reajuste foi menor, de 18% no mesmo período, por causa da base de cálculo diferente.

O pico de preço para o consumidor foi registrado logo após a greve dos caminhoneiros, no início de maio, quando o litro alcançou R$ 4,61, em média, no país. Desde então, os preços recuaram 3,5%.
Mesmo assim, a Petrobras anunciou no dia 6 deste mês mudanças em sua política de preços para o combustível. A companhia continuará acompanhando as cotações internacionais e as variações do dólar, mas os repasses acontecerão em períodos maiores, de até 15 dias, quando a empresa entender que o mercado está sendo pressionado por razões externas, como desastres naturais ou choques cambiais.

Tá caro, mas nem tanto

Mesmo após os últimos reajustes da Petrobras, a gasolina no Brasil está longe de ser uma das mais caras do mundo. O Brasil está na 94ª posição no ranking que compara os preços em 165 países, elaborado semanalmente pela consultoria Global Petrol Prices. No entanto, por causa do nível salarial, o preço pesa mais para o brasileiro.

No topo da lista, estão Hong Kong, Islândia e Noruega, onde o litro do combustível custa mais de R$ 8. A gasolina mais barata do mundo está na Venezuela, R$ 0,03 por litro. Porém, quando analisado o poder de compra dos cidadãos desses países, encher o tanque com 40 litros de gasolina pesa mais no bolso dos brasileiros, consumindo 8,1% do salário médio no país.

Susana Lima 

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