Por: diario | 11/07/2018

Na última quinta-feira (5), Patricia Demetrio Da Cruz, mãe de um menino de um ano e nove meses, levou o filho que estava com tosse e febre para ser atendido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Depois do atendimento, Patricia fez um desabafo nas redes sociais sobre a falta de um especialista no atendimento as crianças. “Eu como mãe não posso deixar de escrever aqui minha indignação à respeito da falta de pediatras na UPA. […] Gente, não tem pediatras nos postos de saúde, não tem pediatras na UPA e não querem fazer atendimento no Pronto Socorro, sem que seja urgência ou emergência. Então só pagando? E quem não tem condições? […] É inaceitável isso! É uma vergonha!”, escreveu no perfil do Facebook. A mãe relatou ainda que a atendente informou que não havia previsão para a volta de especialistas na área.

Patricia ressalta que o filho não foi mal atendido, mas teve que esperar mais de uma hora para o atendimento pois a febre já havia baixado, tempo que para uma criança pequena é muito longo. “O meu filho não foi mal atendido, só que o que a gente precisa é de médico pediatra. Porque o atendimento seria mais rápido, se tivesse um pediatra ele iria atender só as crianças. Antes tinha, até dois pediatras, e como era bom. Porque as crianças não sabem o porquê de estar ali, não entende porque estão mal, elas estão ali e querem voltar para a casa”, relata a mãe.

 

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A Secretária de Saúde de Rio do Sul, Sueli de Oliveira, ressalta que a obrigatoriedade do município é garantir dois médicos clínico geral para atender nos postos e na UPA. “O município é responsável pela atenção básica nas unidades de saúde, ou seja, ter dois médicos clínicos que atendam 40 horas em todas as unidades. Gostaríamos muito de poder atender nas unidades com pediatra também e outros profissionais, mas é inviável para o município.

Hoje temos o atendimento do pediatra na Policlínica, mas infelizmente não tem o profissional que queira trabalhar hoje pelo preço que o SUS paga”, conta. Ela comenta também que, apesar de querer contratar mais especialistas na pediatria, não encontram profissionais. “Infelizmente nós não temos como ter um pediatra em cada unidade de saúde. Hoje nós temos 18 unidades. Essa profissão de pediatra eu diria que está em extinção, nós tentamos contratar mais pediatras para ter mais um profissional na Policlínica, mas não temos, não aparece esse profissional interessado nessa área”, completa.

Em junho, a UPA atendeu cerca de 1244 crianças, Sueli informa que os médicos clínicos estão aptos a atender também as crianças e que terão prioridade se necessário. “Quando a criança for na unidade de saúde e estiver com febre, ou quando for urgência e emergência ela pode se encaminhar a UPA. E toda criança que chega com febre tem prioridade, tanto nos postos, quanto no hospital e na UPA”. A secretária ressalta também que o município atende as exigências do Ministério da Saúde. “Na portaria diz que temos que ter dois médicos clínicos que atendam na UPA por período. Nós temos os dois médicos clínicos na UPA, assim como nas unidades de saúde, como determina o Ministério da Saúde”. E revela ainda que o município paga o triplo do que vem do Governo, para os profissionais dessa área.

“Estamos procurando profissionais para contratar e atender na Policlínica e não estamos encontrando. Infelizmente o que o SUS paga é pouco, mesmo o município triplicando esse valor, ainda é um valor baixo. E não temos pernas para estar aumentando todos os profissionais especialistas”, finaliza.

Sofrimento para os pais

Patricia relata que no dia haviam também muitas outras mães, e por isso enxerga a necessidade de mais profissionais nessa área. “Tinha muitas crianças lá, fiquei realmente triste por todas as mães preocupadas que lá estavam. Por isso o desabafo. Tem alguns casos que vi, que mesmo com febre, elas não são passadas na frente”, acrescenta.

Ela relata também que com o clima mais frio, é muito mais frequente as doenças nas crianças. “Eu já fui outras vezes, fui mês passado, no outro, e é sempre a mesma situação, você tem que ficar esperando, porque não tem pediatra. Eu sempre fui bem atendida na UPA, mas precisava muito ter pelo menos um pediatra. O pediatra que tinha lá era muito bom, eu gostava muito quando levava meu menino lá”, finaliza.