Por: diario | 29/04/2015

Natacha Santos

Em agosto do ano passado Antônio Duarte, de Rio do Sul e estudante de engenharia de controle de automação da Universidade Federal de Santa Cantarina (UFSC), viajou como bolsista do programa Ciência sem Fronteira (CsC) aos Estados Unidos. Lá ele foi selecionado para a Universidade do Colorado, em Denver, onde conheceu o Team Stratus. Após uma conversa com seu professor, Duarte foi convidado para integrar a equipe que está participando de uma das maiores competições de tecnologia em nível universitário, a Intel-Cornell Cup.

O Cornell Cup EUA, apresentado pela Intel é uma competição de nível universitário design integrado anual, criada pela Intel e hospedado pela Universidade de Cornell. O torneio é uma iniciativa da Intel Corporation para capacitar as equipes de estudantes para se tornarem os inventores das mais novas aplicações inovadoras de tecnologia embarcada. O concurso permite que os estudantes universitários tenham a oportunidade de transformar ideias em produtos reais com resultados reais. Vários prêmios são dados, com valores entre US $ 1.000 e US $ 10.000.

O projeto da Team Stratus consiste no aprimoramento da navegação de robôs, incluindo drones e outros mecanismos mais simples que navegam pelo solo. “Esse aprimoramento se da através da criação de um módulo que permite que o robô faça um mapeamento 3D e se localize nesse mapa, evitando a colisão com obstáculos”, explicou Duarte. O estudante diz que para chegar a esse ponto, a equipe precisa fazer com que o robô crie um mapa 3D de onde ele está. “Essa tecnologia também pode ser utilizada para digitalizar um local ou objeto em 3D, como rochas que podem desmoronar e são de difícil acesso para o ser humano”. Além disso, o projeto aprimora a navegação de robôs dentro de locais onde o GPS não funciona.

Para criar esse mapa, a equipe desenvolveu um novo sistema de mapeamento e localização. Essas tecnologias são conhecidas por Simultaneaous Localization and Mapping (SLAM). O projeto também conta com vários módulos desenvolvidos que dão suporte aos objetivos mais globais. “Por exemplo, uma infraestrutura de comunicação via wireless que interliga todos os módulos e permite o envio de comandos, transmissão de imagens e o controle dos robôs em tempo suficiente para que os robôs consigam navegar e utilizar as informações do módulo ao mesmo tempo”, esclareceu Duarte.

Para conseguir expor a tecnologia, a Team Stratus optou por coloca-la em robôs. “Por isso, temos um drone com 6 hélices (Stratoscopter) que foi construído em cima de uma plataforma já pronta, e criamos robôs pequenos que navegam pelo solo, a qual chamamos de Stratusrover. Ambos robôs estão utilizando nosso módulo e podem ser vistos no vídeo disponível no nosso blog (blogs.cornell.edu/cornellcup2015stratus)”, disse o estudante.

Apresentação na NASA

De acordo com Duarte, a Team Stratus trabalha no projeto desde setembro de 2014 e já passou por diversas etapas da competição, incluindo uma apresentação para as semifinais, onde foram selecionadas as 22 melhores equipes para a final.

Agora a equipe, que é composta por Skyler Saleh (EUA), Bruno Mary (França), Xin Li (China), o rio-sulense Antônio Duarte e o professor orientados Dr. Dan Conoors (EUA), se prepara para a final da competição, que será realizada no Kennedy Space Center da NASA, na Flórida, nos dias 1 e 2 de maio. Duarte destaca que o projeto da Team Stratus é muito bom, pois engloba várias tecnologias que foram desenvolvidas por inteiras. “Diversas empresas com milhões de dinheiro aqui dos EUA estão tentando desenvolver tecnologias semelhantes, incluindo a Intel, que faz parte da organização da competição. Ao longo desses oito meses trabalhamos duro para ter um projeto final sólido e expressivo, que realmente pode fazer diferença no jeito que pessoas utilizam robôs”, disse. Porém, a equipe conta com poucos recursos e mantém o pé no chão com relação aos prêmios. “As outras equipes também são fortes e os projetos são diversos, bem diferentes, por isso existem muitos fatores para uma equipe ser considerada campeã. Estou confiante que vamos representar bem, porém estamos cientes da nossa realidade. Mesmo assim acredito que estamos no mesmo nível tecnológico dessas equipes”.

Um dos prêmios dessa competição é um reconhecimento de mídia, Intel Media Award e um dos requisitos para essa categoria é a votação do público. “Esse prêmio, chamado Intel Media Award, irá premiar a equipe que melhor se destaca em trabalhar a imagem do time e entre as formas de avaliação, uma delas é a votação do público”, explicou. Para isso, Duarte iniciou uma campanha no Facebook através da página Localização sem Fronteiras. “Quando criei o post estávamos com 6%, mais ou menos 500 votos atrás do primeiro colocado, isso foi às 14h de segunda-feira no Brasil”. Até o fechamento da matéria, por volta das 16h de ontem, a equipe já contabilizava 40% dos votos. “Vale a pena salientar que essa votação é para o prêmio de Mídia não para a competição inteira, mas que vai ajudar a vencer no geral”, salienta. A votação segue até o dia 2, que é quando a competição inteira termina, através do link www.systemseng.cornell.edu/se/intel/news/blogsurvey.cfm.

Team Stratus

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