Por: diario | 28/06/2019

O mundo inteiro está em alerta devido à ocorrência de mazelas que podem colocar em risco a produção animal. Com a intenção de debater ações de controle e monitoramento de doenças como peste suína clássica, peste suína africana e febre aftosa, foi realizada uma reunião na Câmara de Desenvolvimento da Agroindústria na quinta-feira (27) em Florianópolis, com a participação de representantes da Secretaria da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Cidasc, Ministério da Agricultura e iniciativa privada.

A palestra da professora titular sênior de Epidemiologia das Doenças Infecciosas da Universidade de São Paulo (USP), Masaio Mizuno Ishizuka, abriu o encontro e trouxe um panorama das principais enfermidades da suinocultura mundial, suas particularidades e riscos de contágio. “Não existe risco zero, as doenças não respeitam limites de fronteiras. Nosso trabalho é raciocinar, utilizar as experiências do passado para resolver os problemas contemporâneos. Devemos trabalhar com dados, com medidas que impeçam a entrada de doenças e medidas de contingência”, ressaltou.

A professora Masaio destacou ainda a excelência do trabalho de defesa agropecuária desenvolvido no estado, uma referência para outras unidades da Federação, segundo a própria. “Todos deveriam imitar Santa Catarina. Aqui os setores do agronegócio trabalham de forma alinhada e dividem as responsabilidades”. Entre os pontos tratados na palestra, mereceram destaque os casos de peste suína clássica no Piauí e Ceará, além da situação na Ásia com os focos de peste suína africana – doença que, segundo relatório divulgado em junho pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), já levou à eliminação de 3,4 milhões de suínos em diversos países desse continente.

Segundo o secretário Ricardo de Gouvêa, a união de esforços entre o Governo do Estado, Governo Federal, produtores rurais e iniciativa privada é a chave para manutenção desse patrimônio. “Não se faz defesa agropecuária sozinho. Devemos somar esforços e trabalhar juntos para que Santa Catarina continue sendo uma referência no cuidado com a saúde animal e sanidade vegetal. Estamos atentos e mobilizados para evitar a entrada de qualquer doença em nossos rebanhos e lavouras, preservando também a saúde dos nossos produtores rurais e consumidores. Além da economia de todo o estado, já que o agronegócio responde por 30% do PIB catarinense”, destacou.

Na oportunidade, a diretora técnica da Cidasc, Priscila Maciel, e os representantes Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Felipe da Costa Porto e Marcio Pinto Ferreira, apresentaram os planos de contingência de Santa Catarina e do país.

Saúde animal em Santa Catarina

Santa Catarina é o único estado do Brasil reconhecido como área livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e, junto com o Rio Grande do Sul, é zona livre de peste suína clássica. O status sanitário diferenciado é um dos fatores que faz do estado um gigante do agronegócio, com acesso aos mercados mais exigentes do mundo, como Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul.

“A sanidade animal é uma riqueza e tem grande valor para Santa Catarina. Não podemos medir esforços para preservar essa condição e manter o protagonismo no agronegócio brasileiro”, afirmou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, Mario Cezar de Aguiar.