Por: diario | 12/03/2019

O Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca da Epagri (Epagri/Cedap) realiza no dia de hoje e na quinta-feira (14), mais uma etapa do projeto de pesquisa para cultivo da macroalga Kappaphycus alvarezii, em Santa Catarina. A macroalga produz matéria-prima para as indústrias química e de alimentos e pode representar uma importante fonte de renda, para os maricultores do Estado.

A nova etapa do estudo, que vai acontecer na comunidade do Ribeirão da Ilha, em Florianópolis, consiste na medição das macroalgas para acompanhar o desenvolvimento do vegetal na localidade. Há dez anos essa pesquisa vem sendo desenvolvida no Sambaqui, outra comunidade maricultora tradicional da capital catarinense. De acordo com o pesquisador da Epagri/Cedap e responsável pelo projeto, Alex Alves do Santos, a ampliação dos estudos de cultivo da Kappaphycus alvarezii para o Ribeirão da Ilha aconteceu em dezembro. “Em fevereiro fizemos a primeira biometria nas algas do Ribeirão e o crescimento foi surpreendente”, comemorou.

Há dez anos a macroalga vem sendo cultivada no Sambaqui com bons resultados. Entre março e abril, o pesquisador pretende instalar cultivos experimentais em Governador Celso Ramos e na Penha. “Tais ampliações estão sendo realizadas por determinação do Ibama, órgão licenciador de espécies exóticas, como condicionante para a liberação dos cultivos comerciais da Kappaphycus alvarezii em Santa Catarina. Atualmente, apenas Rio de Janeiro e São Paulo estão liberados para cultivos comerciais” esclareceu.

A macroalga em estudo pela Epagri produz a carragenana, usada como espessante pelas indústrias química e alimentícia. Só em 2015 o Brasil importou 1.836 toneladas de carragenana ao custo de 16 milhões de dólares.

Alex ainda ressalta que a estratégia é iniciar os cultivos comerciais da Kappaphycus alvarezii integrados ao de moluscos, diversificando a produção e aumentar a renda dos produtores. “Não queremos que ninguém deixe de produzir moluscos. As algas serão a segunda espécie. No futuro, cada produtor poderá avaliar o que é melhor para si, ou seja, continuar com a integração ou partir para o monocultivo de algas”, justificou.

Em busca de autorização para cultivo comercial

O pesquisar ainda enalteceu dizendo que “os maricultores estão ansiosos para iniciar na nova atividade, nos cobram semanalmente notícias sobre o assunto”, revelou.Para atender a essa expectativa, Epagri e UFSC, parceiras no projeto, atuam também na obtenção da autorização para os cultivos comerciais. Em dezembro de 2018, a Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca de Santa Catarina e a reitoria da UFSC encaminharam ofícios ao governo federal, solicitando liberação da atividade. A pedido da Epagri e UFSC, os maricultores, através de suas associações, realizaram a mesma ação. A Câmara Setorial da Maricultura, foi outra que se manifestou. O próximo passo será acionar a bancada catarinense em Brasília, para uma cobrança política, exigindo tratamento igualitário ao Rio de Janeiro e São Paulo. Enquanto essas ações burocráticas são levadas a cabo, os pesquisadores estão realizando a secagem das algas e o armazenamento de um volume maior, que será encaminhado a uma empresa brasileira de processamento, para extração da carragenana.