Por: diario | 18/01/2019

Como quase toda economia emergente e jovem, o Brasil sempre se beneficiou do bônus demográfico – ou seja, da maior quantidade de brasileiros que entrava no mercado de trabalho em relação à que deixava. Por anos, essa combinação garantiu uma contribuição ao ritmo de crescimento econômico e até ajudou a custear a aposentadoria dos mais velhos. Agora, o envelhecimento dos brasileiros pode impor restrições ao crescimento da economia no médio e longo prazo e pressionar ainda mais as contas públicas.

De forma geral, a entrada de novos trabalhadores no melhor momento do bônus demográfico contribuía anualmente com 0,5 ponto percentual para o crescimento do PIB, segundo cálculos da Fundação Getulio Vargas (FGV). Em tese, o aumento de pessoas no mercado de trabalho ajuda a elevar a produção do país, o que colabora para melhorar o desempenho da atividade econômica.

Agora, com processo de encerramento do bônus demográfico, os analistas apontam que começa a ficar mais urgente a necessidade de o país investir numa agenda de produtividade, se quiser colher um crescimento mais acelerado, e garantir bons salários para que os trabalhadores possam custear os futuros aposentados.

“De um lado, há o desafio da questão fiscal e previdenciária. E de outro, o aumento necessário da produtividade do trabalhador brasileiro. Tudo isso está relacionado com o fim do bônus demográfico”, afirma o diretor da FGV Social, Marcelo Neri

Os primeiros sinais do encerramento do bônus demográfico já começaram a aparecer. Em 2018, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a razão de dependência cresceu pela primeira vez, para 44,03.

Ou seja, no ano passado, havia 44 pessoas dependentes para cada 100 pessoas em idade ativa. Em 2017, a razão era de 43,98.

O crescimento surpreendeu. O IBGE só esperava um aumento da razão de dependência em 2023.