Por: diario | 02/08/2016

Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro um dos esportes mais praticados no mundo novamente não fará parte do quadro de modalidades olímpicas: o futsal. E no país sede das disputas, onde a bola pesada é jogada em quadras não é difícil encontrar ginásios em localidades, bairros e cidades onde a modalidade é amplamente disseminada. No Alto Vale essa cultura é ainda mais forte, já que em vez do incentivo a outras modalidades esportivas, a principal pratica esportiva das crianças nos educandários e escolas ainda é o futsal. Para os Jogos do Rio de Janeiro a modalidade foi amplamente discutida, anunciada e planejada, mas novamente nada saiu do papel. O DAV ouviu esportistas do Alto Vale ligados ao futsal que opinaram sobre o incremento da modalidade nos Jogos.

Ex-jogador profissional onde atuou por diversas temporadas no Moitas de Ituporanga, disputando o Campeonato Catarinense e os Jogos Abertos de Santa Catarina e agora atuando como coordenador de esportes da FMD de Aurora, Mário José Mohr, não entende porque a modalidade ainda não virou olímpica. Ele citou que as discussões iniciaram em meados dos anos 2000 e com a Fifa abraçando a modalidade e a evolução do esporte o patamar do futsal já é outro. “Já passou do tempo de ser olímpica, porque tem algumas modalidades que serão disputadas agora que não tem muito contexto e importância esportiva. Hoje, por exemplo, em modalidades como o futebol temos os melhores do mundo jogando e no futsal como um Falcão ou outro jogador internacional não estará atuando, eu acho isso uma injustiça. Não só por ser no Brasil, mas porque já passou do tempo do futsal ter virado olímpico porque são muitos anos de discussão e não tem jeito de avançar”, comentou.

Mário acredita que o crescimento da modalidade não está diretamente relacionado a escolha olímpica. “Creio que não atrapalha no desenvolvimento dela em si, porque todas as competições possíveis acontecem, além dos campeonatos nacionais e estaduais, mas visando incentivar as novas seleções poderiam fazer com outros formatos, talvez como fazem no futebol de campo que vem apenas a equipe Sub-23 e mais três atletas acima dessa idade, precisa-se estudar mecanismos”, falou.

Já para Jonas Felizari, que atua como técnico nas categorias de base da CME de Taió e acumula diversos títulos no futsal, o único motivo para o futsal ainda não ter se tornado modalidade olímpica é a desorganização das entidades. “Na minha opinião o que deixa a desejar são as autoridades do nosso esporte que ainda não são profissionais no Brasil e isso é muito grave, ainda mais pensando em uma modalidade olímpica, por exemplo, quem comanda a Liga Nacional são os atletas e não a Confederação Brasileira de Futebol de Salão (CBFS)”.
Jonas explica que a desorganização e má gestão dos clubes e entidades faz o futsal criar um descrédito também fora do país. “Hoje nos Estados Unidos o futsal está apenas começando e eles têm um investimento em esporte de primeiro mundo, então a distinção é grande, bem diferente de outras modalidades como basquete, por exemplo. Outro fator que exemplifica essa diferença é o salário dos jogadores do futsal comparado a outras modalidades”, disse.

Na opinião do treinador, se o futsal fosse uma modalidade olímpica o prestígio seria outro. “Criaria mais credibilidade no cenário, porque viemos perdendo muito espaço e hoje nem no horário nobre de transmissão da Liga Nacional que era nas segundas-feiras nossa modalidade está mais, perdemos para o futebol de campo. Nessas pequenas coisas nós perdemos força e isso mostra como estamos no quesito organização”, concluiu.

Jogos Olímpicos da
Juventude

Em setembro do ano passado através do site oficial, a Fifa anunciou que o futsal estará presente nos Jogos Olímpicos da Juventude, que serão realizados em 2018 em Buenos Aires. No início de 2015, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, já havia sinalizado com a possibilidade da inclusão do futsal no cronograma da competição.

Como o Brasil é o maior vencedor do futsal mundial com sete títulos, dirigentes da Fifa se uniram à Confederação Brasileira (CBFS) em busca deste espaço para a modalidade nos Jogos do Rio de Janeiro. Em uma última cartada para tentar integrar o programa olímpico de 2016, em 2012, o astro Falcão foi nomeado embaixador do esporte para ajudar no lobby, mas o COI manteve-se irredutível.

Briga política

Um dos fatores que são essenciais para que um esporte se torne olímpico, estabelecido pelo COI (Comitê dos Jogos Olímpicos, entidade responsável por organizar o evento), é que o esporte esteja efetivamente presente em pelo menos 127 países, de todos os continentes e praticado por crianças, jovens e adultos, homens e mulheres. O futsal já atende essas regras, já que confederações de vários países, inclusive, alguns membros da Fifa já declararam o desejo de ver o esporte sendo aceito nas Olimpíadas.

Trata-se de um conflito político entre a Fifa e o COI. A Federação Internacional de Futebol não queria que as mesmas seleções que disputam Copas do Mundo disputassem Olimpíadas, por questão de atratividade, que beneficiaria o COI e, por isso, surgiu a “regra dos 23”, na qual as equipes do futebol masculino só podem convocar jogadores abaixo dos 23 anos de idade, com a permissão da convocação de até três jogadores com idade acima dos 23 anos.