Por: diario | 05/01/2018

O empresário Luciano Hang, proprietário da rede de lojas Havan, realizou uma coletiva de imprensa na manhã de sexta-feira (5), no Centro Administrativo da empresa, em Brusque.

Em discurso inflamado, recheado de manifestações políticas, anunciou a desfiliação do PMDB, partido o qual era filiado desde sua juventude quando atuava como líder estudantil, e não escondeu a paixão pelo ex-governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), o qual definiu como melhor político de Santa Catarina. “Eu me filiei ao partido na primeira eleição de Luiz Henrique, e sempre que o encontrava, dizia que mantinha minha filiação em sua homenagem. Ele sempre foi um paizão pra mim”, revelou.

A saída do partido, que recentemente mudou o nome para MDB, foi motivada pela busca da liberdade de escolha de uma nova sigla e a possibilidade de livre manifestação nas próximas eleições. Questionado sobre a possibilidade de ser candidato, foi enfático ao afirmar. “Estou a disposição, estou disponível para que possamos fazer um país diferente, um país melhor”, revela. Ele complementou, dizendo que “estou estudando todos os partidos”.

Além disso, Hang afirmou que não quis ficar no PMDB, “pois muitos partidos têm candidato, e eu causaria um mal estar dentro do partido, não iria criar uma confusão dentro do PMDB, da minha parte”, revelou o empresário.

Mostrando um planejamento estratégico das suas ações dentro desse período pré-eleitoral, afirmou que poderá se filiar a qualquer partido até o mês de abril. “Posso pleitear qualquer cargo, como posso apoiar alguém, ou também, ser incentivador. Quero ser alguém que possa ajudar esse país, mostrando o que penso e o caminho que acho que devemos seguir”, conta.

 

Anti-esquerda

“Eu não voto em partido de esquerda, esquerda não serve pra nada, esquerda não serve nem para dirigir”. Essa foi a resposta do empresário ao ser questionado sobre sua preferência entre os pré-candidatos a presidência da República. Apesar do discurso extremista, foi evasivo ao ser perguntado sobre a preferência entre Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Messias Bolsonaro (PSC).

Em outra forte manifestação contra a doutrina política de esquerda, Hang afirmou que o país foi salvo pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). “Caso contrário estaríamos em uma Venezuela”, dispara.

Autodenominado liberal e a favor do estado mínimo afirmou que os empresários e empreendedores brasileiros devem ser valorizados. “Precisamos dar oportunidade para as empresas crescerem e fazer com que as pessoas dependam das empresas. Quando há crescimento e muitas empresas, as oportunidades de emprego são maiores”, explica. Complementou, ainda, dizendo que “se têm pessoas que precisam ser aplaudidas todos os dias são os empresários e empreendedores”.

 

“Não voto em candidato populista”

Com um discurso forte, afirmou que faria uma reforma estadual de “cara”, e que a sociedade é cerceada por leis idiotas. “É o único país no mundo que tem vaga para o idoso. Tem que ter vaga é para deficiente. Em um país normal tem vaga para deficiente físico, e se você é idoso e se acha deficiente vai lá na prefeitura e pede a liberação”, dispara.

Após esta fala foi questionado por uma jornalista sobre a postura de legislador que adotou durante a coletiva de imprensa, porém, rapidamente respondeu que tem perfil executivo.

Defendeu a Reforma da Previdência, mudanças no Pacto Federativo e afirmou que o país não se desenvolve devido a alta carga tributária e a burocracia. Disse que só votará em candidato que tiver coragem de fazer as mudanças que o país precisa. “Não voto em candidato populista, não voto em candidato que não queira fazer reformas e mudanças. Candidato que não prega mudança, que não tem coragem, não é meu candidato”, revela.

O crescimento do país poderia ser maior, e chegar aos 5% ao ano, caso os empresários e empreendedores tivessem mais liberdade e mais autonomia de atuação. “É preciso dar liberdade para a pessoa, e ela ter a responsabilidade de fazer o certo. O Brasil quer controlar o cidadão em tudo”, dispara.

Mais uma vez falou sobre a burocracia e dessa vez atacou indiretamente movimentos sociais como o dos Sem Terra. “Para tudo se precisa de licença no país. Só não precisa licença para invadir terra, para matar, para roubar. Para fazer o que é bom, você precisa de licença”, ataca.

 

Uma empresa de R$ 5 bilhões

O faturamento da Havan em 2017 foi de cerca de R$ 5 bilhões com aproximadamente 12 mil colaboradores. A expectativa é chegar a 220 lojas em 2022 e empregar 25 mil pessoas. Questionado sobre quem cuidaria desse império, caso se dedicasse a vida pública, Hang afirmou que existe uma boa equipe de trabalho.

Em certo momento da conversa com a imprensa, argumentou que decisões precisam ser tomadas entre poucas pessoas. “Quer engessar uma empresa, coloque as decisões para ser definidas por um conselho”. Fez um comparativo com a gestão pública e não teve medo ao afirmar que as mudanças não ocorrem, pois existem políticos e interesses demasiados no atual cenário.

 

A bola de cristal de Hang

Sim, a bola de cristal do empresário, que ele define como um símbolo da sua visão empresarial foi mostrada durante a coletiva. Um jornalista questionou quem seria o candidato em 2018 e ele respondeu. “Olhando a minha bola de cristal, tenho certeza que o país vai saber fazer a escolha certa, o trem vai voltar a rodar, a roda da fortuna vai girar e o país sair disso”.

Apesar de deixar transparecer a tendência de pleitear uma vaga no Executivo, Hang não nega a possibilidade de concorrer a outro cargo, inclusive em nível federal. “Meu cargo dependerá do que se apresentará, o importante é entrar no jogo e mudar os paradigmas do país”.

Também afirmou que este ano será do empreendedor e do empresário, e que tem quatro meses para tomar a melhor decisão. “As pessoas quererem voltar em algo novo, votar em pessoas que tem disciplina, falta coerência no país, falta gente com coragem para fazer as mudanças”, finaliza.